Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Luana
— Não fique de moleza, seja rápida! Não seja inútil! Lave esses pratos corretamente, corte os temperos... (blá blá blá...) — "Carlos é um pé no saco!" penso ao revirar os olhos.
— Se ele vê você revirar os olhos, te demite — Maria sussurra ao meu ouvido.
— Que seja! Ele é um carrasco e se acha a autoridade maior, só porque é o gerente do restaurante!
Falo isso bem alto, para ele ouvir. Já tem seis meses que trabalho no melhor restaurante da cidade, La Italy. Carlos é o gerente, e acha que é a autoridade maior. Sou copeira e adoro trabalhar aqui... Adorava. Desde que Carlos assumiu a gerência, tem transformado a vida dos funcionários em um inferno diário!
— Você não tem jeito!— Maria ri.
Volto em direção à pia. Hoje é sexta, e o movimento começou cedo. Estou com uma montanha de pratos e talheres para lavar!
— Nossa, Lu, acabei de ver um "gato" falando com Carlos! — Samira falou ao colocar mais uma pilha de pratos na pia.
— Sério!? — zombo.
— Até você ficaria babando por ele! — Irritada, volta para o salão.
Na hora do intervalo, pego minha marmita e vou para a sala dos funcionários. Aproveito para ler mais um capítulo do livro "Procura-se Um Marido".
— AI, MEU DEUS! — uma garota ruiva grita ao sentar ao meu lado.
— O que foi? — pergunto, sem entender nada.
— Você está lendo "Procura-se Um Marido", da Carina Rissi!
- Sim. E daí?
- Só posso deduzir que você seja uma fã. E, adivinha? Eu também sou. - Sorri de orelha a orelha.
- E você deduziu isso só porque estou lendo o livro?
- Sim. Sou Kate. E você?
- Luana.
Voltei para o meu almoço, mais ela continuou olhando pra mim com um sorriso bobo.
- Quer almoçar comigo? - pergunto. Não suporto comer e ver as pessoas me olhando.
- Você está me convidando para comer com você??? Que tudo! É claro que aceito! Já volto. - E saiu correndo. Garota maluca!
Minha paz durou um pouco menos de cinco minutos. Ela voltou com um prato na mão e se sentou ao meu lado.
- Bona apetit.
- Qual o livro da Carina é seu favorito?- pergunta, antes de começar a comer uma porção da lasanha.
- "Perdida".
- O meu também. Que demais! - fala, depois de engolir.
- Legal - falo, sem dar importância.
Minha marmita ainda está pela metade. Não sou cheia de frescura, costumo comer qualquer gororoba; mas quando estou lendo, esqueço de tudo.
Kate continua a falar sem fazer pausa. A garota é um papagaio!
Desisto de ler e termino meu almoço.
- Acabei de mudar para a cidade, não tenho amigos e não conheço nada. Poderíamos marcar uma saideira ou você poderia passar o dia comigo em casa. Vai ser demais! - a garota continua a falar sem parar. - Quando é sua folga? - Que garota maluca! Agindo como se já fossemos grandes amigas!
- Segunda, porém, vou trabalhar nessa. Sinto muito - minto.
- Por quê?
- Porque eu... - O que dizer? - Troquei o dia de folga com uma amiga.
- Sério? Que pena! - fala, num tom triste. Gente, m*l conheço essa garota, e ela já acredita que somos amigas! Que doida!
- Desculpa, mais meu intervalo acabou - aviso.
Levanto-me, alongo o corpo e dou um "tchau'.
- Espera, me dá seu número. Assim, marcamos alguma coisa - pede.
Eu deveria cortar as asinhas dessa garota esquisita, mas por algum motivo, não pude. Talvez os olhos desesperados e cheios de expectativas, por ter alguém a quem recorrer num lugar desconhecido. Há dois anos moro em Belém, e sei bem como é essa sensação. Porém, sempre tive facilidade de fazer amizades. Peço o celular dela e digito o meu número.
***
O expediente finalmente chegou ao fim. O i****a do Carlos recusou-se mais uma vez a chamar um técnico para consertar a lava-louças.
- Por que gastar dinheiro com algo que vocês são pagos para fazer? - questionou, todo pomposo. Babaca, i****a!
- Vem, Lu. Carlos está chamando para uma reunião de pessoal - Carl avisa. Sigo logo atrás dele.
- O que esse i*****l vai fazer agora? Diminuir nosso salário? - Paulo reclama, bem atrás de mim.
Ao lado do velho está um homem alto, de porte atlético, que usa terno e gravata cinza. Cabelo cor da noite, olhos (cor) de âmbar... Um homem sexy e elegante.
- Um deus grego! - Maria exclama, ao meu lado.
- Um pedaço do céu na terra - Samira fala, cheia de malícia.
- Vocês são duas taradas - Carl fala, bem atrás de mim. Carlos olha para o homem, que assente com a cabeça.
- Bom, reuni vocês aqui para lhes dar duas notícias. Primeiro: o restaurante foi vendido. - Começou um alvoroço no refeitório.
- Acalmem-se, não terminei de falar. Este Senhor ao meu lado é o novo dono do restaurante, e ele deseja falar algumas palavrinhas com vocês. - O garanhão dá um passo à frente e olha atentamente para cada funcionário.
- Boa noite. - ''Que voz!'' - Sou Logan Wayne. Não se preocupem com o emprego de vocês - ele garante. - Não vou vender o resto, apenas melhorá-lo e ampliá-lo, fazer melhorias e, claro, qualificá-los ainda mais. Tenho certeza que Carlos vai continuar fazendo uma boa gestão e... - Essa foi demais pra mim!
- Boa gestão? - Droga, eu tinha que abrir a boca!
- Sim - o Senhor Wayne retruca. Droga, chamei a atenção do chefe e de todos pra mim!
- Não ligue para ela, é uma péssima copeira - Carlos fala, me lançando aquele olhar de "você está muito ferrada na minha mão".
- Sou péssima no que faço? - Sou sarcástica. - Tenta passar o dia lavando louça sem parar e sem quebrar uma única peça. O Senhor Wayne me olha com expressão curiosa.
- E a lava-louças serve pra quê? - Ele está falando comigo? Maria, me belisca, pra ver se eu calo a boca!
- Está quebrada há apenas dois dias - Carlos mente.
- Mentiroso, está quebrada há quase cinco meses. Ele não quis consertar a máquina - falo, sem pausa -, pois, não há necessidade de uma máquina fazer o serviço, porque nós somos pagos para fazer - concluo.
Wayne volta o olhar para Carlos, que está furioso com meu ato de rebeldia.
- Acabamos aqui. Estão dispensados. Podem chegar uma hora mais tarde, já que excedemos o fim do expediente. Boa noite. - Então ele falou algo ao ouvido do Carlos, que foi atrás do homem assim que saiu.
- Você enlouqueceu?? - Carl perguntou.
- Quer ficar desempregada!? - Maria estava em pânico. - Você deu o motivo que ele estava procurando para te demitir!
- Bom, se ele me demitir, não posso fazer nada. Vou pegar minha mochila. Me esperem.
Fui ao vestiário e peguei a bolsa. Ao voltar, turma me esperava na entrada do restaurante.
- Senhorita? - um homem fala ao pegar meu braço. Hum? Ele é bem bonito. Cabelo castanho, penteado para trás; pele branca; olhos verdes...
- Sim - respondo, com certa sensualidade na voz.
- O Senhor Wayne solicita sua presença mais cedo amanhã. Ele deseja falar-lhe. Venha no horário habitual, sim?
- Sim. - Ele soltou meu braço e saiu.
- O que foi isso? - perguntou Carl.
- Vou ser demitida. É uma pena, gostava de trabalhar aqui. Vamos?
- Você é louca!
Dou uma gargalhada escandalosa.
- Prazer; meu nome é "Luana", e "Louca" é meu sobrenome.