Passo às mãos no rosto cansada. Eu estava trabalhando desde cedo sem parar e estava esgotada. Mas esse era o único jeito que eu encontrei de não ficar pensando na minha vida. Era triste ficar pensando em um casamento que durou somente um ano de felicidade, e do nada tudo se perdeu. Do nada eu só estava vendo as notícias na mídia. Meu marido, ao qual casei sob uma tradição que nem ao menos conhecia, estava circulando em outros países com uma nova mulher e não foi o bastante, eles entravam e saiam de hotéis. E claro que eu pedir uma explicação e tudo que ele me disse que tudo não é o que parece. Aquela mulher não significa nada. E ainda me pediu para confiar nele. Eu confiei, porém achei demais às fotos que vinham saindo deles juntos. O pressionei de novo e nada. Nada que eu pudesse acreditar em suas palavras. Nada que eu pudesse confiar nele, então tratei de pedir o divórcio. Eu não sou mulher perdoar uma traição e se ele não me falou realmente o que está acontecendo não tínhamos o porque ficarmos juntos. Ele não me deu ouvidos quando disse que pediria o divórcio. E daria porque se eu nem tenho possibilidade de pedir sem me encrencar em um país que não é meu? Fiquei p**a de raiva ao saber disso e fiquei com mais raiva por ter que voltar para casa. Mas eu fiz questão de deixar claro que ele não toca mais em mim. Eu peguei minhas coisas e coloquei no quarto de hóspedes. Ele não gostou e tivemos uma briga intensa. Porém eu não me abalei. Fiz o que mandava meu coração. Mesmo o amando eu não estou disposta à perdoá-lo.
Me levanto e pego minha bolsa. São oito horas da noite. Desde o dia da audiência eu veio saindo do trabalho cada vez mais tarde. E para piorar mais ainda à nossa relação, ele tirou meu carro e pôs seus seguranças atrás de mim. Me resignei à viver assim. Trabalho e volto para à solidão de uma casa que não considero mais minha. Eu estava estudando à meses para sair desse casamento, mas nada me ocorria. Até mesmo consultei um advogado de Marrocos, e ele me disse à mesma coisa que meu advogado. Eu estava fudida. Não poderia nunca sair desse casamento sem me colocar em exílio no Marrocos.
Entrei no carro e deitei minha cabeça. Eu estava realmente cansada. Nem nos finais de semana eu queria parar. E se parava, ia para casa da minha mãe para ouvir ela dizer sempre " Eu te avisei. Ele não presta e você não viu isso, agora veja onde você se meteu". Me arrependia de não ter escutado ela. Me arrependia de ter pensando no lado dele e não ter pensado no meu. E agora quem está pagando por tudo sou eu.
Em casa, chego e já subo para meu quarto. Tranco à porta e vou direto para o banheiro. Tomo um banho e depois me deito. Fecho meus olhos e tento não pensar em nada. Deixo o cansaço agir e eu acabo afundando em um sono.
- Boa noite! Um homem de olhos acinzentados aparece do meu lado. Olho para ele e fico hipnotizada por sua beleza.
- Boa noite! Respondo saindo do meu transe.
- Parece que vou fazer dupla com você. Ele fala e eu olho para à sala que estávamos para o curso culinária que Mia me obrigou à fazer. Isso porque ela não queria vir sozinha com Ethan que era já um chef renomado. Algum problema? O Deus Grego ao meu lado questiona.
- Não. Desculpe. Fique à vontade. Ele me dar um sorriso de molhar à calcinha.
- Christian Grey. Ele se apresenta me dando sua mão.
- Anastásia Steele. Nos cumprimentamos e tanto eu quanto ele ficamos olhando um para o outro sem soltar as nossas mãos. Quando percebo, fico sem graça. Retiro minha mão da dele e o mesmo continua com seu sorriso gostoso no rosto.
- Então Anastásia, você veio fazer esse curso porque é muito r**m para cozinhar e seu marido ou namorado já não aguenta mais? Gargalho do que ele fala.
- Não. Eu vim acompanhar minha prima. Aponto para Mia que está do outro lado com Ethan.
- Então é ela que não sabe cozinhar? Ele pede me olhando.
- Sim e não. Ele me olha intrigado. Nós duas não sabemos cozinhar, porém ela quer agradar seu marido, que já é chef de restaurante.
- E você não quer agradar seu marido ou namorado?
- Não tenho nenhum e nem outro.
- No meu país você já estaria casada. Ele comenta e eu olho para ele.
- De que país você é? Indaguei curiosa.
- Marrocos. Lá às mulheres casam cedo, e no seu caso, acredito que jamais estaria solteira.
- No meu caso? Não entende.
- Você é muito bonita. Tem os olhos que se cobrisse com um véu ou uma burca chamaria à atenção de todos os homens da minha região.
- Obrigada, mas não estou procurando um namorado e muito menos me casar.
- Que pena. Ele fala e eu não esboço nada.
- E você o que faz aqui?
- Me disseram que aqui servem às melhores comida marroquina, e que hoje era o dia perfeito para comer um prato maravilhoso de Tajines. Olho para ele não acreditando nisso.
- Você está brincando né? Indaguei perdida na beleza dele.
- Sim, estou. Na verdade o professor aqui é um dos chefes de um dos meus restaurantes. Ele me convidou para participar do curso de hoje.
- Que bom. Espero que se divirta.
- Vamos nos divertir. Ele pisca para mim e eu não entendo o motivo.
- Ana, Ana. Escuto Hanna me trazer de volta à minha realidade. Na maioria das vezes eu me perdia em pensamento. Talvez eu procurasse uma falha que me trouxesse tanto desgosto. Eu ficava avaliando todo nosso trajeto para que pudesse ver onde eu errei com ele, ou que até mesmo que me indicasse que nós dois estávamos fora de sintonia.
- Fala Hanna. Pedi olhando para ela.
- Você está bem? Ela pede e eu assinto. Seu marido está na linha. Disse que chega de viagem hoje. Está questionando que horas era o jantar.
- Ás sete. Como sempre. Ela sai e eu passo às mãos na cabeça. Ele passava vários dias fora por causa dos seus negócios e também os negócios de Família, já que ele e seu irmão tem que dar conta de tudo.
- Ele quer falar com você. Suspiro.
- Diga que estou entrando em uma reunião que não posso falar com ele. Ela assentiu mais uma vez e saiu. Toda vez era isso. Toda vez que ele voltava de viagem queria falar comigo, mas eu não falava com ele à meses. Ele até que tentava, mas eu não queria saber de mais nada. Ele me cobrava que sentasse à mesa para jantarmos, porém eu sempre chegava mais tarde e me afundava no meu quarto.
Minha vida era muito triste. Vivi dois anos namorando esse cara, para me casar e ver que meu casamento durou um ano. Um ano bem vivido, ano feliz e do nada tudo desmoronou em minha frente. Do nada eu fui bombardeada com notícias dele circulando com outra na mídia. E o mais engraçado é que à mídia estava lidando e ainda lida com isso como um segundo casamento já que o Christian pertence à uma tradição onde os homens podem se casar com várias mulheres ou até quantas ele puder sustentar. E eu acreditando na fidelidade dele, acreditando que ele iria ficar somente comigo.
Quando soube de toda sua religião e tradição do seu país, eu pensei logo que ele iria somente se dedicar à mim. Eu não sou aberta à isso e deixei bem claro para ele que se ele quisesse viver à cultura do seu país que eu não estava disposta, e eu lembro perfeitamente ele me dizendo.
- " Haya, você é única para mim. Jamais haverá outra. Jamais haverá um pessoa entre nós". Palavras jogadas ao vento como eles dizem no país dele. Eu acreditei, vivi um ano acreditando que ele estava sendo verdadeiro comigo, que me amava acima de tudo. Mas novamente eu me enganei.
Vou para à mesa de desenhos. Eu tenho um projeto para desenhar e não posso atrasar mais do que já atrasei. Esse desenho se trata de uma construção de um shopping em New York. Eu tinha que entregar isso na próxima semana. Como disse, não posso atrasar mais. Meus problemas pessoais não importam. Tenho que me resignar em viver um casamento de fachada, e aceitar que eu nunca poderei me livrar dele.
Me concentro no projeto e finalizo o mesmo já quase nove horas da noite. Passo às mãos no rosto cansada. Eu só queria dormir agora. Pego minhas coisas e o projeto guardo no Tubo para projetos. Levo tudo comigo e desço de elevador.
- O Sr Grey já ligou perguntando pela Sra. Sawyer diz com à porta aberta do carro. Assinto, não dizendo nada. Me sento e deito minha cabeça no encosto do banco. Fecho meus olhos tentando não pensar em nada. Queria apagar da minha mente minha dor e meu sofrimento. Queria voltar à morar no meu apto, onde eu era feliz e nem sabia. Queria minha vida de volta. Suspiro.
Cheguei em casa e já subi para meu quarto. Tranquei à porta e deixei minhas coisas no sofá. Tirei minhas roupas. À hora que estava entrando no banheiro, vi alguém mexendo na maçaneta. Sabia de quem se tratava, não dei importância e fui tomar meu banho.
Deito na cama e escuto bater na porta. Fecho meus olhos já sabendo o que vai acontecer. Bate de novo na porta.
- Haya, por favor vamos conversar. Eu não suporto mais chegar aqui e você não está nem aí para mim. Haya, por favor. Suspiro e deixo as lágrimas cair. Não sei porque ele continua me chamando de Haya. Deve chamar à outra assim para não ter confusão. Ele mexe na maçaneta várias vezes e eu só queria que isso tudo acabasse. Ele poderia me dar o divórcio e assim resolvemos nossas vidas. Ele pára e eu acho que ele foi embora.
Sabia que tudo acabou para à gente. Peguei minhas coisas e pus nesse quarto, e ele mais uma vez não aceitou. Eu tive que várias vezes trancar à porta para ele não entrar aqui, pois ele sempre vinha de madrugada para tentar uma reconciliação, mas eu estava e estou magoada demais para perdoá-lo. Hoje, eu não deixo aberta, sempre tranco para ele não entrar. O sono me toma e eu não ouço e vejo mais nada.
Levantei cedo para que não pudesse vê-lo. Sempre que ele estava em casa eu fazia questão de sair mais cedo. Me arrumei e sair sem olhar para trás. Sawyer estava de pé e assim que me viu veio até à mim.
- Bom dia Sra! O Sr Grey pediu ontem para não sair com à Sra enquanto ele não falasse com à Sra.
- Mande seu patrão à merda. Digo pegando à chave da mão dele indo para o carro.
- Sra, não. À Sra vai me complicar. Abaixo vidro do carro e olho para ele.
- Não se preocupe, sem trabalho você não fica. Digo e dou partida no carro. Na portaria eles não queriam abrir o portão, então ameacei bater o carro no portão, só assim eles abriram. Começo à chorar. Ele quer me controlar de todas as formas. Já deixei ele tomar minha vida, tomar meu carro e ainda ser vigiada onde fosse pelo seus seguranças e agora eu tenho que acatar tudo que ele quer? Não vou. Ele que me humilhar mais ainda. Quer matar meus sentimentos e eu não aceito isso. Choro mais. eu estava cansada disso. Cansada dessa vida. Cansada dele se impor para mim e ainda esfregar sua amante na minha cara.