Adam.
Poucas vezes na minha vida me senti apaixonado por alguém. Eu sei, pelo meu pai que se casou mais de três vezes, que o amor vem e vai e que provavelmente seja a pior coisa que pode acontecer a um homem. Em suas próprias palavras, você se torna um fraco que desmorona se não tiver aquela mulher ao lado e então os problemas começam, porque de qualquer maneira, não importa o quanto digam que se amam, o grande problema da paixão é que sempre, um ama mais do que o outro.
É impossível amar da mesma forma, com a mesma intensidade e com a mesma paixão, por isso a maioria dos casamentos fracassa, e o meu não foi exceção.
Casar com Ava foi um dos poucos erros que cometi na minha vida. Pelo menos meu pai casou por amor três vezes, eu me casei apenas com um pouco de carinho por ela sendo um menino com muitas responsabilidades. Conhecê-la a vida toda fez com que a decisão não pesasse tanto para mim, porque sabia que ela era uma boa garota, e precisava me casar com ela para nos darmos credibilidade ao assumir o comando de mais de duzentos funcionários. E ela sempre foi boa, talvez esse tenha sido o problema.
Ava Dawson é a típica menina rica, que é boazinha demais com todo mundo e que acredita que o excesso de dinheiro é para ser doado. Se dependesse dela, todos teriam uma parte do que custou a vida inteira de seu pai, mas por sorte nos casamos e sou eu quem cuida das finanças da casa.
Não me entendam m*l, não há problema em querer doar um pouco. A empresa que herdamos tem uma fundação em seu nome, onde concedemos bolsas de estudo a crianças de baixa renda que têm vontade de progredir, além de oferecer estágios para aqueles que frequentam universidades públicas e privadas. Acredito que estamos fazendo nossa parte para tornar o mundo um lugar melhor, embora isso não ajude muito.
Mas esse é o ponto. Para Ava, todo mundo é bom, todos deveriam ser felizes e não existe nada além do amor. Na verdade, quando nos casamos, eu lhe assegurei que não poderia esperar muito de mim. Eu tentei de todas as maneiras me apaixonar profundamente por ela, juro que tentei mesmo nos primeiros anos, mas não dá para comandar o coração e muito menos forçar-se a amar alguém que sempre viu apenas como uma menina frágil demais, porque é isso que ela é, doce, carinhosa, açucarada, quase um doce com olhos bonitos, mas só isso.
Os anos de casamento não foram um tormento, mas também não foi um passeio no parque. Ela sempre quer mais, tive que fingir que queria ter filhos há um ano para afastá-la da empresa porque estava tomando decisões erradas permitindo que os funcionários fizessem o que queriam e não o que ela ordenava. Se não a tivesse afastado, teríamos caído, assim como o nosso casamento, onde toda vez que ela se esforçava, trazia o pior de mim porque eu não queria isso.
Ainda não quero.
Por isso não me arrependo de ter um relacionamento secreto com uma mulher que me completa em tudo. Uma mulher que pode amar com a mesma intensidade que um vulcão e que é um fogo em tudo o que faz.
Talvez tenha sido sua paixão pelos negócios, sua sede por experiências e viagens ou simplesmente sua forma de fazer amor, mas estou em uma queda extremamente perigosa por ela. Acho que até posso estar me apaixonando por ela sem saber. Claro, não é algo que eu pense muito, porque me apaixonar por ela seria complicado dada a minha situação atual, mas não me faz m*l passar horas ao lado dela. É por isso que tirei algumas "férias de negócios".
Dias inteiros trancados em um apartamento, sozinhos, onde m*l tivemos tempo de comer, mas infelizmente chegaram ao fim porque hoje mesmo temos que voltar ao trabalho e eu, para aquela enorme casa, para dormir ao lado de uma mulher que não desperta o mínimo interesse em mim.
- Por que você não se divorcia? - ela pergunta, enquanto puxa a meia pelas longas pernas. -Quer dizer, não é impossível, e teríamos mais tempo para nós.
Reviro os olhos, arrumando minha gravata no espelho.
- Não é tão simples.
- Por que não? Muitos milionários se divorciam.
- Eu sei, mas essa não será a nossa situação, pelo menos por enquanto.
- Entendo que os negócios sejam importantes e tudo mais, mas vocês podem dividir os bens ao meio e resolver o assunto.
Faço uma careta.
- Você acha que ela vai assinar os papéis assim, sem mais nem menos? Você realmente não a conhece.
Ela dá de ombros.
- As pessoas no escritório dizem que ela é muito amável, não acho que ela terá coragem de se comportar como uma c****a quando claramente, sabe que não há nada entre vocês.
Fico em silêncio. Embora eu tenha dito que não amo minha esposa, também não é como se tivesse falhado em meu papel de marido. Nossa atividade s****l é boa, ela é quase boa na cama e consegue pelo menos despertar em mim essa necessidade e desejo, mas só isso.
Coisa que minha namorada não sabe. E nem pretendo contar.
Kim se aproxima por trás, dando um beijo no meu ombro direito. Suas unhas perfeitamente pintadas, com um anel de pequenos diamantes brilhando em seu dedo, é o que chama minha atenção, me lembrando o que estive segurando em minha mão apenas algumas horas atrás.
- Quanto tempo mais seremos assim? - ela pergunta, fazendo um biquinho.
- Você disse que não tinha problema em ser minha amante e tem esse título há três anos, então não sei do que está reclamando. Eu venho quando quero, dou a você o que quer e estamos felizes assim.
- Mas quero mais.
Solto um suspiro, me afastando dela.
- Esse é o problema de todas as mulheres, sempre querem mais.
Ela revira os olhos.
- Não vou me contentar com anéis e presentes pelo resto da vida.
Assinto.
- Não pelo resto da sua vida, mas se você quer ficar comigo, terá que se contentar pelo menos por mais dois anos até que eu consiga o que quero e então veremos.
Ela franze a testa.
- E o que você quer?
Sorrio sem responder, guardando para mim minhas intenções de ficar com a empresa inteira. Claro, não deixarei Ava na rua, estou fazendo algumas transações separadas que me assegurarão comprar a parte dela sem descontos para então poder me divorciar dela.
Acredito que eu mereço. Embora ela também tenha contribuído, fui eu quem esteve no comando, tirando essa empresa do buraco por cinco anos seguidos. Ava foi como uma parceira para mim, mas a empresa precisa ser totalmente minha.
Não quero descontos, não quero tirar dela, não quero ser o canalha que tirou a herança dela, só quero comprar sua parte, deixá-la bem garantida e nem mesmo me recuso a lhe dar pensão quando chegar a separação, o que eu tenho certeza que terei que fazer porque ela não trabalha há um ano inteiro.
Não vou nem me dar ao trabalho de brigar pelos bens, porque quando o divórcio chegar, vou poder dar a luxo de lhe dar tudo pelo que trabalhei sem nem pensar. Mas agora não é o momento. Nossa empresa está no meio de grandes projetos, nenhum pode falhar e até estamos indicados para alguns prêmios internacionais pelo trabalho que fizemos ao longo do ano anterior. Por isso um divórcio agora mesmo é impossível, com toda a publicidade negativa que teríamos, não seria nada bom.
- Temos que ir, se apresse.
Enquanto Kim termina de se arrumar para ir para a empresa, envio uma mensagem para Ava dizendo que estarei trabalhando e a verei quando voltar. Afinal, levamos vidas separadas há algum tempo, e se eu não tivesse precisado voltar para casa mais cedo nos últimos dias, nem teria notado sua ausência. É algo que temos que conversar.
Quando minha garota finalmente está pronta, descemos pelo elevador até o estacionamento, entramos no meu carro e nos dirigimos a uma cafeteria em busca do nosso café da manhã para finalmente irmos para a empresa.
Minha vida é assim. Todas as noites eu visito Kim, às vezes fazemos sexo e outras vezes apenas passamos um tempo juntos, porque descobri que é fácil estar com ela. Ela não faz perguntas, não exige muito de mim, não se intromete onde não deve e aceitou sem hesitar o lugar que dei a ela. Então, depois de desfrutar, volto para aquela enorme casa com Ava, a quem nem sequer falo porque quase todas as noites ela está dormindo.
Mal a vejo à tarde no intervalo.
Quando estaciono na empresa, Kim desce com minha agenda na mão entrando no papel que lhe cabe, que é o de minha assistente.
- A primeira coisa que você deve fazer é revisar alguns planos enviados para a construção na costa. A equipe de construção tem uma dúvida sobre onde começar o jardim que eles planejaram para os terraços - ela informa.
- Certo, me mande os planos assim que chegarmos.
Entramos no elevador, percebendo que dois funcionários nos encaram como se tivessem visto fantasmas. Kim se mexe desconfortável ao meu lado.
- Pensei que as pessoas tivessem parado de olhar - ela reclama.
Quando começamos a namorar, tentamos nos esconder na empresa e, é claro, os rumores se espalham rápido e antes as olhadelas eram "você é um i****a por trair sua esposa", mas agora é um olhar que não consigo decifrar.
- Não ligue para eles - eu aperto o botão que nos leva ao andar onde fica meu escritório.
Arrumo minha gravata no reflexo do espelho diante de nós. Kim não tira os olhos de mim e, certamente, essa admiração e desejo que vejo em seus olhos é o que realmente me excita em uma mulher porque diabos, é bom saber que você é desejado com tanta intensidade.
- Poderíamos nos encontrar hoje? - ela pergunta, com seu tom de bom moço de sempre.
- Desculpe, mas tenho que ir para casa. Não tenho visto minha esposa e temos muito o que conversar.
Ela franze a testa.
- Ainda quer saber o que aconteceu com as coisas quebradas?
Eu assinto.
- Pensei que tivessem entrado para roubar, mas quando olhei as câmeras vi que foi ela quem quebrou tudo, então preciso de respostas para tanta loucura.
Ela suspira.
- Bem, eu não gostaria de ser ela esta noite.
Rio.
- Ninguém quer ser ela.
Quando as portas do elevador se abrem, uma aura diferente me atinge em questão de segundos. Meus funcionários me olham, todos param e tenho certeza de que se cair um alfinete agora, poderão ouvir em toda a sala, porque nenhum dos presentes se move.
- Isso é estranho - Kim murmura ao meu lado.
Ela é a primeira a sair, focando seu olhar no celular como de costume, talvez procurando em suas redes sociais algum motivo pelo qual todos estão me olhando dessa forma agora, mas não há nada, porque eu sei que não fiz nada de errado ultimamente.
- O que está acontecendo? - pergunto em voz alta, para todos.
Como sempre, ninguém responde.
Entro no escritório, andando em direção à minha sala quando percebo que há movimento lá dentro. Como se não bastasse os palhaços de funcionários que tenho, sentindo seus olhos sobre mim agora, alguém teve a audácia de entrar no meu escritório sabendo que é proibido.
- Que droga?
Estou disposto a expulsar quem quer que esteja vasculhando tudo, mas quando abro a porta, todos os pontos se conectam quando vejo os olhos azuis que me olham do outro lado do cômodo e só consigo reconhecer esses olhos, porque nada nela se parece com minha esposa.
Pisco, surpreso. Tenho tantas perguntas na minha cabeça agora, mas não consigo me concentrar em nada além do traje que ela está usando e o quanto ela mudou.
É esta a minha esposa? A mesma que vestia roupas dos anos oitenta?
- Ava?
O corpete branco que ela está usando aperta seus s***s, fazendo-os parecerem maiores do que realmente são. Ou eles sempre foram desse tamanho? A transparência revela a pele de suas costelas, destacando sua cintura estreita, e a calça da mesma cor alonga suas pernas. Seu penteado também mudou, na verdade agora ela está penteada, com um novo corte, em novos tons, ou novos para mim, pois nunca havia prestado tanta atenção assim antes, e o batom vermelho que ela está usando destaca sua boca, a ponto de eu ter que engolir em seco pela imagem que ela projeta. Inteiramente uma mulher de negócios.
- Oi, querido. Surpresa.