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O campo e o destino

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Sinopse

Verônica sempre acreditou que o amor poderia vencer qualquer coisa. Desde a adolescência, seu coração pertence a Gregório Silveira, o goleiro talentoso do time do colégio, um garoto focado, determinado e com um futuro promissor no futebol.Tímida, mas cheia de sentimentos, ela tenta se aproximar mediante cartas, bilhetes e palavras que nunca tiveram resposta. Gregório, preso entre os treinos intensos e a pressão para terminar o ensino médio, não tem tempo para distrações — e acaba deixando para trás o que poderia ter sido o início de uma grande história.Anos depois, Verônica realiza seu sonho e se torna repórter. Gregório, por sua vez, se transforma em uma promessa do futebol. O que nenhum dos dois imaginava era que o destino ainda tinha um reencontro marcado… e uma manchete capaz de mudar tudo.Entre escolhas, arrependimentos e sentimentos guardados por tempo demais, eles vão descobrir que algumas histórias não terminam no primeiro capítulo — apenas esperam o momento qualificado para recomeçar.Entre gols e destinos, o amor pode ser a maior vitória.

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O bilhete
O sol castigava o campo de futebol naquela tarde. A grama parecia ainda mais amarela sob o calor, e o ar carregava o cheiro de poeira misturado com o suor dos jogadores. O barulho da bola batendo no chão e os gritos do treinador dava para ser escutado por todo espaço daquele campo, era como se só existisse a voz dele. Gregório Silveira estava no gol. Com luvas firmes nas mãos e o uniforme verde colado ao corpo, ele se movia rápido, atento, como se cada defesa fosse uma decisão de vida ou morte. Os colegas corriam, chutavam forte, e ele se lançava sem medo, ignorando a dor nos joelhos e a ardência do sol na pele. Para Gregório, aquilo não era apenas treino. Era o seu futuro. Era destino dele que estava ali. Do outro lado do campo, escondida atrás de uma árvore grande, Verônica observava em silêncio. O coração dela batia rápido, quase como se estivesse correndo com os jogadores. Ela apertava um caderno contra o peito e respirava fundo, tentando controlar a ansiedade. Ela não estava ali por acaso. Ela estava ali por ele. Verônica tinha dezessete anos, cabelos curtos e loiros, e um olhar tímido que sempre fugia quando alguém encarava por muito tempo. Mas, quando olhava para Gregório, parecia esquecer o mundo inteiro. Aquele era o garoto que ela amava desde a adolescência. Desde o primeiro dia em que o viu correndo no pátio da escola, com a mochila jogada no ombro e o sorriso fácil no rosto. Desde então, tudo mudou. Ela nunca teve coragem de dizer em voz alta, mas escrevia sobre ele. Escrevia como se as palavras pudessem fazer o impossível acontecer. E talvez pudessem. — Você vai ficar aí parada até quando? — Leandra perguntou, surgindo ao lado dela com um sorriso malicioso. Verônica se assustou. — Leandra! Você me deu um susto… A amiga riu. — Eu sabia. Você está aqui de novo, né? Olhando-o como se fosse uma novela. Verônica corou, apertando ainda mais o caderno. — Eu só… queria ver ele jogar. Leandra estava com os braços cruzados, observando a cena. — E o bilhete? Você escreveu ou não escreveu? Verônica hesitou. Abriu o caderno devagar e arrancou uma folha dobrada com cuidado. A letra dela era delicada, bem desenhada, como se cada palavra carregasse um pedaço do coração. Leandra pegou o bilhete e olhou por cima. — Está perfeito. Agora só falta entregar. — Eu não consigo… — Verônica sussurrou. — Consegue sim. E se não conseguir, eu entrego. Verônica arregalou os olhos. — Você? — Eu mesma. Alguém precisa fazer esse amor andar, né? Antes que Verônica respondesse, Leandra já estava atravessando o campo com passos firmes. Gregório estava no meio do treino, suado, respirando pesado, irritado com os erros do time. O treinador apitou. — Intervalo! Cinco minutos! Gregório caminhou até a sombra de uma árvore e pegou uma garrafa de água. Quando levantou o olhar, viu Leandra se aproximando. Ele franziu a testa. — O que foi agora? Leandra sorriu sem graça, mas continuou. — Greg, isso é para você. Ela estendeu o bilhete. Gregório pegou sem interesse, como se aquilo fosse só mais um papel qualquer. — Valeu — respondeu, seco. Leandra não disse nada. Apenas virou as costas e saiu rápido. Verônica assistia tudo de longe, com as mãos tremendo. Gregório abriu o bilhete sem pressa. Leu apenas as primeiras palavras, depois soltou um suspiro impaciente. — Mais um… — murmurou. Com a mesma facilidade com que agarrava uma bola difícil, ele amassou o papel e jogou na lata de lixo ao lado do banco. Verônica sentiu o peito apertar. A garganta travou. Era como se, junto do bilhete, ele tivesse jogado fora tudo o que ela guardava há anos. E ela ficou ali, parada, tentando não chorar… enquanto o apito do treinador anunciava que o jogo continuava. Ela decidiu que não pensaria mais nele. Nem escreveria mais. Seria um amor esquecido, um adolescente que só existia dentro dela. Era hora de esquecer. Com o coração apertado e os olhos marejados, Verônica se afastou do campo apressada, sem olhar para trás. Na pressa, deixou o livro de Química cair perto da árvore onde costumava se esconder… e nem percebeu. O treino estava encerrado. O treinador Cláudio dava as últimas orientações, pois o próximo jogo seria no final de semana: a grande final. — Quero foco total! — ele dizia, sério. — Nada de distração. A vitória depende de vocês. Em seguida, solicitou que os jogadores e os dois goleiros fossem para o vestiário tomar banho e se prepararem para ir para casa. Enquanto o time se dispersava, Rodolfo e Lucas ficaram responsáveis por auxiliar o treinador a recolher as bolas espalhadas pelo campo. Foi então que Rodolfo avistou algo caído perto da árvore. — Ei, Lucas… Olha isso. Ele se aproximou e pegou o livro. Era um livro de Química. Rodolfo folheou rapidamente e viu o nome escrito na primeira página, com uma letra delicada e bem desenhada. Ele franziu a testa, reconhecendo que aquilo era de alguma aluna. Minutos depois, já no vestiário, Rodolfo entrou segurando o livro e foi direto até Gregório. — Greg… encontrei isso perto da árvore. É de uma aluna do terceiro ano. Acho que é da sua sala. Gregório pegou o livro sem muita atenção, mas no mesmo instante seus olhos pararam na capa. A letra era conhecida. Ele já tinha visto aquela escrita em trabalhos, provas… e até em bilhetes. Ele respirou fundo. — Tá… devolvo amanhã — respondeu, tentando parecer indiferente. Rodolfo deu de ombros e foi se trocar. Gregório também pegou sua mochila e foi para o banho, mas algo dentro dele parecia inquieto. Como se uma lembrança insistisse em voltar. Gregório não imaginava que o bilhete fosse dela. Verônica sempre foi tímida, sempre mais na dela. Na sala de aula, era calada, discreta, concentrada nos deveres e nas atividades escolares. Enquanto as outras meninas riam alto, cochichavam e tentavam chamar sua atenção, ela permanecia em silêncio, como se Gregório nem existisse. E talvez fosse exatamente isso que o intrigava. Gregório a observava com curiosidade… e, às vezes, até com admiração. Verônica era bonita, mas não parecia se importar com olhares ou elogios. Ela não o encarava nos olhos por muito tempo. Nem dava indiretas, muito menos fazia brincadeiras. Apenas fazia o que precisava ser feito, falava o necessário, era a certinha do grupo. Aquela postura o deixava confuso. Pois teve uma vez que fizeram um trabalho juntos. Verônica foi direta e objetiva. Falou apenas o necessário, mas tudo com tanta clareza que Gregório não teve do que reclamar. Pelo contrário… ele se surpreendeu. Ela era inteligente, organizada e parecia sempre saber exatamente o que dizer. Já Leandra era completamente diferente. Leandra era intensa, falava o que pensava, ria alto, não tinha vergonha de nada. Do tipo que entrava em qualquer lugar e já se sentia dona do ambiente. Por isso, quando ela apareceu no campo e entregou o bilhete, Gregório teve certeza de que era dela. De quem mais seria? Mas, quando Rodolfo entrou no vestiário segurando o livro de Química e disse que o havia encontrado perto da árvore, Gregório pegou o material sem muita atenção… até seus olhos caírem no nome escrito na capa. Verônica Santana. A letra era delicada, já que reconhecia aquela grafia, nas provas, trabalhos e atividades. A mesma letra que ele já tinha visto tantas vezes. O coração dele falhou por um segundo. Como fora i****a. Então, engoliu em seco. Verônica… aquela menina quieta. A aluna é exemplar. A garota que sempre tirava boas notas. A única que nunca tentou chamar sua atenção. Então… era ela. Era ela quem gostava dele. A ideia parecia absurda, mas, ao mesmo tempo, fazia sentido de um jeito que ele não sabia explicar. Era como se todas as peças se encaixassem de repente. Gregório guardou o livro na mochila, tentando disfarçar a inquietação. Mas, por dentro, estava completamente tomado pela ansiedade. Ele só queria uma coisa: Que todos fossem embora logo. Porque, agora, ele precisava descobrir o que aquele bilhete dizia de verdade. Ele esperou todos os jogadores irem embora. Quando o vestiário ficou vazio e o silêncio tomou conta do lugar, Gregório caminhou devagar até o campo, se aproximou da lixeira. Por alguns segundos, ficou parado, olhando para ela. Então, como se estivesse lutando contra o próprio orgulho, se aproximou. Abriu a tampa. E recolheu o bilhete amassado. Ele desdobrou o papel com cuidado, alisando as marcas, e começou a ler de verdade.

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