— Rafa… para. — Ah, vai se fazer? Até o cachorro do vizinho percebeu. Fingi que não ouvi. Apenas tomei a cerveja e segui em direção ao som. O grupo começou a tocar uma música mais animada, uma daquelas que faz a perna querer se mexer sozinha. Rafaela me puxou sem aviso. — Vem, bora pro meio. — Rafaela! — Anda logo! Ela me arrastou pra roda. A galera abriu espaço como se já tivesse esperando. Os instrumentos aceleraram. A palma da galera acompanhou. O cantor chamou no gogó: — É hoje que o pagode vai pegar fogo! Rafaela começou primeiro, rebolando leve, girando o quadril como quem nasceu com música na alma. Eu, mesmo tentando me manter calma, já sentia o corpo pedindo passagem. A energia do pagode faz isso com a gente. Quando percebi, já estava junto, marcando no pé, braço solto, qu

