Capítulo III
Delfim fez a viagem desde o Palácio de Belém até casa em pouco mais de 20 minutos. Não apanhou muito trânsito, por isso a viagem foi mesmo muito curta. Ao chegar, estacionou o carro na praceta onde mora, dirigiu-se ao seu prédio, abriu a portaria e entrou. De seguida, aproximou-se do elevador e carregou no botão, quando as portas se abriram, entrou e carregou para o 6º andar. Durante o tempo de subida, Delfim foi pensando no dia que teria amanhã. De certeza que seria um dia muito complicado. Já tinha recebido o bilhete para o voo da TAP, e esperava que não houvesse nenhum atraso. Foi neste momento que o elevador chegou ao 6º andar, a porta abriu-se e Delfim saiu em direção à sua porta. Meteu a chave à porta, rodou os trincos e abriu-a e entrou. Joana, a sua mulher, não estava em casa, ainda, e Delfim dirigiu-se, então, em direção ao quarto para começar a fazer a mala. Iria ficar uns três dias, pelo que não teria muita roupa para levar. Passados cerca de 15 a 20 minutos, ouviu alguém meter a chave à porta e a entrar.
- Querida, és tu? – questionou Delfim.
- Sim, sou eu. – disse Joana – Já estás em casa?
- Sim, querida, estou no quarto.
Joana foi ter ao quarto, onde viu o marido a arranjar a mala. Deu um beijo ao marido e disse:
- O que estás a fazer querido? Pensei que hoje nem vinhas a casa. Agora estás a fazer a mala? O que se passa?
Delfim deu um leve sorriso, olhando para a mulher, e disse:
- Não te preocupes, querida. Houve uma mudança de planos. Tenho de partir amanhã para Roma, onde vou reunir com a Gendarmaria do Estado da Cidade do Vaticano e com a Guarda Suíça, devido à visita do Presidente.
- Mas assim? De repente, querido?
- Parece que a malta lá está preocupada com a visita. Tenho de ir ultimar os pormenores de segurança e eles pediram que lá fosse.
- Aquilo não anda famoso, por lá. Parece que hoje houve grandes confrontos por causa da cimeira do G7.
- Eu soube! Isso é o que também nos está a preocupar.
Delfim continuou a arranjar a sua mala, enquanto Joana foi à cozinha. Passados uns 5 minutos, deslocou-se lá e disse para a mulher:
- Querida, estive a pensar, queres ir jantar fora? Podíamos ir àquele restaurante na Ericeira, comer arroz de marisco, que me dizes?
- Acho muito bem. Às suas ordens, Senhor Comissário. – disse Joana em tom de brincadeira. – Mas antes, quero que o Senhor Comissário faça aquilo que tão bem sabe fazer para satisfazer a sua esposa.
Delfim sorriu, pegou na mulher ao colo, e levou-a para o quarto. Chegados ao quarto, Delfim despiu a mulher e deitou-a na cama, de seguida, enquanto contemplava o belo corpo da mulher desnudado, despiu-se também e juntou-se a ela. Fizeram amor durante aquele bocado. Juntaram os corpos, deliciaram-se de prazer até atingirem o clímax da r*****o.
Passados uns minutos, Delfim olhou para a mulher e viu o rosto de satisfação dela. Eles cruzaram os olhares e ela disse-lhe:
- Amo-te muito, sabias, meu amor?
- Claro que sim. Desde que nos conhecemos.
- Bem, Senhor Comissário! Não pense que, lá porque me proporcionou estes momentos de intenso prazer, está dispensado da sua promessa de me levar a jantar fora.
- Claro, Doutora. Vamos de seguida. Vou só tomar um banho e vestir-me.
Joana deu uma gargalhada e disse:
- Vai aquecendo a água, já me junto a ti.
Delfim e Joana vão agora a caminho da Ericeira. A distância que separa Oeiras da Ericeira são cerca de 60 km e faz-se em cerca de 50 minutos. Durante o caminho, Delfim ia em silêncio até ao momento que esse silêncio foi interrompido por Joana:
- O que se passa, querido? Estás muito pensativo.
- Estou a pensar em tudo, meu amor. Estou a pensar nesta viagem que tenho de fazer.
- Mas o que te preocupa? Sabias que isto de ser o Chefe de Segurança do Presidente da República não seria fácil.
- Não é isso. Algo me está a preocupar. Depois da Pandemia, resolvem marcar esta reunião do G7 em Roma, e logo quando o nosso Presidente está de visita ao Vaticano e a Roma…
- Mas achas que há o perigo de algo acontecer?
Delfim ficou a meditar na pergunta da mulher, ainda não tinha partilhado com ela a carta misteriosa que o Presidente recebera e que deixara Delfim imensamente preocupado, e rematou:
- Bem, querida. Isto não deve ser nada. Não vamos estragar a noite por causa de algo que, provavelmente, irá ser ultrapassado.
Joana olhou o marido e anuiu com a cabeça, embora tenha percebido que ele não lhe contou tudo, mas decidiu não questionar. Entendia que havia coisas que Delfim não lhe podia contar.
Quando chegaram ao restaurante, Delfim estacionou o carro no parque e saiu mais a mulher. Neste instante o telemóvel dele tocou! Quando o tirou do bolso viu que era Mariana, a Primeira Dama. Delfim atendeu:
- Boa noite, Dª Mariana. Como está, tudo bem?
Do outro lado, a voz sempre afável, mas desta vez preocupada de Mariana respondeu:
- Boa noite, Comissário! Está tudo bem. Peço desculpa de estar a ligar-lhe, mas tenho uma preocupação e o Pedro nem sabe que eu estou a ligar para si.
- Diga, Dª Mariana. Aconteceu alguma coisa?
- Estou preocupada com a visita ao Vaticano. Sinto que o Pedro me esconde alguma coisa e sei que você irá amanhã para Roma.
- Exatamente. Fui contactado pelos meus colegas de Itália e do Vaticano, e pediram que eu lá fosse para prepararmos a visita. – Delfim omitiu a carta.
- E é só isso? – perguntou Mariana, preocupada.
- Para já é só isso! Fique descansada, nós vamos trabalhar para que tudo corra pelo melhor.
- Faça-me um favor, se houver alguma coisa que o preocupe, por favor, avise-me.
- Fica combinado, fique descansada.
- Descansada, não fico. Mas confio em si. Obrigada, Senhor Comissário.
E desligou. Joana olhava para o marido à espera para entrarem e Delfim disse-lhe:
- Desculpa, era a Primeira Dama.
- Eu percebi. Algum problema?
- Nenhum. Está preocupada com esta visita.
- Não é a única. Mas pronto. Vamos jantar?
- Vamos, meu amor.
Então entraram e pediram mesa para dois.
Após o jantar, fizeram a viagem de volta para casa. Não puderam ficar até mais tarde porque Delfim tinha de se levantar cedo. Um carro ia buscá-lo pelas 04 horas da madrugada.
Quando chegaram à rua, estacionaram e entraram no prédio. Delfim ia a brincar com Joana, quando chamaram o elevador. Lá dentro, iam trocando olhares provocadores um ao outro, ao chegarem, Joana abriu a porta do apartamento e exclamou para Delfim:
- Estranho! Pensei que tinha trancado a porta.
- E não estava trancada?
- Não. Bom, se calhar fui eu que me distraí.
Delfim ficou intrigado, não era costume a mulher ser distraída, mas, não havendo nada que o fizesse pensar o contrário, esqueceu. Agarrou a mulher, deu-lhe um profundo beijo e arrastou-a até ao quarto.
Do outro lado da estrada, um carro parado, com um homem lá dentro. Pegou no telemóvel, digitou um número, e fez uma chamada:
- Sim? Sou eu. Eles acabaram de chegar a casa. O que faço? – aguardou a resposta do outro lado da linha e prosseguiu – Muito bem. Vamos, então, aguardar por amanhã.
Desligou o telemóvel, ligou o carro e seguiu. 1 minuto depois o telemóvel tocou, olhou para o ecrã e viu “Rinaldo Stecanela” escrito. Atendeu em alta voz e disse em italiano:
- Daqui está tudo em andamento. Está tudo preparado.
- Va benne. - disse Stecanela – Temos de preparar tudo para que corra, conforme planeado.
- Sim, signore. Onde nos encontramos, no sítio do costume?
- Non. Mando-lhe uma mensagem com o local. Entretanto, vamos deixar os pombinhos namorarem.
E desligou. Aquele homem, seguiu, então, a toda a velocidade.
Lá dentro do apartamento, nem Delfim, nem Joana imaginavam o tumulto nas suas vidas que aí vinha.