NORA Duas semanas se passaram desde que Zé voltou para casa. Eu deveria estar acostumada à rotina de cuidar dele, mas, a cada dia, a sensação de desconforto crescia. Olhar para ele era doloroso e piorava toda vez que o flagrava me encarando. Era difícil estar sozinha com ele, e eu fazia questão de sempre estar acompanhada por algum empregado da casa, como se a presença de outra pessoa aliviasse o peso no meu peito. Isso nunca acontecia. Eu o desejo e me culpo por isso. Mas hoje, ele não me deixaria escapar. Eu podia sentir sua paciência se esgotando a cada desculpa que eu dava para deixar sua presença. — Nora, você vai continuar se esquivando? — Zé perguntou, sua voz soando mais forte do que eu esperava. — Sempre há alguém por perto, como se você estivesse evitando ficar sozinha comigo

