NORA Zé me observa com olhos intensos, que parecem enxergar cada camada da minha alma, desmanchando minhas fechaduras e revelando meus segredos. Meu peito afunda, e minha respiração vacila toda vez que nosso olhar se esbarra. Ele é um campo magnético, perigoso e irresistível. — Você deveria estar descansando — murmurei, tentando soar firme. Minha voz, no entanto, saiu mais suave do que eu pretendia, traindo o turbilhão dentro de mim. Ele arqueou a sobrancelha, um sorriso enviesado curvando seus lábios. — Difícil descansar quando você está tão perto. Abaixei os olhos, concentrando-me nos meus pés descalços,uma mania que peguei na dolescência sempre quee stou em casa, mas não havia como negar a tensão que parecia pulsar no ar entre nós. — Estou aqui porque... porque você precisa de a

