Uma morte repentina

922 Palavras
O vento cortava o ar com uma força inusitada, como se o clima fosse um reflexo do que estava acontecendo dentro de mim. Eu passei o dia em casa, tentando me acostumar com tudo, mas a sensação de inquietação não me deixou em paz. Algo estava errado, e eu sabia disso. Eu ainda não sabia o que era exatamente, mas o bairro, a cidade e até mesmo as pessoas ao meu redor pareciam esconder segredos que eu não estava pronta para enfrentar. Era fim de tarde quando ouvi gritos vindos da casa ao lado. O som era agudo e carregado de dor, e imediatamente meu coração apertou. Fui até a janela e vi Emily saindo da porta, com os olhos vermelhos e o rosto molhado de lágrimas. Ela estava segurando o casaco com força, como se estivesse tentando se manter de pé, mas a dor era tão grande que era difícil esconder. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas o desespero em seus olhos era palpável. Sem pensar, saí correndo pela porta, atravessando a rua até o jardim de Emily. Quando cheguei perto dela, vi o que estava acontecendo. Luke estava na frente da casa, com os ombros curvados e uma expressão distante, como se estivesse em choque. Mas o que me fez parar de respirar foi o que ele estava carregando. O corpo de Rex estava inerte, seus olhos vidrados e sua língua pendendo para fora. O cachorro, que antes parecia tão vigoroso e forte, agora estava sem vida, e a cena era desoladora. Luke, com um semblante sombrio, segurava o cachorro com cuidado, mas não parecia surpreso. Era como se ele já soubesse o que iria acontecer. Emily, ao me ver, soluçou mais alto e caiu de joelhos no chão, chorando sem parar. — Ele está... ele está morto! — ela gritou entre os soluços, as palavras cortadas pela dor. — Rex! Meu Deus, por quê? Como isso aconteceu? Eu fiquei ali, parada, sem saber o que dizer. Não entendia como o cachorro podia ter morrido assim, tão repentinamente. A única coisa que eu sabia era que algo estava errado. Algo muito errado. E eu começava a temer que Alex, o irmão de Emily, estivesse de alguma forma envolvido na morte de Rex. Havia algo naquela família que eu ainda não conseguia entender. Luke, ainda com o corpo do cachorro nos braços, olhou para mim. Seus olhos, normalmente calmos e controlados, agora estavam cheios de uma emoção fria. Ele não disse nada, apenas deu um leve aceno, como se estivesse me reconhecendo, mas não estivesse pronto para compartilhar o que realmente estava acontecendo. Ele não parecia surpreso, não parecia sentir a dor que Emily estava demonstrando. A expressão dele era vazia, distante. — Não sei o que aconteceu... — Emily soluçou, olhando para o irmão com uma expressão de confusão e raiva. — Ele estava bem ontem... Ele estava brincando no jardim e agora... agora ele está morto! Luke colocou o corpo de Rex delicadamente no chão, mas não se aproximou de Emily. Ele ficou ali, observando a cena com uma calma assustadora, como se aquilo fosse algo que ele já esperava. Eu tentei falar algo, mas a tensão no ar me impediu. Algo me dizia que Luke sabia mais do que estava dizendo. Ele não parecia surpreso, não parecia chocado. Ele estava... controlado demais. O silêncio que se seguiu foi opressor. Emily continuou a chorar, mas Luke apenas ficou em pé, com a cabeça baixa, observando o cadáver de Rex. Eu me senti estranha ali, como uma intrusa, sem saber como agir ou o que dizer. Mas uma coisa estava clara em minha mente: algo estava profundamente errado. E eu tinha a sensação de que a morte de Rex não foi um acidente. Olhei para Luke mais uma vez. Algo nos seus olhos me incomodava. Havia um vazio ali, uma ausência, como se ele estivesse escondendo algo sombrio. E então, quando ele levantou os olhos para mim, eu vi algo que me fez gelar por dentro. Não era dor, nem preocupação. Era uma frieza assustadora, como se ele já estivesse se acostumado com o horror, como se aquilo fosse uma rotina para ele. Emily, entre soluços, olhou para o irmão e, com uma voz rouca, perguntou: — Luke, você... você sabe o que aconteceu com o Rex? O que aconteceu com ele? Luke não respondeu de imediato. Ele apenas ficou ali, em silêncio, com os olhos fixos no cachorro morto. A tensão aumentava a cada segundo, e eu sentia que algo se aproximava, algo que não seria fácil de ignorar. Por fim, ele respirou fundo e, de forma quase imperceptível, disse: — Ele não estava bem. Mas não foi... algo natural. — Sua voz era baixa, mas o suficiente para que Emily ouvisse. Emily o olhou com raiva, mas não parecia surpresa. Ela sabia que Luke sabia mais do que estava dizendo. Eu, no entanto, não podia ignorar a sensação de que algo muito mais sombrio estava acontecendo aqui. O que realmente havia acontecido com Rex? E por que Luke parecia tão... indiferente? Eu não tinha todas as respostas, mas uma coisa era clara: as coisas não eram o que pareciam naquele lugar. E eu estava começando a entender que a morte de Rex era apenas o começo de algo muito mais macabro. Fiquei ali, com a sensação de que a verdade sobre aquela família e sobre o que estava acontecendo em Ohio estava prestes a ser revelada de uma forma que eu não estava pronta para enfrentar.
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