CAPÍTULO 53 MAGRÃO NARRANDO: A tarde tava morna, daquele jeito preguiçoso que deixava o morro quase ronronando. Eu tava jogado na cadeira da boca, cotovelo apoiado, baseado pendendo no canto da boca, a mente… longe. Mais precisamente nela. Yasmin. Aquela mulher tinha grudado em mim igual tatuagem feita na madrugada: impossível ignorar, impossível esquecer. Eu tava ali pensando se chamava ela pra jantar hoje, nada demais, só uma desculpa pra ver ela de novo, ouvir aquela risadinha debochada, sentir o cheiro dela perfumando o ar. Só a ideia já me deixava inquieto. Foi aí que o rádio raspou do meu lado, me arrancando dos pensamentos. Prrt—prrrt. — Chefe, deixaram um envelope na entrada do morro. Disseram que era pra você. Arqueei a sobrancelha, aquele tipo de alerta frio subindo pela

