CAPÍTULO 71 MAGRÃO NARRANDO: A noite tinha caído pesada no morro, daquele jeito abafado que gruda na pele e deixa o ar grosso. Eu saí da boca com o corpo latejando. As costas doíam, a cabeça tava cheia, e cada passo parecia chumbo grudado no meu tênis. O calor tava um inferno. Até o asfalto parecia respirar quente. Quando passei pelo beco, uns dos vapor me chamaram: — Aê, chefe! — o Moleque gritou, abanando um pano no rosto suado. — Vamo tomar uma breja lá no bar do Seu Dito! Tá calor da p***a! Outro levantou a garrafa, sorrindo. — Só uma, Magrão! Geladona! Hoje tá pedindo! Eu olhei pra eles rápido e balancei a cabeça. A voz saiu seca, sem espaço pra insistência. — Não. Hoje não. Vou pra casa. Eles se entreolharam, certos de que minha negação tinha nome. E tinha mesmo. Mas ning

