CAPÍTULO 97 MAGRÃO NARRANDO: A solidão dentro da UTI tem um som próprio. É aquele bip constante das máquinas, o ar gelado passando pelos tubos, o cheiro forte de desinfetante… e a sensação de que o mundo inteiro tá girando lá fora enquanto você tá preso num quarto onde o tempo não anda. Eu tava ali. Sozinho. Sem entender p***a nenhuma. Olhei pro teto branco, pras luzes frias, e tentei puxar alguma coisa da minha cabeça. Uma lembrança. Um nome. Uma imagem. Uma voz. Qualquer coisa. Mas a única coisa que vinha era um vazio enorme. Um buraco preto que engolia tudo antes de eu conseguir segurar. Meu peito começou a subir e descer mais rápido. Meus dedos tremiam. Eu tentava respirar fundo, mas parecia que o ar não chegava. Algo dentro de mim gritava que tinha algo muito errado, mas eu

