Compartilhando um possível crime

861 Palavras
O dia passou arrastado, e Megan sentiu cada minuto pesar sobre seus ombros como uma pedra. Desde que viu a notícia do homem desaparecido no noticiário, sua mente não a deixava em paz. Ela tentava ignorar, convencer-se de que tudo não passava de coincidência, mas o pensamento persistia como um sussurro incômodo ao fundo da mente. Quando chegou à faculdade, sentia-se ainda mais ansiosa do que o normal. O campus, sempre movimentado, parecia abafado e sufocante naquela manhã. O cheiro de café barato e livros velhos pairava no ar, misturado às vozes dos alunos que conversavam entre si. Megan atravessou o pátio, procurando alguém que pudesse distrair sua mente daquele turbilhão de pensamentos. Foi então que avistou Laura sentada em um dos bancos próximos ao prédio da biblioteca, mexendo no celular. O cabelo castanho da amiga estava preso em um coque, e uma xícara de café descansava ao seu lado. Megan hesitou por um momento. Não sabia se deveria falar sobre aquilo. E se estivesse exagerando? Mas, ao mesmo tempo, se Luke realmente tivesse algo a ver com aquele desaparecimento, ela não poderia simplesmente ignorar. Respirando fundo, ela se aproximou. — Oi, Laura. — Megan tentou soar casual, mas sua voz saiu hesitante. Laura levantou o olhar e sorriu, batendo no banco ao lado dela. — Ei! Achei que ia chegar atrasada hoje. Você tá com uma cara... sei lá, estranha. Aconteceu alguma coisa? Megan se sentou, apertando as próprias mãos sobre o colo. — Eu preciso te contar algo, mas... você tem que prometer que não vai falar pra ninguém. Laura arqueou a sobrancelha, pegando sua xícara de café antes de responder. — Depende. Se for algo muito sério e eu achar que você tá em perigo, talvez eu tenha que contar pro meu irmão. Megan sentiu um arrepio percorrer sua espinha. O irmão de Laura era investigador, especializado em encontrar foragidos. Aquilo poderia ser útil, mas ela ainda não sabia o que estava acontecendo. Não podia acusar alguém sem provas. — Eu... — Ela olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava ouvindo. — Ontem à noite, eu vi meu vizinho cavando algo no quintal. Laura franziu a testa. — E daí? Talvez fosse só um buraco qualquer. Megan mordeu o lábio inferior. — Hoje de manhã, eu vi no noticiário que um homem desapareceu ontem à noite, mais ou menos no mesmo horário que eu vi meu vizinho cavando a cova. O rosto de Laura ficou sério. — Espera... Você tá achando que ele enterrou o cara desaparecido? Megan passou as mãos pelo rosto, sentindo a insegurança crescer dentro dela. — Eu não sei! Talvez fosse só paranoia. Talvez ele só estivesse enterrando o cachorro da família, que eu não vi mais. Mas... meus vizinhos são estranhos. A Emily e o Luke. Eles vivem brigando, e algo naquela casa me dá calafrios. Laura bebeu um gole do café e ficou em silêncio por um momento. — Ok, me conta tudo desde o começo. Quem são esses seus vizinhos? Megan respirou fundo antes de responder. — A Emily é uma garota meio esnobe, sabe? Desde que cheguei na cidade, ela foi meio estranha comigo. O irmão dela, Luke... Ele é ainda mais misterioso. Meio sombrio, sei lá. Parece que tem sempre algo acontecendo por trás daqueles olhos. — Você já viu ele fazer algo suspeito antes? — Laura perguntou, agora visivelmente intrigada. — Não... mas também nunca senti que ele fosse só um cara comum. Sempre tem um olhar estranho, meio perdido, como se estivesse escondendo algo. Laura suspirou. — Isso não é prova de nada, Megan. Você pode estar vendo coisa onde não tem. Megan sabia que Laura estava certa, mas não conseguia ignorar a sensação r**m. — E se eu estiver certa? E se aquele buraco fosse mesmo pra um corpo? Laura cruzou os braços, pensativa. — Então, você deveria contar para a polícia. — Não posso! — Megan exclamou rápido demais, fazendo algumas pessoas ao redor olharem na direção delas. Ela abaixou o tom de voz. — Eu não tenho provas. Se for só paranoia, vou estar acusando um cara de algo horrível sem motivo. Laura ficou em silêncio por alguns segundos, depois suspirou. — Olha, Megan... Eu entendo seu medo. Mas e se você só estiver assustada por estar em um lugar novo, cercada por gente esquisita? Megan balançou a cabeça. — Pode ser... Mas eu não consigo ignorar essa sensação. Laura pareceu ponderar por um instante, depois disse: — Quer saber? Vou falar com meu irmão. Não como uma denúncia, mas só perguntar o que ele acha dessa coincidência. Megan hesitou. — Eu não sei se isso é uma boa ideia. — Relaxa. Vou só contar como uma história, sem mencionar nomes ou lugares. Só pra ver o que ele diria numa situação assim. Megan não gostava da ideia, mas ao mesmo tempo... talvez fosse a única maneira de obter alguma orientação sem envolver a polícia antes do tempo. — Tá bom... Mas por favor, sem detalhes demais. Laura sorriu. — Confia em mim. Apesar da tentativa de se acalmar, Megan sentiu um arrepio na nuca. Algo lhe dizia que aquilo não terminaria bem.
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