Pré-visualização gratuita Prólogo
Abro meus olhos encarando o céu estrelando com lágrimas escorrendo pelos cantos dos meus olhos.
Meu corpo doía, mas tinha certeza que minha alma estava doendo mais.
O vazio dentro de mim era enorme.
Sento em meio ao lixo olhando a penumbra ao redor, antes de me apoiar na parede ao lado e dar pequenos passos para fora dali.
Abraçada com meu próprio corpo, caminho pela calçada de cabeça baixa com as lágrimas insistindo em cair, apesar dos meus soluços inaudíveis.
Um grupo de pessoas passa, cochichando, sem parar de andar ou oferecer ajuda.
Não importava para a sociedade e continuaria não importar.
Mais duas esquinas e estaria em casa.
Estaria segura.
Algumas crianças brincavam na rua de bola, ao me ver, param a brincadeira, esperando até que brincasse como sempre com eles, mas logo me olham assustados. Um dos meninos até se afasta correndo, entrando dentro de casa chamando a mãe.
– Vó! – Ouço Gio gritar do portão – A Gabi!
Minha avó sai apressada, a expressão preocupada dando lugar ao alívio e a confusão.
– Gabriela! Onde você estava!? – pergunta aos gritos ao se aproximar, segurando meus braços com força, justamente nos machucados que estavam ardendo.
Ela me olhava esperando uma resposta, enquanto somente as lágrimas escorriam pelo meu rosto e soluçava.
Seus olhos passeiam pelo meu corpo. Notando minhas roupas rasgadas e os machucados pelo meu rosto, braços e pernas.
Vejo quando a ficha cai aos poucos, a dor predominando em seu olhar. Eu era uma menina de 14 anos, n***a, voltando para casa em uma bairro de classe baixa.
O que poderia me acontecer de r**m?
– O que aconteceu com você, minha filha? – Uma lágrima escapa e desliza rapidamente pela sua pele n***a.
Queria lhe dizer que o pior que poderia acontecer com uma adolescente de 14 anos, mas não conseguia e duvidava se iria conseguir.
Havia me tornado mais um número na estatística.