CAPÍTULO 12 — Eu Estava Cego

1385 Palavras

Nicolas A noite tem um silêncio que corta. Não aquele silêncio calmo, de paz. Mas o silêncio que vem depois de uma explosão — o silêncio que sobra quando tudo já foi destruído. Eu caminho pelo meu apartamento como quem anda pelos escombros de si mesmo. A luz da cozinha está apagada; só a luminosidade da cidade entra pelas janelas enormes, lançando sombras quebradas pelo chão. O cheiro de uísque velho ainda paira no ar, misturado ao rastro metálico da culpa. E eu sei que é culpa. Eu n**o, mas sei. E dói. Quando a campainha toca, eu quase não reajo. Só passo a mão pelo rosto, tentando afastar algo que não tem como sair. Symon entra sem pedir permissão. Ele sempre faz isso quando percebe que eu estou pior do que admito. A primeira coisa que vejo é um envelope grosso na mão dele

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