capitulo 30 Catarina

2274 Palavras

E ali, naquela madeira velha, entre o suspiro e a lágrima contida, ele me deu a absolvição. Não como castigo. Mas como arma. Fiquei alguns segundos em silêncio. Não por falta de palavras. Mas porque, pela primeira vez em dias, eu conseguia respirar sem sentir que tinha algo me apertando por dentro. O confessionário cheirava a madeira antiga e incenso guardado em décadas. Cheiro de coisa que já ouviu muitos pecados… e ainda assim não se esgotou. Ouvi o leve atrito da batina do outro lado. O padre se mexeu devagar. — Catarina… — ele chamou baixo, sem cobrar, sem impor. — A Rita vai comigo até o orfanato agora de manhã. As crianças estão esperando a catequese. Houve uma pausa curta. Um intervalo que parecia teste. — Você gostaria de ir também? Meu corpo inteiro reagiu antes do p

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