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Um acordo de fachada

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Sinopse

As regras eram claras. O desejo não.Para o mundo, eles são o casal perfeito. Um romance de capa de revista, jantares elegantes e sorrisos milimetricamente calculados para as câmeras. Mas, por trás das portas fechadas, a realidade é completamente outra: tudo não passa de uma farsa.Pressionados pelas circunstâncias e por conveniências que nenhum dos dois podia ignorar, eles aceitam assinar Um Acordo de Fachada. A regra principal do contrato era simples: manter o profissionalismo e jamais misturar negócios com sentimentos. Afinal, a linha que separava o desdém mútuo que sentiam um pelo outro parecia segura o suficiente.O que eles não previram é que a convivência forçada transformaria faíscas de irritação em uma tensão incontrolável. Entre olhares públicos fingidos e provocações privadas bem reais, a farsa começa a desmoronar. Quando o ódio dá lugar a uma paixão avassaladora, eles se veem presos no próprio jogo.Até onde você iria para manter uma mentira quando o seu coração já descobriu a verdade?

Breno Sanches é a personificação do sucesso implacável. Jovem, obstinado e bilionário, ele comanda a expansão internacional de seu império com punhos de ferro. No entanto, para conquistar novos mercados e consolidar seu poder, Breno precisa projetar uma imagem de estabilidade e um relacionamento sólido para acalmar os investidores mais tradicionais e a mídia implacável. Sem tempo — e nenhuma paciência — para o amor, ele decide resolver o problema de forma estritamente corporativa: ele precisa encontrar a estagiária perfeita para a sua nova divisão e que, sob termos muito bem remunerados, aceite fingir ser a sua namorada.

Do outro lado da mesa está Isadora Fontes. Determinada, orgulhosa e vinda de uma realidade onde tudo precisa ser conquistado com o dobro de esforço, ela finalmente consegue a oportunidade de sua vida: o estágio na maior empresa do país. Isadora entrou ali disposta a tudo para provar seu valor e crescer na carreira, mas ela não contava que seu chefe direto seria o homem mais exigente — e perturbadoramente atraente — que já conheceu.

O choque de realidades é imediato. Isadora não se curva ao temperamento controlador do CEO, e a eficiência dela o fascina. Quando a pressão dos acionistas atinge o limite, Breno faz a proposta que muda o rumo do jogo: um contrato confidencial com regras rígidas. Sem toque físico desnecessário, sem perguntas sobre a vida pessoal e, acima de tudo, sem sentimentos.

Em troca, Isadora só precisa vestir vestidos de gala, acompanhá-lo a jantares de luxo e fingir ser a mulher apaixonada ao seu lado.

O problema é que o teatro exige i********e. Sob os holofotes da alta sociedade e atrás das portas fechadas, a fachada começa a trincar. A farsa se torna perigosamente real, e o calor dos toques ensaiados acende uma faísca incontrolável. Os anos podem passar e os mundos deles podem ser opostos, mas quando o desejo explode, não há cláusula contratual capaz de conter o que é real.

Eles começaram jogando um jogo de aparências, do ódio à paixão, mas agora o preço para manter a mentira pode ser o próprio coração.

As regras eram claras. O desejo não.

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CAPÍTULO 1: O Impacto do Destino
CAPÍTULO 1: O Impacto do Destino ​— Se você passar mais cinco minutos arrastando esse dedo pela tela do celular, eu juro que desinstalo todas as suas redes sociais! — a voz de Theodora ecoou da cozinha, interrompendo o silêncio do apartamento de classe média que as duas dividiam. ​Theodora era a definição da pessoa com a vida resolvida: casada, estabilizada, com a planilha do mês impecavelmente organizada. Um contraste doloroso para Isadora Fontes, que olhava para o próprio diploma universitário recém-impresso na parede da sala com uma mistura de orgulho e desespero. ​— Eu estou procurando emprego, Theo! — Isadora gritou de volta, jogada no sofá. — Mas o mercado de trabalho exige cinco anos de experiência para quem acabou de se formar. O que eles querem? Que eu tenha começado a estagiar no jardim de infância? ​— Quem quer dá um jeito, Isa. Você terminou a faculdade, agora precisa de foco. Vai aparecer alguma coisa. ​Isadora bufou, voltando a rolar o feed do i********:. Ela já estava quase desistindo por aquele dia quando um post patrocinado, com letras douradas e uma estética corporativa agressiva, saltou diante de seus olhos. Ela piscou, achando que era uma piada ou um golpe de internet. ​"PROCESSO SELETIVO EXCLUSIVO: O Grupo Sanches Holding busca uma candidata para vaga de assistente executiva e noiva por contrato. Seleção oficial HOJE, a partir das 15h, na sede da empresa." ​Isadora leu a publicação três vezes. O CEO mais cobiçado, temido e bilionário do país, Breno Sanches, estava literalmente fazendo uma audição pública para encontrar uma noiva de fachada e estagiária. ​— Mas que palhaçada machista é essa? — Isadora murmurou, chocada. ​Ela olhou para o relógio no canto superior do celular. 14:00. ​O coração dela deu um salto que quase a fez engolir a própria língua. Faltava exatamente uma hora. A sede da empresa ficava do outro lado da cidade. ​— Meu Deus do céu! — Isadora deu um pulo do sofá, derrubando a almofada. ​Começou a maratona. Isadora virou um borrão dentro do apartamento. Correu para o banheiro em um ritmo frenético — o banho mais rápido da história da humanidade, onde o xampu e o condicionador pareciam uma questão de vida ou morte. Saiu dali direto para o quarto, jogando cremes, fazendo uma hidratação expressa enquanto borrifava perfume no ar e entrava embaixo da névoa cheirosa. Ela precisava parecer uma profissional impecável e, ao mesmo tempo, uma mulher elegante. ​Abriu o guarda-roupa e puxou a sua melhor arma: um vestido midi com espartilho estruturado, que desenhava sua silhueta com extrema elegância sem perder a postura executiva. Sentou-se na cama com o espelho na mão, encaixando as lentes de contato enquanto lutava contra o tempo, aplicando uma maquiagem rápida, mas marcante. ​— Theo, vou pegar seu carro emprestado! — Isadora gritou, enfiando na bolsa uma caneta, um bloco de anotações e a chave do veículo, enquanto lia o edital do contrato que havia baixado em PDF no celular. ​Seus olhos se arregalaram ao ler as cláusulas na tela do aparelho enquanto calçava o salto alto: “A candidata selecionada deverá mudar-se imediatamente para a mansão Sanches por motivos de engajamento midiático...” ​— Morar na mansão dele?! — Isadora exclamou para as paredes, indignada. — Como assim? Que absurdo machista é esse? O homem acha que é o quê, um sultão? ​Ainda processando a audácia daquele bilionário arrogante, Isadora desceu o elevador correndo e entrou no carro da irmã. Ligou o motor e saiu cantando pneu da garagem. ​O trânsito estava um caos absoluto. Para piorar, Isadora cometeu o erro fatal de tentar reler mais uma linha do bendito contrato digital enquanto o trânsito fluía. Seus olhos se fixaram na tela por um segundo. Apenas um segundo. ​Foi o tempo necessário para o sinal à frente fechar e o SUV preto, blindado, reluzente e nitidamente mais caro do que a soma de todos os órgãos do corpo de Isadora, parar bruscamente. ​BOOM! ​O impacto foi seco. A frente do carro da irmã amassou contra a traseira indestrutível do veículo de luxo. Num piscar de olhos, o airbag inflou com um estrondo, enchendo o carro de poeira branca, enquanto o cinto de segurança segurava Isadora pelo peito, salvando-a de voar pelo para-brisa. ​Isadora tossiu, espantando a poeira, o coração batendo na garganta. Ela olhou para o estrago. Pelo menos o carro da Theo tem seguro, pensou, desesperada. ​Olhando para o relógio, o pânico dobrou de tamanho. 14:35. Ela ia se atrasar para a entrevista de emprego mais importante da sua vida profissional. ​Rapidamente, Isadora empurrou o airbag, abriu a porta do carro e saltou no asfalto quente. Ela pegou seu cartão de visitas na bolsa, marchando em direção ao SUV blindado com os vidros totalmente escuros. Ela bateu no vidro do motorista. Ninguém abriu. ​Lá dentro, no banco de trás, o próprio Breno Sanches observava a cena. Ele estava com o cenho franzido, furioso pelo contratempo que atrasaria sua dinâmica secreta. Olhando para a jovem irritada pelo vidro escuro, Breno simplesmente desdenhou. Ele não tinha tempo para aquilo. Com um suspiro de tédio, ele fez um gesto displicente com a mão para o seu motorista, indicando para ignorar a mulher e seguir em frente assim que o trânsito andasse. ​Isadora viu o gesto do homem misterioso através do para-brisa. Aquele aceno de mão prepotente, como se ela fosse um inseto incômodo, fez o sangue dela ferver instantaneamente. O espartilho pareceu até apertar mais, movido pelo ódio puro. ​Esquecendo qualquer etiqueta, ela marchou até a porta traseira, segurou a maçaneta e, para a surpresa do motorista e do próprio Breno, a porta não estava travada. Isadora a escancarou. ​— Escuta aqui, seu projeto de ditador enlatado! — Isadora disparou, inclinando-se para dentro do carro luxuoso, apontando o dedo na cara do homem de terno sob medida, sem fazer a menor ideia de quem ele era. — Quem você pensa que é para fazer esse gesto de mãozinho nojento para mim? Eu sei que eu errei, eu bati na sua traseira, assumo o meu erro! Aqui está a porcaria do meu cartão, eu vou arcar com cada centavo do prejuízo através do seguro! ​Breno Sanches congelou por um milésimo de segundo, chocado com a audácia. Ninguém, absolutamente ninguém, falava assim com ele. Ele endireitou a postura, os olhos faiscando como duas pedras de gelo. ​— Você tem noção de com quem está falando, sua inconsequente? — Breno sibilou, a voz grave e cortante. — Você quase destruiu o meu carro por pura distração, está me atrasando para um compromisso crucial e ainda tem a audácia de berrar na minha porta? Eu não quero o seu cartãozinho miserável. ​— Pois vai levar assim mesmo! — Isadora jogou o papel no colo dele. — E sabe de uma coisa? Você deve ser o tipo de chefe escroto que inferniza a vida de todo mundo. Olhando para essa sua cara de arrogante, eu digo mais: nem que você comandasse a última empresa existente neste planeta eu aceitaria trabalhar para você! Passar bem! ​Breno deu uma risada sarcástica, os olhos cravados nela com fúria. ​— Pois fique sabendo que nem que você fosse a última mulher restante na face da Terra eu te contrataria para limpar o chão do meu escritório! Suma da minha frente! ​Isadora bateu a porta do SUV com tanta força que o carro quase balançou. Entrou no carro amassado da irmã, engatou a marcha e saiu cantando pneu, deixando uma nuvem de fumaça para trás. No banco de trás do SUV, Breno ajeitou o terno, esbravejando com o motorista para andar logo, a mente fervendo de ódio daquela mulher misteriosa de olhos expressivos. ​(...) ​Quando Isadora finalmente conseguiu estacionar perto da sede da Sanches Holding, o relógio marcava 14:58. Ela correu, tropeçando nos saltos, e quase caiu para trás ao entrar no saguão principal. ​O lugar parecia um formigueiro de futilidade. Havia mais de três mil mulheres amontoadas. A maioria vestia roupas absurdamente caras, retocando o batom e competindo entre si com olhares mortais. Parecia um concurso de miss misturado com reality show de subcelebridades. ​O processo seletivo foi uma carnificina de testes psicológicos e dinâmicas de grupo rápidas, eliminando centenas de candidatas a cada hora. Isadora, movida pelo puro ódio do trânsito e pelo desejo de esfregar seu sucesso na cara do mundo, usou toda a sua inteligência para esmagar as fases escritas. ​Nas folhas de questionário, duas perguntas em destaque chamavam a atenção de todas: “Por que você deve trabalhar na empresa Sanches?” e “Por que o Sr. Breno Sanches te contrataria?”. ​Enquanto as outras respondiam coisas como "Porque o Sr. Sanches merece uma mulher à altura de sua beleza", Isadora escreveu com a caneta firme: “A Sanches Holding precisa de inteligência estratégica, não de um enfeite de luxo. E o Sr. Breno Sanches me contrataria porque, claramente, a empresa dele precisa de alguém que saiba pensar sob pressão, algo que falta na atual gestão de marketing de vocês”. ​No final da tarde, restavam apenas cinquenta candidatas no enorme saguão do último andar. Foi quando a última e mais bizarra dinâmica começou. ​Um homem idoso, com roupas visivelmente rasgadas, sapatos gastos e o rosto sujo de fuligem, entrou cambaleando no andar luxuoso de mármore. Ele parecia um morador de rua que havia conseguido driblar a segurança. O homem tossia, estendendo as mãos trêmulas para as candidatas perto do elevador. ​— Por favor... uma ajuda... um pedaço de pão, qualquer coisa para comer... — ele pedia, a voz fraca. ​A reação das candidatas foi imediata e unânime. ​— Ai, que horror! Segurança! — uma delas gritou, afastando-se para não sujar o vestido de grife. — Que nojo, como deixaram isso entrar aqui? Vai estragar o meu sapato! — outra reclamou, fingindo olhar para o lado. ​Nenhuma delas sequer olhou nos olhos do homem. Elas o ignoraram como se ele fosse invisível, cochichando e rindo com desdém. ​Isadora, que estava encostada na parede ajustando o bloco de anotações, olhou para a cena. O estômago dela revirou de nojo da atitude daquelas mulheres. Sem hesitar um segundo, ela guardou a caneta, ignorou os murmúrios e caminhou firmemente até o homem. ​— Senhor? O senhor está bem? — Isadora perguntou, segurando delicadamente o braço dele, sem se importar com a sujeira na roupa dele. — Venha, sente-se aqui. ​Ela o guiou até uma das poltronas de couro caras do saguão, sob os olhares chocados das outras concorrentes. Isadora abriu a bolsa, puxando uma garrafa de água lacrada e uma barra de cereais grande que sempre carregava para emergências. ​— Tome, beba um pouco de água. O senhor quer que eu chame uma ambulância ou ajude a encontrar um lugar seguro? Pode comer isso aqui por enquanto — ela disse, com um sorriso genuinamente acolhedor. ​O homem pegou a barra de cereal. Lentamente, ele parou de tossir. Sua postura mudou completamente. Ele ergueu a cabeça e fixou os olhos nos dela. ​Eram olhos cinzentos, intensos, gélidos e terrivelmente familiares. ​Breno Sanches removeu o boné gasto, revelando os cabelos perfeitamente cortados, e usou um lenço do bolso interno do trapo para limpar a maquiagem teatral do rosto. O saguão inteiro soltou um suspiro coletivo de choque. As mulheres que o haviam insultado quase desmaiaram de pânico. ​Breno olhou para Isadora. Isadora olhou para Breno. ​A mente de Breno viajou instantaneamente de volta para as duas horas da tarde. O cartão de visitas no banco de trás. A batida de carro. A mulher de vestido espartilho que tinha aberto a porta do seu SUV e gritado verdades que ninguém nunca teve a coragem de dizer na sua cara. ​Isadora piscou, a boca se abrindo levemente em choque ao reconhecer aquele olhar prepotente e imponente. Era o homem do trânsito. O dono do SUV. O "ditador enlatado". ​Breno se levantou, ficando bem acima dela, um sorriso de canto, carregado de ironia e triunfo, desenhando-se em seus lábios. Ele deu dois passos à frente, encurtando a distância entre eles até que ela pudesse sentir o calor de sua presença, apesar dos trapos que ele usava. ​— Ora, ora, ora... — Breno murmurou, a voz ecoando pelo saguão silencioso, os olhos fixos nos dela com uma intensidade avassaladora. — Parece que o mundo é mesmo um lugar muito pequeno, Isadora Fontes. ​Isadora engoliu em seco, mas não recuou um milímetro. Ergueu o queixo, sustentando o olhar dele enquanto a eletricidade entre os dois ameaçava incendiar a sala inteira. ​O jogo de aparências estava apenas começando.

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