CAPÍTULO 92 GRINGO NARRANDO: Eu parei na porta da UTI por alguns segundos antes de entrar, tentando juntar força onde já não tinha mais nada. O corredor inteiro cheirava a desinfetante, aquele cheiro frio que parece entrar na alma da gente. A luz branca demais, o silêncio pesado… tudo aquilo já dava vontade de sair correndo. Mas eu não podia. Não agora. Respirei fundo, mesmo que o ar não entrasse direito, e empurrei a porta. O barulho das máquinas foi a primeira coisa que me acertou. Um bip constante, firme, marcando um ritmo que parecia não combinar com a imagem que eu vi quando meus olhos encontraram ele. Magrão. Meu irmão. Meu parceiro de vida inteira. Ele tava deitado, imóvel, cheio de tubos, agulhas, fios colados no peito, o respirador fazendo o peito dele subir e descer de um

