— É distante porque ninguém tentou antes. Mas agora tem você. A campainha mental do arroz apitou na minha cabeça. Levantei devagar pra não derrubar a cabeça dela, que estava apoiada em mim, e voltei pra cozinha. — Yas, pega os talheres pra mim? — pedi. Ela foi. E foi aí que eu me peguei pensando no que eu não tinha contado pra ela: no Magrão. Naquele momento exato em que estávamos saindo da escola, no finalzinho da tarde, eu tinha visto ele passar de moto. Ele olhou pra Yas. Não foi um olhar longo, nem cheio de intenção… mas tinha algo ali. Algo frio, calculado, distante. Um reconhecimento? Curiosidade? Sei lá. Eu conhecia o tipo. O tipo de homem que vive da rua, que respira da rua. Não é pra professora nenhuma, ainda mais uma como Yasmin, cair num enrosco desses. Sacudi a cabeça, e

