Pré-visualização gratuita PRÓLOGO
Foram horas sendo preparada para um casamento que nunca tinha visto da vida. E também, nunca achei que me casaria dentro da religião muçulmana. Minha mãe achou ridículo, eu, uma norte americana aceitar me casar dentro da religião muçulmana, porém eu me apaixonei por um puto de um gostoso marroquino e ele também por mim ( pelo menos achei que ele também tinha se apaixonado por mim), mas então, eu fiquei horas ali sendo preparada para esse casamento com minha mãe pedindo para desistir, pedindo para que fossemos embora e encontrasse alguém da nossa cultura para me casar. Não dei ouvido e deu no que deu.
Nada de vestido branco como manda à tradição americana, nada de uma cerimônia tranquila. Eu fiquei dias sendo preparada pelas primas, amigas da família dele. E todas virgens. Nenhuma moça não virgem poderia tocar em mim e nem muito menos fazer o ritual da noiva. Ficava me perguntando se eles sabiam que eu não era mais virgem desde os dezessete anos? Ficava me perguntando se eles sabiam que eu mantinha um relacionamento s****l com o tão resguardado noivo? Era tanta baboseira que eu estava achando tudo aquilo hilário. E mais hilário foi ver o vestido de noiva. Eu quase surtei e ainda minha mãe acabou desmaiando ao ver à peça que eu iria me casar. Um vestido na cor vermelha cereja. Eu não queria me casar com aquele pano tão chamativo, porém eu entrei nessa e agora não tinha para onde fugir.
Aceitei ser adornada com flores e joias que mais tarde fui saber que eram emprestadas da minha sogra. Coloquei o vestido com ajuda das virgens presentes e o véu que foi colocado em uma ponta na minha cintura e enrolada em volta do corpo caindo à ponta final sobre o ombro. Todo vestido foi feito das melhores sedas, sendo confeccionado pelo atelier da família do meu noivo. O véu também foi colocado, onde cobria minha cabeça e suas pontas foram colocadas por debaixo dos braços e metidas no restante do vestido. Com toda aquela maquiagem forte. Cabelos tampados pelo véu, e ainda descalça, eu estava pronta. E mais uma vez, minha mãe me pediu para sair fora dessa situação. Mais uma vez ela me disse que meu noivo não prestava. Ele não era o melhor para mim. Eu escutei? Não. Eu estava cega de amor. Me apaixonei perdidamente por ele, que acabei me cegando.
Fui para um local que foi montado exclusivamente para meu casamento e fiquei aguardando até meu futuro marido chegar. E aí mais uma surpresa foi me colocada. Eu teria que sentar afastada do meu futuro marido e só após à aceitação de ambos ao acordo que eu poderia sentar ao seu lado. Não rir na hora para minha sogra não se sentir ofendida com sua crença, mas confesso que tive vontade.
Vi todos os convidados chegando através de um pano quase transparente. Eram homens para um lado e mulheres para outro lado. Nem mesmo os casais poderiam ficar juntos. Não via à hora disso acabar logo. Queria ter meu marido só para mim, coisa que não estávamos podendo desde quando chegamos aqui. Sua família fez questão que mamãe e eu ficássemos em sua casa e meu futuro marido, na casa do irmão casado. Não nos víamos desde então, eu não via à hora de está com ele, de estarmos juntos para o resto da vida. Assim pensava.
O Sacerdote chegou com duas pessoas e me questionou se eu estava satisfeita com o acordo que foi feito entre às partes. Eu não entende, porque Christian e eu não havíamos feito acordo nenhum, e eu não considerava meu casamento um contrato com data de término. Minha futura cunhada, casada com irmão de Christian havia me explicado tudo e então eu somente disse que sim. Logo depois fui levada para me sentar perto de Christian e assim toda à cerimônia começou com o sacerdote fazendo um sermão sobre o casamento. Ele leu o capítulo do corão e deu a benção.
O casamento foi registrado, e assinado por Christian e por duas testemunhas e logo depois por mim. Vi Christian ser levado para o lado das mulheres e oferecer dinheiro e presentes à elas. Se fiquei meio sem saber o que estava acontecendo? Sim. Foi muito estranho, pois à hora que achei que seria beijada, e ouvir eu te amo do meu marido, ele foi levado para um monte de mulheres. Às mulheres mais velhas da família dele o abençoou e eu fiquei lá vendo tudo. Até sentir moedas sendo jogadas sobre mim. Depois disso tudo, eu pensei. Agora era hora de está com meu noivo, mas não. Fui levada para um ambiente cheio de mulheres para fazer à refeição. Foi servido um jantar separado. Fiquei sabendo mais tarde que à família do noivo festeja a parte.
Logo após o jantar fui colocada para sentar com Christian. Agradeci aos céus, mas não podíamos nos ver. Fomos colocados de costas um para o outro. E um grande lenço foi usado para cobrir nossas cabeças enquanto o sacerdote e nós fazíamos uma oração. O Corão foi mantido no nosso meio e foi somente permitido ver meu marido através do reflexo do espelho. Vi diversos doces e frutos secos serem servidos aos convidados.
Eu achei que tudo aquilo estava no fim, mas o cômico da situação foi eu não ter passado à primeira noite de casado com meu marido. Fomos para sua casa e dormimos em quarto separados, até no outro dia eu poder ir com ele para uma casa que foi presenteada à nós pelos seus pais. Porém, o que os pais dele não sabiam é que nós não morariamos em Marrocos, muito menos perto da casa deles. Christian não tinha explicado para eles que eu tinha uma vida nos Estados Unidos. Ele não havia explicado que nossa vida séria em Seattle. Claro que seus pais foram contra, e quando souberam que eu trabalhava, ficaram chocados como se fosse crime uma mulher trabalhar. Minha mãe que ficou até à gente vir embora, ficou falando na minha cabeça o tempo todo. Não entendia o motivo de ter me casado lá e não nos Estados Unidos. Mas eu sabia o motivo. Sabia que conforme à tradição de Christian ele tinha que casar dentro da sua lei para não ser deserdado ou algo do tipo. Não me interessava nada disso. Eu só queria passar o resto da vida com o homem que escolhi para mim, mas nem tudo que à gente deseja acontece.
- Sra Grey. O advogado à minha frente me faz voltar à triste realidade da minha vida. Olho para ele. O Sr Grey não vai aparecer. Assinto em desgosto. Mais uma vez. Pela terceira vez seguida tento assinar essa merda de divórcio e ele não aparece. Nunca está em Seattle para fazê-lo e quando estar prefere me fazer pagar de palhaça.
- Podemos entrar com litigioso? Indaguei em desgosto.
- Isso pode demorar anos. Se ele não compareci aqui, que é uma audiência simples, ele fará pior no litigioso. Suspiro firme.
- O que podemos fazer então? Ele também fica pensativo.
- Posso tentar conversar com ele.
- Faça o seu melhor. Me levanto e quando pego minha bolsa à porta se rompe por ele. Pelo meu então marido traidor. Até que enfim. Podemos assinar isso logo? Peço com raiva dele. O mesmo se senta e me olha sorrindo. Nem advogado o miserável trouxe.
- Dr, me diz como é feito o divórcio em Marrocos. Ele pede olhando para mim.
- Não há divórcio em Marrocos. Pelas leis de lá, à mulher se ela pede o divórcio, ela pode se colocar em exílio para o resto da vida sendo rechaçada.
- O que você quer com isso Grey? Indaguei com mais raiva. Ele se levanta parecendo não abalado.
- Quero que viajemos para Marrocos e você faça seu pedido lá. Eu não me casei com você sob as leis daqui, então aqui eles não tem como realizar nosso divórcio. Olho para meu advogado.
- Não temos mesmo Sra Grey. Não podemos nos interferir nas leis de Marrocos. Se à Sra tivesse me dito que havia se casado lá, eu já tinha lhe dito isso.
- O Dr está de brincadeira? Pedi não acreditando nisso.
- Não estou. À Sra terá que ir aos tribunais de Marrocos para pedir o divórcio, mas terá que ter uma justificativa plausível.
- Traição não é um motivo plausível? Questionei e Christian não se abalou com minha pergunta. Cínico.
- À tradição lá é que os homens podem se casar com quantas mulheres ele puder sustentar. Não há traição.
- Merda. Christian se levanta.
- Esclarecido os fatos. Chega de marcar essas audiência sem fundamento. Nós não vamos nos separar, nem aqui e nem em Marrocos. Ele ia saindo e antes olhou para mim. Te dou duas horas para você e suas coisas estarem na nossa casa, você não vai gostar se eu tiver que te buscar onde for. Ele fala e sai. Minha vida estava virada de cabeça para baixo. Eu estava sendo obrigada à me manter casada com um homem que me jurou amor e do nada se interessou por outra. Por um homem que esfregou na minha cara e de toda sociedade seu relacionamento extraconjugal. Como poderei sair dessa? Como vou me livrar desse casamento?