114- YAS-2

807 Palavras

Os olhos dele brilharam de raiva… e alguma coisa mais. Algo que ele não queria mostrar. — Não fala do que tu não sabe. — Eu sei sim — respondi, mais baixo. — Sei porque vejo todo dia. Sei porque ensino essas crianças a escrever o próprio nome enquanto escuto tiro lá fora. Sei porque elas perguntam se Papai Noel entra no morro mesmo com barricada. Ele fechou os olhos por um segundo. Só um. — Dá seus pulo, Magrão — completei. — Não tem acordo. As crianças vão ter Natal. Quando ele abriu os olhos de novo, o olhar estava duro, mas diferente. — Tu não aprende mesmo a ficar quieta, né? — Não — falei. — Não quando é por elas. O silêncio voltou. Longo. Pesado. Eu sentia as pernas fracas, mas mantive a postura. — Some daqui antes que eu mude de ideia — ele disse, por fim. — E não vem mais

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