Capítulo 02

1263 Palavras
Bomba narrando — qual foi mana, resolve essa p***a, eu tô voltando, e na hora que eu voltar eu mesmo vou direto nesse cuzao desse governador, ele esqueceu quem eu sou ? Ta de peso na minha caminhada ? — eu falo puto fumando um baseado — eu quero ver ele demolir um tijolo da minha favela, nem se ele entrar pessoalmente, nem se ele entrar em sonho, eu quebro ele, quero ver esse comédia entrar na minha, eu já sei porque ele tá puto, deixa que eu resolvo essa p***a do meu jeito — eu falo no telefone com a minha irmã e eu tava cheio de ódio dessa p***a Governador sempre foi meu aliado, mas digamos que eu errei, fui moleque, comi a mulher do cara, e a irmã também, mas foram em ocasiões diferentes. Não tenho culpa po, maluco vivia na mancada, mulher dele chegou aqui na favela pra trazer uma grana que ele mandou, veio com papinho de mulher carente, ele tinha assumido ela e eu não sabia, porque até então ela era mais uma das putas que ele tinha, então eu não tive culpa mesmo, se o cara decidiu assumir garota de programa, eu taquei o piru mesmo, nem pensei nas consequências não, ele vivia no erro com todas, a fiel dele de anos mesmo eu nem sabia que tinha rodado da mão dele, quando vi já tinha comido e poucas ideia. A irmã dele é uma vagabunda, apaixonada por mim, vive atrás de mim aqui na favela, vem em todo baile, todo jogo, todo dia se deixar ela tá aqui desesperada pra eu comer ela, e eu quando quero como mesmo, tô nem aí eu não tenho laço com ninguém. Nunca dona nenhuma domou meu coração, aliás, acho que nem tenho essa p***a. Se não fosse minha irmã eu diria com todas as letras que eu não tenho apego por ninguém nesse mundo. Mas só ela e o meu consagrado que eu tenho consideração mesmo se ligou, porque de resto por mim pode entrar um no cu do outro que eu não to nem aí. Eu sou o que sou porque eu me criei na raça, no fogo, e no tiro. Meu pai era um cuzao que eu matei, e minha mãe uma burra que preferiu me culpar pelo o que eu fiz e largar eu e minha irmã do que viver com nós. Nós tinha uma vida boa tá ligado, estável, tinha os bagulho em casa, tudo na maior paz, só que um dia eu cheguei em casa e o cuzao tava olhando minha irmã no banho, eu na mesma hora nem pensei que era meu pai, meu sangue, eu só pensei em proteger a minha irmã, eu só fui na cozinha correndo e dei sete facadas no peito do desgraçado. Minha mãe falou que eu não poderia ter feito aquilo, e eu ia fazer o que ? Deixar o cuzao ficar de olho na minha irmã até o pior acontecer ? Gosto nem de lembrar, nem de imaginar. E eu não me arrependo do que fiz, eu faria de novo quantas vezes fossem necessárias. Eu na época tinha 12 anos, minha irmã tinha 8, eu peguei ela e fui embora pra rua, porque minha mãe ia dar nos dois pros meus avós que eram pessoas completamente maluca, e não viviam na cidade, eu estava assustado, com medo de acontecer algo com a minha irmã. Minha mãe me deu uma surra e quando a polícia chegou eu e minha irmã fugimos enquanto minha mãe dava depoimento me entregando como culpado. O tempo nas ruas não foi fácil, eu fiz muita coisa errada pra sustentar a minha irmã. Nós moramos debaixo do viaduto por meses, eu roubava, quando não conseguia dinheiro pra comprar bala pra vender no sinal, eu não média esforços, minha única preocupação era cuidar da minha irmã e dar comida pra ela mesmo que faltasse pra mim. Isso era a única coisa que me preocupava dia e noite. Quantas vezes eu dormi com fome agarrado nela com medo de acontecer alguma coisa com a gente, com medo de alguém mexer com ela, ou separarem nos dois, minha barriga roncando, nos dois já passou muita fita, e são coisas que eu não me arrependo tá ligado, eu passaria tudo de novo pra deixar a minha irmã bem. Nunca me arrependi de nada do que eu fiz, até o dia que eu não tava conseguindo nada na rua, nem um real, e eu não tive escolha, vi um carro dando mole, uns caras do lado de fora conversando, e eu não sei o que me deu na cabeça, minha irmã tinha chorado a noite toda de fome, eu precisava de dinheiro, a oportunidade estava ali, então eu fiz, eu entrei no carro e saí correndo acelerando num carro chique e eu nem sabia dirigir. Eu passei no viaduto, e busquei minha irmã, eu precisava sumir dali, eu precisava me livrar daquele carro, vender em alguma favela, algum desmanche e sumir, eu não tinha escolha, eu já tinha feito a merda, eu nunca tinha metido um assalto tão grande quanto esse na minha vida, mas eu fiz, na cara e na coragem, eu fui. Só que o que eu não esperava era que quando eu tivesse pegando a minha irma debaixo do viaduto iam chegar vários carros me cercando de todos os lados. Eu lembro como se fosse hoje eu gritava pra minha irmã se esconder, pra não deixar ninguém encostar nela, mas pegaram nos dois, jogaram dentro do carro e eu jurei que fossem me matar, eles foram fazendo maior terror psicológico comigo até chegar numa favela que eu não fazia ideia de qual era, e eu só protegia a minha irmã, não deixava ninguém tocar nela, meu instinto gritava e eu cobria ela mesmo com o meu corpo magro e pequeno. Esse dia foi uma treva, eu não deitei pros caras, mas eu também estava morrendo de medo. Quando chegamos na favela, nos levaram pra uma casa tipo abandonada, com vários pneus pegando fogo na frente e lá de dentro saiu um cara muito sinistro cheio de ouro no pescoço e nos dentes, um cara muito esquisito, que já me olhou puto — quem é esse moleque ? Tira esses porrinha daqui — ele falou puto acendendo um charuto e eu nunca me esqueço desse dia — esse é o filho da p**a que roubou teu carro, chefe — o cara que me cercou no viaduto me joga na frente do chefe e eu não soltava da minha irmã O cara parou analisando eu e minha irmã e eu encarava ele nos olhos, sem medo, protegendo a minha irmã com tudo, mas sem desviar os olhos dele — tu já comeu, moleque ? — ele me questiona soprando a fumaça pro lado e a partir desse dia a minha vida mudou completamente… Aquele homem mudou a minha vida e da minha irmã, ele cuidou de nós, ele nos protegeu, ele nos deu um lar, casa, comida, roupa lavada, estudo, ele passou por algo parecido que eu, mas ele sentiu na pele, ele fez o mesmo que eu fiz com o meu pai, e por isso nos acolheu, porque quando eu tentei fugir de novo com a minha irmã, com medo dele fazer algo com ela, ele me cercou e me fez contar tudo pra ele, e levou tempo, mas eu confiei naquele homem que só nos amou, até o dia que ele se foi, e sem dúvidas foi o pior dia da minha vida Continua…
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