Eu fui capturada pelo gesto, com a boca seca de choque. As mãos dele eram exatamente como as mãos de qualquer homem — eu já as tinha visto antes. Claro: ele tinha cinco dedos, bastante normais; mas cobertos por um pelo curto e branco (naquele momento acastanhado pelo sangue seco) e com garras amareladas, curtas e finas, de aparência dura, afiadas. Eu não conseguia deixar de notar todos aqueles detalhes, porque, no fundo, eu tinha medo de que ele pretendesse usar aquelas unhas em mim e me despedaçar. Era confuso: uma parte de mim queria gritar como uma louca, pular pela janela, chegar ao jipe e fugir em alta velocidade; e a outra parte tentava me dizer que o melhor era não me mexer e não olhar nos olhos dele. Aqueles olhos profundos, calculistas. Apesar das feições lupinas, havia algo muit

