* Bia narrando *
Dizer que as coisas ficaram estranha enquanto faziam a travessia da floresta era eufemismo, o clima estava pesado, voltaram para o padrão pós beijo, já haviam passado alguns dias sem conversar, o silencio a estava sufocando, a única coisa que ela ouviu nos últimos dias foram o cantar dos pássaros, o vento, a correnteza quando passavam a beira de um rio, para muitos seria o paraíso, mas era tortura principalmente quando tudo que ela queria fazer era gritar, brigar com o mundo de novo, de novo, e de novo, sua mente estava um turbilhão mas o que a consumia ainda era a raiva, uma raiva indescritível ela estava começando a pensar que talvez Gaia estivesse certa e a maldição controlava os sentimentos, mas se essa era a verdade então... Não ela não poderia pensar nisso, senão passaria a desconfiar ate mesmo de sua sombra, embora isso fosse logico... não pense, não pense nisso Bia.
- ei vamos parar um pouco, eu estou cansada.
- vamos andar ate a noite assim cobrimos uma área maior e somente talvez não chegaremos atrasados no local.
- pode ser, mas vamos fazer um jogo de perguntas ou esse silencio vai me m***r.
Ele me olha como se estivesse analisando as possíveis complicações nesse jogo, um tempo depois ele cede, acho que não era só eu que estava odiando o silencio.
- Você começa.
- Qual a sua cor favorita?
- vermelha e a sua?
- azul.
- Previsível. - digo com ironia ele me olha e responde:
- Só eu, qual o seu lugar favorito?
- para dizer a verdade eu não sei, estive em muitos lugares, mas eu só estava lá, era apenas isso e nada de mais. Se você pudesse escolher um lugar no mundo para ficar sem poder sair, onde seria?
Ele pensou um pouco ate falar novamente:
- Há um lugar na base de uma montanha, em uma caverna ela é gelada, mas há um lago azul cristalino, tudo que você imaginar cresce nesse lugar, as vezes eu fugia para lá. Esse lugar me traz paz é uma sensação maravilhosa, o ar de lá parece ser vivo, eu sei lá.
Ele se calou, provavelmente pensando em algo para perguntar, e eu sabia por que, nossas perguntas tinham limites, tinham que ter, se entrássemos no âmbito crença e família, provavelmente acabaríamos brigando, quando achei que ele fosse me perguntar algo esse diz:
- gostaria que um dia você o conhecesse.
Olho para ele sem saber o que fazer ou falar apenas o sigo por mais um tempo ate quase escurecer, quando paramos para descansar, ele sai atrás de madeira e eu de comida, improvisamos uma espécie de acampamento, ele acende o fogo mas fica longe como se estivesse com medo, eu não falo nada e termino de fazer nossa comida com peixe, folhas e frutos. Nos posicionamos em volta fogueira, novamente ele fica bem afastado dessa, comemos, quando eu resolvo dizer:
- Chega mais perto ou vai ficar com frio.
Ele se aproxima com receio.
Vejo que ele não vai falar nada, mas sei por que ele tem medo, o pai dele foi morto por fogo, devem tê-lo ensinando-o a odiá-lo. Penso em algo que talvez possa funcionar.
- Confia em mim Endrew? - pergunto
- sim - ele responde com receio.
- Então me da a sua mão.
Estendo a minha em sua direção esperando uma reposta, ele levanta a sua e coloca-a sobre minha, eu a aproximo do fogo com cuidado, pois, apesar de eu ter, ele não tem resistência ao fogo. chego perto o suficiente para sentir o calor, seus olhos estão fechados e bem apertados, depois de um tempo retiro sua mão de lá. esperava qualquer coisa quando ele abrisse os olhos, desde raiva ate medo, mas o que eu vi me surpreendeu: vi desejo e luxúria.
- Bia - ele falou meu nome com a voz embargada e a minha pele se arrepiou. não falei nada pois além de estar sem palavras, sabia que iria falar besteira, ele parece ter entendido isso pois se aproximou e colocou seus lábios nos meus. Sua boca brigando com a minha, sua língua explorando, assim foi por um tempo ate ele descer a boca ate meu pescoço meu corpo ardeu, pressionou mais a mão em meu corpo, buscava, explorava, desejava, e eu fazia o mesmo, queria parar naquele momento, naquele sentimento para sempre, era tudo intenso, mas eu estava em paz, sua não foi para baixo de minha blusa, quando encostou em minha pele ela queimo e eu percebi que pela segunda vez nossos poderes estavam sendo despertado em lugar que bloqueia magia, despertados por puro desejo, eles brincavam, se atiçavam e nós, bem, eu pelo menos achava que iria explodir, e se isso acontecesse eu sabia de quem era a culpa.
Acordei no outro dia, estava tranquila, pela primeira vez em muito tempo minha noite de sono havia sido perfeita, sem pesadelos, sem morte ou desespero eu apenas dormi, um sono profundo e tranquilo. Ele ao meu lado pareceu acordar, ao abrir os olhos notei que as olheiras de cansaço e perda de sono haviam sumido de seus olhos, eu não fui a única que dormi bem.
Ele meio envergonhado diz:
- ontem eu....
o interrompi:
- Ontem nos nos divertimos, queríamos aquilo, precisamos, por que apesar de tudo era apenas nos.
ele me olha com um questionamento transparente em suas feições. Algo que eu venho evitando, uma pergunta que faz minhas próprias inseguranças aumentarem.
- Endrew não.
Ele mantem o mesmo olhar, faz a minha força de vontade balançar e finalmente aceito a verdade ou parte dela, mas naquele momento era a única coisa que eu era capaz de admitir.
- Euu... uhh.. não sei, nem faço ideia.
Nos vestimos, limpamos os vestígios do acampamento como sempre fazíamos, e seguimos em frente, ambos querendo limpar a mente, ambos falhando. Caminhamos ate um ponto onde avistamos o final da floresta.
* narrador *
No final da floresta uma figura de capuz esperava ansioso pela saída do casal, temendo o que havia acontecido em sua ausência, mas decidido a passar a historia a limpo.