Pré-visualização gratuita cap 01 eu amo o prazer
CALIFÓRNIA…
SOLANGE
— Solange: Eu não quero ir — engulo o choro.
— Miguel: Engraçado que, pra faltar aula da faculdade e ficar chapada com o Matheus, você quer, né? — meu pai, Miguel, diz debochado.
Meu coração acelera.
— Larissa: Isso é verdade, Sol? — minha mãe, Larissa, pergunta com os olhos arregalados.
As palavras travam na minha garganta. Olho para Clarissa, minha irmã, que estava tão surpresa quanto eu por nosso pai ter descoberto. Baixo a cabeça e as lágrimas começam a cair sem que eu consiga impedir.
— Larissa: Solange, me responde.
A decepção na voz dela aperta ainda mais o meu peito. Respiro fundo e a encaro.
— Solange: É verdade, mãe… — balbucio.
Minha mãe desvia o olhar para o meu pai, preocupada.
— Larissa: Miguel, por favor… vamos pensar em outro castigo pra Solange.
Meu pai balança a cabeça, incrédulo com o que ouviu.
— Miguel: Já está decidido, Larissa. A passagem já está comprada. Ela parte domingo de manhã.
— Solange: Pai, por favor, não faz isso comigo! — imploro, chorando. — Eu prometo que vou mudar, mas não me manda para o Brasil…
— Miguel: Eu tenho vergonha de ser seu pai, Solange. Você é uma vergonha pra essa família. Não sabe como é ouvir por aí: “a filha do Miguel Aguirre é uma drogada”. As pessoas me olham com reprovação… um homem da minha posição permitir que isso aconteça…
— Larissa: Querido, não fala…
— Miguel: CHEGA, LARISSA! — ele grita. — Pare de passar a mão na cabeça dessa menina irresponsável! Ela vai para o Brasil e ponto final. E lá as coisas não serão tão fáceis quanto aqui, Solange. Você vai ter que ralar — e muito — pra ter o que quiser.
Ele sobe as escadas, me deixando ali, completamente desnorteada.
Eu decepcionei minha mãe. Decepcionei minha irmã. E, como consequência dos meus atos, agora vou ficar longe delas por tempo indeterminado. Meu pai não volta atrás — isso é fato.
Minha vida vai virar de cabeça pra baixo assim que eu colocar os pés no Brasil. Isso me assusta profundamente. Eu não sei o que me espera… e não sei se realmente vou conseguir mudar meu jeito rebelde.
(...)
— Clarissa: Eu não quero que você vá embora — ela choraminga, fazendo meu coração apertar.
— Solange: Eu também não quero ir, pirralha — suspiro. — Mas essa é a consequência dos meus atos.
— Clarissa: Você já falou com seu namorado zé-droguinha?
— Solange: Ele não é meu namorado — reviro os olhos.
— Clarissa: Mas zé-droguinha ele é — ela ri. — E você tem que contar pra ele, Sol. Ele pode ter defeitos — muitos — mas merece saber que você tá indo embora.
— Emma: Sua irmã tá certa, Sol — diz Emma, minha melhor amiga.
— Solange: E eu vou ver ele como? Tô sem meu carro, e se alguém pega o Matthew na esquina de casa que seja, eu fico presa no Brasil pro resto da vida — bufo irritada.
— Emma: Vai com o meu! — ela joga as chaves na minha direção.
Franzo o cenho.
— Solange: Vocês duas me incentivando a quebrar regras? Essa é nova pra mim.
— Clarissa: Ah, qual é, Sol. Você sempre quebrou regras. Quebrar uma última antes de ir pro Brasil não vai matar ninguém.
Eu suspiro.
— Solange: Ele vai surtar…
(...)
Depois de trocar algumas mensagens com Matheus, respiro fundo, saio do carro e entro na casa dele. O cheiro de maconha impregna o ar inteiro. Suspiro, lembrando que isso não fará mais parte da minha rotina.
— Matheus: Oi, sumida — ele sorri ao me ver na porta do quarto. — Vem cá, fumar um comigo.
Eu sorrio e me aproximo. Pego o cigarro de maconha da mão dele e trago.
Depois de um tempo, digo:
— Solange: Eu tô indo embora, Matthew. Sem previsão de volta.
Ele me encara, sério.
— Matheus: Seu pai descobriu, né?
Eu concordo.
— Solange: Viajo depois de amanhã.
Os olhos dele se enchem de lágrimas.
— Solange: Ei… não chora, por favor.
— Matheus: Eu te amo, Solange… — ele confessa, se aproximando.
Eu permaneço em silêncio.
Ele espera uma resposta que ele sabe que nunca vai vir. No fundo, ele sabe que não sinto o mesmo. Eu não sabia o que dizer, então simplesmente o puxei pela nuca e selei nossos lábios em um beijo selvagem.
Eu não o amo.
Eu amo o prazer que ele me dá.
Amor não é pra mim. Talvez nem exista.