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Chalé 9 - Uma trágica obsessão

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Sinopse

Alice perdeu seus pais em um acidente de carro há seis anos, uma fatalidade que lhe rendera sombrios pesadelos e uma superstição que a faz evitar falar sobre tragédias, para não atraí-las. No entanto, essa tão antiga superstição não pôde evitar o aterrorizante acontecimento que ocorreu no acampamento Santa Clara e tudo o que o sucedeu.

Ana e Elisa são irmãs gêmeas que levam um relacionamento conturbado, marcado por histórias perturbadoras. Ao decidirem participar do acampamento anual do colégio que acabam de se matricular, não imaginam como findará essa viagem. E quem poderia imaginar, afinal? Um acampamento ao redor do lago que sempre fora conhecido por diversão e alegria entre adolescentes do ensino médio, torna-se um ponto de interrogação na vida de todos eles.

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Lembranças
A  chamada  foi  feita,  os  outros  alunos  não  puderam  deixar  de  notar  o  quanto  Elisa  estava  bonita  naquela  noite.  Seria  legal  me  conformar  que  há  milhões  de  motivos  para  o  Beto  estar apaixonado por  ela,  e  que  se  caso  ele  quisesse  algo  a  mais  com  a  menina  que  chamava  a  atenção  de  todos  os rapazes  da  escola,  eu  deveria aceitar simplesmente. Afinal  não  posso  fazer  nada  quanto  a  isso,  apenas  desejar  sua  felicidade,  como  sempre  desejei.   Passadas  algumas  horas  de  conversas  eufóricas  ao  redor  da  fogueira,  e  de  prováveis  casais  sendo  formados  -  como  acontecia todos  os  anos  -  ouvimos  as  histórias  de  terror  contadas  pela Sra.  Clarice,  que  coordenava  toda  a  programação  do  acampamento.  Repetia  as  mesmas  todos os  anos,  então  comíamos  alguns  salgados  e  ríamos  da  expressão  falsamente  espantada  de   todos.  Quando  enfim  o  momento  da  fogueira  terminou,  as  outras  coordenadoras  nos  deixaram  livres  para  andar  em  volta  do  lago  e  conversar.  Podíamos  ficar  até  à  meia-noite  e  meia,  passeando  pela  área  dos  chalés,  depois  deveríamos  entrar.  Elisa  resolveu  convidar  o  Beto  para  uma volta  pelo  lago,  que  aceitou,  Beto ao  notar  que  eu  havia  ficado  para   trás,  resolveu  vir  falar  comigo.   E  aí,  como  você  está?  -  perguntou  ele   Bem...  e  você?  - respondi tentando desviar o meu olhar do casal à minha frente  Ótimo.  O  acampamento  está  mais  animado  este  ano - Beto tentava, inutilmente, puxar alguma conversa, dessas que começam de maneira trivial.  É,  eu  percebi.  Principalmente  para  você,  não  é  mesmo?  –  respondi  rindo,  para  que  ele  não  notasse  algum  tipo  de  pretensão  em minha  pergunta.   Por  quê? - Espantou-se, enquanto olhava envergonhado para Elisa.  Ah  Beto,  para.  Você  acha  que  não  te  conheço?  Não  se  faça desentendido…  Elisa se retirou para pegar alguns petiscos servidos na mesa próxima à fogueira.    Está  falando  da  Elisa?  Acho  que  ela  não  quer  nada  comigo. - disse Beto, em um tom quase inaudível,   Claro  que  quer.  - Respondi imediatamente.  Ela  te  disse  alguma  coisa?  –  ele  perguntou,  muito  interessado.   Não  exatamente.  Mas  dá  para  perceber.  Qualquer mulher em sã consciência perceberia. Ah, por favor, ela dormiu no seu ombro durante a viagem. E  o  que  você  acha? - perguntou, estranhando o detalhamento das minhas argumentações.  Fiquei em silêncio. Deveria  dizer  o  que  eu  realmente  achava?  Que  não  gostava  dela?  Que  havia  algo  sinistro  em  seu  jeito,  que  me  incomodava  e  me  passava  uma  impressão  r**m?  E  se  eu  dissesse  tudo  isso,  ele  acharia  que  eu  só  estava  com  ciúmes?  Daria  crédito  às  minhas  observações? Tantas  perguntas  encheram  a  minha  mente  em  poucos  segundos,  que  eu  não  soube  ao  certo  como  processá-las.   Eu  acho  que  você deveria  seguir  seu  coração  –  disse  finalmente  –  Se  você  gostou  dela,  deveria  tentar.  Sabe… - Olhei para o lago, recordando do meu pesadelo. Um frio na espinha me ocorreu. - Não cabe a mim decidir qualquer coisa sobre a sua vida nesse sentido, Beto. Eu amo você então… - Olhei para baixo, com medo do tamborilar do meu próprio coração diante do que eu havia dito. - Então eu quero siga seu coração. Sempre.  Você é incrível, Alice. E sobre o que conversamos no caminho até a casa da Sra. Clarice. Eu queria que você soubesse que ninguém nunca vai te substituir. Você é, sempre será, a minha prioridade. - disse Beto, segurando a minha mão direita com força.  Eu nunca te pedi isso. - Me virei, antes que aquela conversa tomasse rumos difíceis demais. Rumos que me levariam a uma vulnerabilidade que eu sempre evitei.  Pude escutar os passos de Elisa se aproximando e indo ao encontro do Beto. Também escutei, mesmo de costas, o barulho do beijo que se abraçaram. Andei pelos arredores, sozinha, buscando conforto no barulho das folhas das árvores, dançando com o vento. Tentei pensar que era besteira todo aquele misto de sentimentos que oscilavam entre ciúmes, medo da perda e uma sensação estranha de que, aquela garota, irradiava a pior energia que eu já havia sentido. Nunca acreditei nessas bobagens místicas, em intuições, energias, auras, tarot ou o que quer que fosse, no entanto, pela primeira vez, eu percebia que havia algo quase sobrenatural no modo como Elisa fazia eu me sentir. Ardilosa e perigosa, seriam as características que mais me lembravam daquele semblante angelical, sereno, como uma princesa de contos de fadas só que, de modo paradoxal, uma vilã com olhar dominador e envolvente de um jeito r**m.  Olhando para a fogueira, prometi a mim mesma, que nenhuma dessas impressões e sentimentos controversos, me fariam interferir no relacionamento do Beto. Ele merecia se apaixonar, viver um romance e sentir novas sensações. Além do mais, eu sempre reclamei da exagerada p******o dele, e como sempre viveu por mim. Quem sabe agora, ele tenha de fato, novos interesses. Que ele siga o caminho dele. Esse é o certo a ser feito. Após essas reflexões, andei  sozinha  pela  área  do  acampamento  evitando ao máximo  pensar  no  mesmo assunto novamente. Encontrei  Ana  sentada  em  um  banco  próximo  à  fogueira  já  quase  apagada.   Ei...  -  me  aproximei  devagar  -  Está  gostando  do  acampamento?  –  perguntei em um tom simpático  Oi! - Ana abriu um largo sorriso - Sim,  estou  gostando  muito.  Conheci  as  duas  meninas  do  seu  chalé,  Raquel  e  Charlotte.  São  bem  legais.  A parte  da  fogueira, puxa…  eu  adorei. Me senti em um típico filme americano  –  disse  animada.   Que  bom  que  está  gostando.  Eu  também  adoro  as  programações  do  acampamento.  - Respondi, sentando ao lado dela.   Conheceu  a  Elisa?  - Ana perguntou, enquanto olhava ao redor.  Sim...  Ela  é  legal,  está  no  mesmo  chalé  que  eu.   É…  fiquei  sabendo.  Sinto  muito  por  você.  –  disse  com  uma  risada irônica logo  em  seguida.   Por  quê?  – perguntei  curiosa.   Ah,  a  Elisa  é  uma  pessoa  bem  difícil  de  lidar.  Nós  duas  não  temos  uma  boa  relação.   Que  triste...  Sempre  quis  ter  uma  irmã,  para  que  pudesse  ter  uma  amiga  comigo  o  tempo  inteiro.   Meus  pais  também  pensavam  que  seria  assim.  Mas  a  Elisa  não  colabora. Não mesmo. - Ana olhou novamente para os arredores do local onde estávamos.   Nossa,  deve ser bem r**m, não é? Conviver na mesma casa, na mesma família, e não se gostarem - Respondi, intrigada com as curiosas checagens da Ana sobre quem poderia estar nos ouvindo. Sim...  É  uma  longa  história.   Quer  conversar  sobre  isso?   Quem  sabe  uma  outra  hora.  Que  tal  amanhã  à  tarde? Tenho  que  voltar  ao  chalé,  meus  pais  pediram  para  ligar  para  eles  nesse  horário. Aqui não tem sinal de internet então fico procurando o mínimo sinal para fazer ligações. Os  seus pais também são  preocupados  assim?   Aquela  velha  tristeza  invadiu  meu  coração.   Os  meus  pais  faleceram.   Me desculpe.  Eu  sinto  muito. Muito mesmo…  –  disse  Ana  desconcertada, enquanto me fazia um leve afago no ombro.  Não,  fica  tranquila.  Eu  já  me  acostumei.  -  forcei  um  sorriso  para  que  ela  se  tranquilizasse.   Alice,  me  desculpe  mesmo.  Foi uma indelicadeza minha.  Calma,  Ana,  está  tudo  bem...  Então  fechado.  Amanhã  à  tarde  te  procuro  para  conversarmos.  - Respondi mudando de assunto o mais rápido que pude.  Ótimo! Então nos vemos amanhã. Caso não me encontre, o meu chalé é o 9. - Ana avisou enquanto se despedia e saía rapidamente para sua ligação.  Assim  que  Ana se  despediu e  se  dirigiu  ao  seu  chalé,  fiquei  sentada  no banquinho  observando  o  lago e a fogueira, já quase apagada por completo.  Seria  mesmo  maravilhoso  se  meus  pais  estivessem  vivos  e  me  cobrassem  uma  ligação  naquele  momento.  Pensar  na  ideia  me  entristeceu,  mas  sabia  que  não  deveria  chorar  ou  mesmo  me  a****r  por causa  disso. Afinal, sequer tive o privilégio de conhecê-los, e tia Elizabeth sempre me contava histórias sobre eles, que giravam em torno de como a minha mãe, no decorrer da minha gestação, gostaria que eu fosse uma garota forte e destemida. Eu vivia para cumprir o seu desejo.     Fiquei  um  bom  tempo  sentada,  presa  aos  meus  devaneios,  pensando  em  meus  pais,  em  minha  vida,  e  em  como  gostaria  de  estar  conversando  sobre  isso  com  o  Beto  naquele momento.  Lembrei  do  que  Ana  disse  sobre  Elisa,  e  sobre  a  mágoa  que  parecia  guardar  da  irmã.  Senti  uma  súbita  curiosidade  em  saber  qual  seria  a  longa  história  que  Ana  não  poderia  me  contar  naquele  momento.     Já  se  aproximava  da  meia-noite  e  meia.  Resolvi  chamar  Elisa  para  entrarmos  antes  que  perdessem  a  hora.  As  regras  no  acampamento  eram  rígidas,  e  é  trabalhada  a  nossa  união, apesar de tudo.  Precisamos  entrar  juntas  no  horário  correto.  Se  alguém  desobedecer  ao  horário,  todas  as  outras  também  são  punidas.  A  punição  geralmente  é  fazer  alguma  tarefa  relacionada  à  limpeza,  como  lavar  a  louça  no  refeitório  após  o  almoço, dentre outros serviços, além de, em faltas mais graves, não poder participar das programações. Quando  me  aproximei  das  redondezas  do  lago,  avistei  Elisa  e  Beto  juntos  sentados  na  grama,  eles  estavam  abraçados.  O  que  me  causou  ciúmes,  é  claro,  mas  prometi  a  mim  mesma  que  não  deixaria  me  levar  por  essas  sensações.  Não  sabia  se  deveria  chamá-la  e  interrompê-los,  eles  pareciam  muito  entretidos.  Esperei  alguns  minutos,  até  que  eles  se  levantaram  e  começaram  a  andar  em  minha  direção.   Precisamos  entrar?  – perguntou  Elisa   Sim,  e  é  melhor  que  Raquel  e  Charlotte  já  estejam  lá  dentro.  – respondi.   Tudo  bem.  Tchau  Beto,  nos  vemos  amanhã.   Eles  se  despediram  com  um  beijo  rápido, o qual  eu  assisti  impacientemente.  Dei  um  último  abraço  no  Beto  e  acenei a certa distância. No  rápido  percurso  do  lago  até  o  chalé,  ficamos  quietas.  Não  sabia  identificar  o  porquê  daquele  silêncio  constrangedor,  será  que  ela  podia  perceber  que  eu  havia  ficado  com  ciúmes? Impossível. Eu sempre soube disfarçar muito bem.  Quando  abrimos a  porta  do chalé,  Raquel  e  Charlotte não  estavam  lá.  Elisa  olhou impaciente  em  seu  relógio.   Droga,  já  são  meia-noite  e  vinte  e  cinco,  e  nem  vimos  as  duas  perto  do  lago.  - Elisa olhou através da janela na esperança de vê-las caminhando em direção ao chalé.  Não  quero  me  prejudicar  por  causa  delas.  Precisamos  procurá-las  -  Respondi  depressa.   Acha  que  conseguimos  achá-las  e  voltar  para  cá  dentro  de  cinco  minutos?  –Elisa  perguntou.  -  Precisamos  tentar.  –  respondi  inquieta.   Andamos  por  toda  a  área  dos  chalés  e  do  lago,  mas  não  as  encontramos.  Decidimos  então   nos  separar.  Eu  olharia  o  refeitório,  e  ela,  a  sala  de  jogos.  Quando  nos  encontramos,  ainda  não   havia qualquer  sinal  de  Raquel  e  Charlotte.  Não  nos  restava  outra  escolha  senão  procurá-las pela região  da  floresta.  Entramos  em  um  pequeno  bosque  próximo  ao  lago  e  começamos  a   gritá-las. Ouvimos  sussurros  de  uma  conversa  um  pouco  distante,  seguimos  a  direção  dos   sons, e  depois  de  caminhar  mais  um  pouco,  finalmente  as  achamos.  E  lá  estavam  elas,  com   cigarros  e  bebidas,  sentadas  na  grama,  iluminando  a  escuridão  do  bosque  com  uma  lanterna.  A alguns metros também podíamos escutar gemidos de casais que se aproveitavam da escuridão daquela mata, para terem privacidade em seus encontros noturnos.  Meu Deus… aquela é Verônica. - Sussurrei para Elisa, enquanto reconhecia o cabelo avermelhado de uma das garotas que tinha o péssimo costume de só se envolver com rapazes comprometidos. Quem é Verônica? - Elisa sussurrou de volta, enquanto agachava e me puxava para que ninguém nos visse.  É uma longa história, mas… - Respirei fundo pois estava ofegante após caminhada - Aquele menino que está com ela parece o Felipe, a namorada dele não veio porque está com pneumonia. Safado. - respondeu Elisa, indignada. - Podíamos pregar uma peça neles, antes de chamarmos as meninas.  Que tipo de peça? - Sussurrei de volta, curiosa para ouvir suas ideias.  Vamos gravar e enviar para a Sra. Clarice. Meu celular tem ótima câmera e a luz do luar consegue clarear ainda mais. Mandamos anonimamente. Eles serão expulsos do acampamento e a pobre coitada da namorada vai descobrir tudo.  Fiquei atônita, perplexa com toda a ideia que ela havia projetado em poucos segundos. Em dúvida se colocá-la em prática seria o mais correto. No entanto, quando me lembrei de Catarina, internada com pneumonia, não pensei duas vezes. Vamos. - Respondi para Elisa que, sem nem mesmo esperar a minha resposta, já posicionou a câmera do seu celular da forma mais apropriada.  Olhamos o vídeo que mostra claramente quem eram os dois. Nos entreolhamos com um olhar de cúmplices, parceiras de um crime perfeito, como duas justiceiras estrategistas. Naquele momento, me veio um daqueles lampejos: Elisa pode ser alguém muito legal. Nos levantamos rapidamente e fomos atrás das meninas. Raquel  fumava seu cigarro  tranquilamente,  como  se  não  pretendesse  sair  dali  tão  cedo,  e  conversava  com Charlotte  sobre  suas  desilusões  amorosas.  Charlotte  parecia  ligeiramente  alterada,   trocando as  pernas,  enquanto  andava  tonta  atrás  de  uma  árvore  para  se  escorar , com  um  copo   na  mão,  talvez  o  seu  décimo  ou  vigésimo. Jamais saberíamos.  Elisa  e  eu  observamos  de  longe,  incrédulas.  Nos  entreolhamos  por  alguns  segundos  e  decidimos  intervir.   Sério… qual o  problema de  vocês?  –  perguntou Elisa com as  mãos na  cintura e   olhando para ambas com muita fúria.  Raquel  nos  olhou  assustada  e  Charlotte  m*l  conseguia  levantar  seu  rosto  para  ver  o  que  estava  acontecendo.   Vocês  sabem  que  temos  horário  para  voltar.  Se  a  Sra.  Clarice averiguar  o  nosso  chalé  e  vocês  não  estiveram  lá,  todas  nós  seremos  punidas  –  falei  tentando  parecer  brava  o  bastante  para  amedrontá-las.   E  se  isso  acontecer,  vocês  terão  um  grave  problema  comigo.  – ameaçou  Elisa, com seus amendoados e gigantes, de onça selvagem.   Não  sei  se  consigo  voltar  -  disse  Charlotte  com  dificuldade.   Vou  te  ajudar.  Mas precisa nos prometer  que  não  vai  fazer barulho  e  chamar  atenção  até chegarmos  ao  chalé  –  disse  eu  me  aproximando  de  Charlotte para  ajudá-la  a  se  levantar.   Elisa  e  eu  carregamos  Charlotte  até  o  chalé,  lhe  passando  sermões, aos sussurros,  durante  todo  o  caminho.  Raquel  ficou  encarregada  de  sumir  com  os  cigarros  e  as  bebidas  para  não  levantar  suspeitas.  Quando  chegamos,  Elisa  se  prontificou  a  dar  um  banho  em  Charlotte  e  colocá-la  para dormir.  Depois  de  mais  algumas  broncas,  as  duas  se  desculparam  e  adormeceram.  Elisa  e  eu  ficamos  na  varanda,  exaustas.   Que sorte  Clarice  não  ter  nos  pegado  –  disse  Elisa, fitando Verônica e Felipe voltarem do matagal.   Sim,  ela  deve  estar  ocupada  com  os  outros  chalés.  Obrigada  por  me  ajudar  com  as  meninas.  - Comentei, lhe esboçando um sorriso que, pela primeira vez, era realmente sincero. -  Não  precisa  agradecer.  Somos  um  grupo.  – respondeu Elisa  sorrindo  para  mim.   Retribuí  o sorriso,  e  ficamos  na  varanda  conversando  por  alguns  minutos  até  que  decidimos  entrar  para dormir .  Ao  me  deitar,  pensei  nos  últimos  acontecimentos,  talvez  eu  estivesse mesmo  enganada  sobre  ela.  Elisa  agora  já  não  me  parecia  aquela  pessoa  tão  h******l  como  imaginei  que  fosse  inicialmente.  Talvez  Ana  fosse  só  exagerada demais.  Acreditei  que  Elisa  devia  mesmo  ser  legal,  afinal  de  contas,  o  Beto  se  apaixonou  por  ela, e  ele  sempre  distingue  muito  bem  pessoas  boas  de  pessoas  ruins.  

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