Capítulo 4

1248 Palavras
A noite tinha sido leve, agradável… cheia de risadas, histórias e aquele clima gostoso de amizade. O vinho foi se tornando companhia constante, e quando perceberam, já era tarde demais para voltar cedo. Na volta para casa, Pablo e Sophia estavam em sintonia. Trocaram olhares cúmplices durante todo o caminho, como se o mundo ao redor nem existisse. Assim que entraram, o silêncio da casa foi preenchido apenas pela presença dos dois. Ele a puxou pela cintura, e ela sorriu, já sabendo o que viria. O beijo foi lento no começo, carregado de carinho, e depois mais intenso, como se aquele momento fosse só deles. A conexão entre os dois parecia mais forte do que nunca. Depois, deitados juntos, ainda próximos, Sophia fez um carinho no peito de Pablo e levantou. — Vou tomar um banho… já volto — disse ela, com um sorriso suave. Pablo assentiu, ainda envolvido naquele momento. Assim que Sophia entrou no banheiro e o som do chuveiro começou, o silêncio tomou conta do quarto novamente. Foi então que o celular dela, que estava sobre a mesa ao lado da cama, acendeu com uma notificação. Pablo olhou por alguns segundos… hesitou. Mas a curiosidade falou mais alto. Ele pegou o aparelho. Na tela, uma mensagem de Mateus. O coração de Pablo acelerou. Ele abriu. A mensagem era direta: “Gostei muito de hoje… mas confesso que não consegui parar de reparar na Sophia.” Pablo sentiu o corpo gelar. Seus olhos ficaram fixos na tela, relendo aquelas palavras como se elas pudessem mudar. Um misto de surpresa, incômodo e algo mais… talvez insegurança… começou a crescer dentro dele. O som do chuveiro ainda ecoava no banheiro. E, pela primeira vez naquela noite perfeita, Pablo já não se sentia tão tranquilo assim… Pablo ficou alguns segundos olhando para a tela, ainda tentando entender o que tinha acabado de ler. Aquela mensagem não saía da cabeça. Ele respirou fundo. Sem pensar muito, apagou a conversa. Colocou o celular exatamente no mesmo lugar, como se nada tivesse acontecido, e se recostou na cama. Quando Sophia saiu do banho, com os cabelos ainda molhados e aquele sorriso leve de sempre, ele tentou agir normalmente. — Já deitou? — ela perguntou, se aproximando. — Já… tô cansado — respondeu ele, forçando naturalidade. Sophia deitou ao lado dele e encostou a cabeça em seu ombro. Ficaram em silêncio por alguns segundos, mas ela percebeu. — Você tá estranho… aconteceu alguma coisa? Pablo hesitou por um instante. — Não… é coisa do trabalho — disse, desviando o olhar. Ela o encarou por um momento, como se tentasse ler algo além daquelas palavras, mas acabou apenas assentindo. — Tá bom… mas se quiser falar, você sabe, né? — Sei. Mas ele não falou. E naquela noite, o sono não veio fácil. Pablo ficou horas olhando para o teto, a mente repetindo aquela mensagem como um eco insistente. “Não consegui parar de reparar na Sophia…” Cada palavra parecia ganhar mais peso com o passar do tempo. Era só um comentário? Ou tinha algo por trás? E Sophia… será que percebeu? Será que retribuiu? Esses pensamentos começaram a corroer a tranquilidade que ele sentia até então. Na manhã seguinte, ele levantou mais cedo que o normal. m*l tomou café direito. Sophia ainda tentou puxar conversa, mas ele estava distante. — Você tem certeza que tá tudo bem? — ela insistiu. — Tô, amor… só preocupado com umas coisas do banco. Mas nem ele acreditava mais nisso. No trabalho, a situação não foi melhor. Pablo, que normalmente era centrado e resolvia tudo com facilidade, se viu disperso. Errou detalhes simples, perdeu o foco em reuniões e, várias vezes, se pegou encarando o nada. A imagem de Sophia… e a mensagem de Mateus… não saíam da cabeça. A desconfiança começou a crescer de forma silenciosa, mas constante. E, pela primeira vez em muito tempo, Pablo sentiu que algo dentro dele estava começando a mudar… talvez não só em relação ao amigo, mas também ao casamento. No dia seguinte, o telefone tocou logo pela manhã. Pablo olhou a tela e viu o nome de Mateus. Por um instante, pensou em não atender… mas acabou deslizando o dedo. — Fala, irmão! — a voz de Mateus veio animada do outro lado. — Tô indo pra casa de praia hoje, pensei em vocês dois virem também. Vai ser bom, relaxar um pouco… o que acha? Pablo ficou em silêncio por um segundo. A mensagem da noite anterior ainda ecoava na cabeça dele. A desconfiança não tinha ido embora. Mesmo assim… — Pode ser — respondeu, tentando soar normal. — Vou falar com a Sophia. Quando contou a ela, Sophia sorriu na hora. — Ah, eu topo! Vai ser ótimo sair um pouco. Pablo apenas assentiu. Horas depois, os dois já estavam a caminho. O clima no carro era tranquilo por fora, mas por dentro Pablo estava atento a cada detalhe, cada palavra, cada gesto. Ao chegarem na casa de praia, foram recebidos por Mateus com a mesma energia de sempre. E, ao lado dele, estava a mesma mulher da noite anterior. Bonita, confiante… chamava atenção com facilidade. — Que bom que vieram! — disse Mateus, abraçando Pablo e depois Sophia. A mulher sorriu. — Prazer de novo — disse ela, olhando diretamente para Sophia. Pablo observou tudo. O jeito que Mateus olhava… o jeito que Sophia respondia… até o tom das conversas. Nada parecia fora do normal. E talvez fosse isso que mais o incomodava. Durante a tarde, enquanto bebiam e conversavam perto da piscina, Pablo se manteve mais quieto. Seus olhos, porém, estavam sempre atentos. Mateus fazia piadas, Sophia ria. A mulher tocava no braço de Mateus, se aproximava dele com naturalidade. Mas, em alguns momentos… Pablo teve a impressão de que o olhar de Mateus demorava um pouco mais em Sophia. Talvez fosse coisa da cabeça dele. Ou talvez não. Sophia, por outro lado, parecia completamente à vontade, como sempre. Conversava, ria, se movimentava sem qualquer sinal de desconforto. E isso só aumentava o conflito dentro de Pablo. Ele queria confiar. Mas a dúvida já tinha sido plantada. E agora, ali, naquele cenário perfeito de sol, praia e risadas… Pablo não conseguia simplesmente relaxar. Ele estava ali. Presente. Observando tudo. Esperando, talvez, por algo que confirmasse… ou destruísse de vez aquilo que começava a crescer dentro dele. A tarde foi passando devagar, com o som do mar ao fundo e o barulho das risadas preenchendo o ambiente. Tudo parecia perfeito… menos dentro de Pablo. Ele segurava o copo, mas quase não bebia. Seus olhos iam de um para o outro o tempo todo. Mateus falava, gesticulava, brincava… e Sophia ria com naturalidade. Aquela leveza dela, que antes o encantava, agora começava a incomodar. Em um momento, Sophia levantou para ir até a cozinha pegar mais gelo. A mulher que estava com Mateus foi junto, dizendo que ajudava. Ficaram só Pablo e Mateus na área da piscina. Um silêncio curto, mas pesado. — E aí… tá quietão hoje, hein — disse Mateus, dando um gole na bebida. Pablo forçou um sorriso. — Só cansado. Mateus o encarou por um segundo, como se percebesse que tinha algo ali, mas não insistiu. — Relaxa, cara… aproveita. Trouxe vocês pra isso. Pablo assentiu, mas por dentro estava longe de relaxar. Quando as duas voltaram, conversando e rindo, ele observou novamente. Reparou no jeito que Sophia se aproximava, no sorriso dela… e, por um instante, cruzou o olhar com Mateus.
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