Prefácio

1123 Palavras
Prefácio Fazer o prefácio deste livro é, para mim, uma grande honra. Posso dizer que, ao lê-lo, fiz a oficina do Xaile Sagrado, pois lê-lo foi trazer à luz partes de mim. Li-me, ouvi-me, vi-me, senti-me e entrei em processo de autoterapia, como acredito que acontecerá a muitos leitores. Li com o olhar de terapeuta e percebi que é ilusão pensar que, quando fazemos um trabalho com os outros, somos isentos de nós. Estive com Deusas mulheres sem perceber que também estava a falar de mim. Das minhas dores, das minhas limitações, das minhas vulnerabilidades, das minhas forças, dos meus dons, talentos e virtudes. Partilhei uma história, a minha história, e vi-me refletida na história de todas elas, através dos ensinamentos e aprendizagens de uma vida já vivida. Espelhos de uma ciclicidade em movimento. Nas histórias de cada uma é possível vermo-nos, revermo-nos e encontrarmo-nos. Na história da Psiquê, encontrei partes de mim. Memórias guardadas em segredo que Psiquê teve a coragem de trazer à luz. Psiquê é a representação da alma humana e do seu esforço para evoluir. É a alma que se revela em todas nós, salva pelo Eros da Irmandade. Deméter uma amiga de longa data, uma companheira de jornada, foi trazendo a sua sensibilidade e verdade na sua forma tão especial de ser mãe de família. O orgulho na sua obra de Deusa contemporânea, que muitas vezes foi inspiração para mim. Brigitte, revelou a donzela amante da poesia, da música e de todas as formas de arte. Mulher de sensualidade escondida atrás do seu olhar doce e meigo. Uma mulher pronta, masque ainda não sabe, como acontece a tantas de nós. Uma mulher que busca respostas que habitam no seu coração, somente à espera de serem ouvidas. Isis é a Deusa que ainda traz consigo o véu da dualidade e a promessa de uma alma ainda adiada que se vai revelando com a força da paixão. Mulher corajosa de enorme potencial que aos poucos vai florescendo. Ártemis é a nossa Deusa exploradora. Audaz, destemida, revolucionária e lutadora. Ama com coragem e lealdade. Tem o poder pessoal bem trabalhado e a certeza do que quer. Luta pelo direito à felicidade e alegria. O direito à vida, sem limites, sem medos. Hathor uma verdadeira força da natureza, mulher dual nas emoções e na capacidade de grandes recomeços e dolorosos finais. Intensa, verdadeira, sem véus, inteligente, viva e corajosa. Ela é a polaridade do masculino e feminino em conflito, mas sempre em movimento. Ela dança para o medo, para a coragem, para a abundância e para a escassez, para a dor e para a alegria. Hera é uma Deusa ainda às voltas com o seu Zeus. Mulher de força que quando vista, ouvida e sentida revela a força de uma companheira leal e presente. Mulher que persegue o seu direito a ser reconhecida como Rainha que é, e a recuperar tudo o que lhe pertence. Atena, curiosa, estudiosa, pronta para aprender sobre tudo o que a desperta e ressoa na sua alma. Conhecedora e sempre pronta para dar uma palavra de ajuda no florescer de quem chega a si. Mulher flexível e pronta para os desafios da vida. Trebaruna é a aurora dos começos e recomeços. Sorriso aberto e olhar meigo, anunciando de forma tímida a esperança de um novo dia. Ela é o mistério, o calor, a força e a coragem. Traz consigo a frescura e a energia da manhã para o novo dia que sempre chega. Bandonga é uma Deusa cautelosa que se vai revelando aos poucos onde mistério e timidez confundem-se, revelando um carisma escondido em virtudes e fortes valores. Mulher de grande sensibilidade e riqueza interior. Uma luz tímida que pacientemente aguarda o seu momento para revelar todo o seu brilho interior. Afrodite é uma Deusa com cheiro amar. Mulher que traz com ela o direito aos prazeres da vida. O prazer de ser mulher, amante, mãe, companheira, amiga, tudo. Amiga que sabe reconhecer nos outros aquilo que por vezes não acredita que habita em si. Perséfone é uma Deusa por quem tenho um especial carinho e por vezes sinto-me Deméter desta Perséfone que tanto potencial traz para ser revelado. As suas descidas ao mundo de Hades são cíclicas, como acontece a tantas e tantas de nós, mas é assim que vai desabrochando a sua Hécate ainda em construção. Em todas elas consegui ver partes de mim pois “quando me encontro com o outro tenho sempre noticias de mim” Quando comecei a ler o livro pensei que seria uma leitura fácil, rápida e indolor, mas não foi. Chorei, ri, pensei, escrevi, relembrei, fiz catarse, resolvi, cresci. Muitas vezes tive que parar, sentir, integrar, curar. Estes trabalhos de alma mexem sempre com memórias, feridas, crenças, padrões e gatilhos. O objetivo é sempre o despertar, a transformação e a cura, mas estes caminhos não se fazem sem alguma dor. Lê-lo foi também tomar consciência do impacto que temos nos outros. O que dizemos, o que transmitimos, o que o outro ouve e como ouve, interpreta e processa é algo que nem sempre temos acesso. Cresci com o testemunho da Psiquê, como estou certa de que acontecerá com os leitores. Pois ao depararmo-nos com as suas questões, reflexões, dúvidas, inquietações, sonhos e desilusões, tive notícias de mim. Sinto que hoje sou mais… Expandi e transformei-me. Tornei-me mais consciente, mais humilde, mais humana, mais inclusiva, mais cuidadosa, mais cuidadora e mais atenta. Este livro é também um retrato dos círculos de mulheres, onde encontramos verdade sem máscaras e preconceitos. Onde temos lugar para sermos quem somos, com as nossas forças e fraquezas. Espero que este livro traga a quem o ler o conhecimento do que são os círculos de mulheres. Círculos onde tiramos o véu e nos despimos da dor, do medo, culpa e vergonha. Círculos onde partilhamos experiências, conhecimentos e sensibilidades e ousar darmo-nos desta forma, numa sociedade que critica, julga, humilha, rejeita, abandona, exige perfeição onde ela não existe, é preciso ter coragem e confiar. Espero que este testemunho traga a confiança para aquelas que ainda duvidam que existe irmandade entre mulheres e da existência de lugares onde se praticam medicinas, conhecimento empírico, académico e ancestral. Lugares onde se partilham experiências e memórias, sentimentos e emoções. Que as histórias destas mulheres Deusas, seja um testemunho do que é ser Mulher. Que a leitura deste livro se transforme numa medicina de experiências e memórias de uma jornada de vida, onde tantas vezes nos revimos e descobrimos as nossas dores, pois somos todos terapeutas da alma. Grata a todas estas Deusas maravilhosas. Mulheres sagradas e corajosas. Mulheres heroínas. Mariette Capinha. Hécate. Quando tu mudas, tudo muda. Quando tu mudas, a tua realidade muda. Quando tu mudas, o mundo muda. PERSONAGENS
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