Capítulo 11

1350 Palavras
Dylan Acordo com uma sensação renovada de propósito, o coração acelerado e a mente girando em torno de um único nome: Scarlett. A conexão que compartilhamos há tantos anos ainda arde dentro de mim — intensa, viva, insuportavelmente real. Estou decidida a reacender essa chama. Não importa o tempo ou as cicatrizes, nós ainda existimos. Ou pelo menos... quero acreditar nisso. Enquanto me visto, não consigo parar de pensar em como vou abordar essa conversa. Preciso ser cuidadosa. Não posso presumir que tudo está bem entre nós só porque dormimos juntos. Lembro da maneira como ela hesitou, a cautela cravada nos olhos. Não sei se era sobre mim ou sobre a vida. Mas recordo, com uma pontada de nostalgia, como precisei quebrar suas defesas com charme e paciência no ensino médio. Posso fazer isso de novo. Farei de novo. Movida por essa urgência silenciosa, dirijo até a casa dela, cronometrando para chegar na mesma hora em que ela chegou da escola ontem. Uma filha. O pensamento me corrói. Não consigo evitar a pontada de inveja — do homem que compartilhou com ela algo que deveria ter sido meu. Uma filha que poderia ser nossa. Mas ainda me agarro a um fato incontestável: Scarlett não está feliz. Eu sei que posso consertar isso. Por ela. Por nós. Ainda não conheci a filha dela, mas estou pronto. Quero conhecê-la. Quero tudo. Enquanto dirijo, planejo a conversa. Preciso saber por que ela foi embora. Se fui eu o culpado, encontrarei uma forma de corrigir isso. Direi a ela que nunca deixei de pensar nela, que ela é a única que me fez sentir verdadeiramente vivo. Mas... talvez eu deva ir devagar. Não quero assustá-la. Não quero dar a ela mais um motivo para fugir. Meu coração bate como um tambor quando chego. É como se algo estivesse prestes a mudar, e eu sinto, de forma quase profética, que estou à beira de tudo o que sempre quis — ou do abismo final. Subo correndo os degraus da varanda e bato na porta, repetindo mentalmente cada palavra que ensaiei. A porta se abre apenas uma fresta. A visão dela me paralisa. Scarlett. Mas algo está errado. Muito errado. Ela está usando óculos escuros grandes demais para o momento, e quando inclino o rosto, acho que vejo um hematoma na bochecha. Um alarme ensurdecedor dispara dentro de mim. — Scarlett, o que aconteceu? — pergunto, já empurrando a porta antes que ela possa me impedir. — Nada. Você não pode ficar aqui, Dylan. — Tem alguma coisa errada. — Fecho a porta atrás de mim, os sentidos em alerta. Pego seus óculos, mas ela se afasta com aspereza. — Só... me deixa em paz. — Não consigo. — Tento de novo, agora com mais cuidado. Retiro os óculos escuros devagar, revelando o que ela tentou esconder com maquiagem. O hematoma está ali. Um olho roxo, feio, c***l. — p**a merda... — sussurro. — Foi o seu marido? Meus punhos se fecham por instinto. Se ele fez isso, está morto. Já está morto. — Não. Eu... bebi um pouco de vinho demais ontem à noite. Me senti culpada por ter traído meu marido. Ela está mentindo. Eu vejo. Sinto. Ouço. — Não acredito em você. Ela zomba, com o velho sarcasmo como armadura. — Você sempre achou que o mundo girava ao seu redor. — Não. Eu sempre achei que girava ao redor de você. Por um instante, algo brilha nos olhos dela. Esperança? Arrependimento? Amor? Mas desaparece tão rápido que penso ter imaginado. — O que aconteceu? — pergunto, tocando suavemente sua bochecha. Ela se encolhe ao meu toque. Meu estômago se revira. — Ele fez isso? Ele descobriu sobre nós? — Não existe “nós”, Dylan. Por que você está aqui? Você precisa ir embora. — Ele está aqui? — minha voz ganha um tom ameaçador. — Porque se estiver, eu juro que... — Não. Mas ele é meu marido. O que fizemos foi errado... — Não! — Aponto o dedo para ela, mas ela recua, como se temesse que eu fosse... bater nela. O mundo parece girar fora de controle. — p***a, Scarlett. Eu nunca encostaria um dedo em você. Ela insiste: — Eu estava desfazendo as malas. Um livro caiu da prateleira. Foi só isso. Mentiras. Frágeis e m*l construídas. — Eu posso te ajudar. Deixa eu te tirar daqui... — Não preciso de um cavaleiro de armadura brilhante. Principalmente um como você. Que p***a isso significa? — Que merda, Scarlett? Você não é o tipo de mulher que aceita esse tipo de coisa. — E ainda assim você está aqui. — Eu nunca te machucaria... — Isso é mentira. Você me machucou. — Eu? Seu marido te bateu! p***a, você tem uma filha! — Não me julgue. Patrick é um bom provedor. — E isso dá a ele o direito de te bater? Por que você está defendendo ele? — Eu já te disse. Foi um acidente. Por que você está aqui? Você conseguiu o que queria ontem. — Não, não consegui. O que eu quero é você. Como antes. Você, sua filha. A vida que sonhamos... Ela me empurra com força. O olhar dela agora é de gelo. — Guarda essa, Dylan. Você já provou que não se importa. Por que eu acreditaria em você agora? Sinto as palavras dela como estilhaços no peito. Eu fiz promessas. Eu a amei. Ela foi embora. — Pelo menos, me deixe te ajudar... — Não preciso da sua ajuda. Eu sei cuidar de mim mesma. Eu a encaro, em silêncio. O que tínhamos... está mesmo morto? — O que tínhamos está morto — ela diz, com frieza. — Não. Você pode me mandar embora, mas não pode apagar o que há entre nós. — Sou casada. Tenho uma filha. Minha vida é aqui, com Patrick. Um ciúme cego me toma. — Eu posso te dar tudo. E você ainda escolhe um homem que te machuca? — Você não é melhor. Essas palavras me esmagam. Não há faca mais afiada do que essa. — Scarlett, não faz isso. Ela balança a cabeça, com a voz quase inaudível. — É tarde demais, Dylan. Eu fiz minha escolha há muito tempo. Vá embora. Fique longe de mim. Quero gritar, chorar, implorar. Mas o olhar assombrado dela me paralisa. Ela está com medo. Ela está presa. E está tentando me proteger. Ou se proteger de mim? — Por favor... — minha voz falha. — Deixe-me ajudar. Não posso te deixar aqui assim. Ela mantém a pose, mas a dor transparece sob a superfície. — Você precisa. Eu cometi um erro ao deixar você voltar. Nunca deveria ter cedido. As palavras são como um soco. Luto para respirar. — Não diga isso. — Não quero você na minha vida. Preciso que vá embora. Agora. O tom é definitivo. Não há espaço para discussão. Aceno com a cabeça, esmagado. — Ok. Se é isso que você quer... eu vou. Dou meia-volta, com o coração em pedaços. Mas antes de cruzar a porta, tento uma última vez. — Promete que vai ficar segura? Me liga se precisar... — Não vou. — Ela desvia o olhar. — Só... vai. E não volte. Fico parado por um momento. Esperando que ela diga algo. Qualquer coisa. Mas ela apenas abre a porta. Dou um último olhar para ela. — Eu te amo, Scarlett. Sempre. Vejo a respiração dela falhar. Mas ela não responde. Fecha a porta. Fico parado na varanda, atordoado, tentando entender o que acabou de acontecer. Ela está em apuros. Isso é óbvio. E está me afastando. Negando o que sente, negando a ajuda. Talvez eu precise aceitar que ela não me quer mais. Mas isso não significa que vou desistir. O som da fechadura deslizando me diz que hoje acabou. Mas isso... isso está longe de terminar. Vou protegê-la. Vou encontrar uma forma de tirá-la daqui. Ela e a filha. E farei isso, mesmo que nunca mais me ame. Mesmo que eu não ganhe nada com isso. Porque amar também é lutar no escuro. E eu vou lutar.
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