Capítulo 6

874 Palavras
O dia amanheceu pesado. Pablo quase não dormiu. Passou a madrugada entre pensamentos, lembranças e aquela sensação amarga que não saía do peito. Quando o despertador tocou, ele já estava acordado — olhando para o teto, com os olhos cansados e a mente ainda mais. Ao lado, Sophia se mexeu devagar. — Bom dia… — disse, com a voz suave, como se nada tivesse acontecido. Pablo virou o rosto e forçou um sorriso. — Bom dia. Era estranho. Ela parecia a mesma… mas ele já não a via da mesma forma. Durante o café, Sophia comentou coisas simples, falou sobre o dia, disse que precisava sair para fazer algumas compras. Pablo apenas concordava, observando cada gesto, cada olhar, cada pausa. Tudo parecia normal demais. E isso incomodava ainda mais. — Vou ali no mercado rapidinho — disse ela, pegando a bolsa. — Tá… vai lá — respondeu ele, tentando soar natural. Assim que a porta se fechou, o silêncio voltou. Mas dessa vez, Pablo não ficou parado. O coração acelerou. Ele pegou as chaves do carro quase no automático. — Eu preciso saber… — murmurou pra si mesmo. Minutos depois, ele já estava na rua, mantendo uma distância segura enquanto seguia o carro de Sophia. Cada esquina parecia um teste. Cada semáforo, uma tensão. Na cabeça dele, mil pensamentos se misturavam. “E se eu estiver exagerando?” “E se for verdade?” “E se eu descobrir algo que não vou conseguir esquecer?” Sophia seguiu por algumas ruas… até que não foi para um mercado. Pablo franziu a testa. Ela entrou em uma rua mais tranquila, com pouco movimento, e estacionou. Ele passou direto, estacionando mais à frente, com o coração batendo forte. Observou pelo retrovisor. Sophia desceu do carro. Olhou em volta rapidamente. E então… Sorriu. Mas não era o sorriso que ela dava pra ele. Era diferente. Mais solto. Mais… íntimo. Pablo sentiu o estômago revirar. Foi quando outro carro parou logo atrás do dela. Ele já sabia. Antes mesmo de ver. Mateus desceu. Tranquilo. Confiante. Como se aquilo fosse normal. Como se não houvesse nada errado. Sophia caminhou até ele. Sem hesitar. Sem medo. E então… Eles se abraçaram. Um abraço que demorou mais do que deveria. Mais próximo. Mais carregado de intenção. Pablo apertou o volante com força, os nós dos dedos ficando brancos. O mundo parecia desacelerar ao redor dele. A mulher que ele amava. O homem que ele chamava de irmão. Ali. Na frente dele. Sem saber que estavam sendo observados. E naquele momento… A dúvida acabou. Mas a dor… Só estava começando. Pablo não conseguia desviar o olhar. Era como se estivesse preso naquela cena, incapaz de reagir, incapaz de aceitar… mas também incapaz de ir embora. Do banco do carro, ele assistia. Sophia ainda estava próxima de Mateus. O abraço terminou devagar, como se nenhum dos dois tivesse pressa de se afastar. Eles trocaram algumas palavras — Pablo não conseguia ouvir, mas via os sorrisos, a leveza, a i********e. Aquilo doía mais do que qualquer prova concreta. Não era só o que estavam fazendo. Era o jeito. A naturalidade. Mateus passou a mão no braço dela, num gesto sutil… mas íntimo demais para ser ignorado. Sophia não recuou. Pablo fechou os olhos por um segundo, tentando se controlar. Mas quando abriu novamente, viu algo que fez o peito apertar ainda mais. Sophia riu… e abaixou a cabeça, tímida. Do mesmo jeito que fazia com ele. Ou fazia. Eles começaram a caminhar juntos pela calçada, lado a lado, próximos demais. Pararam em frente a um pequeno café e entraram. Pablo demorou alguns segundos antes de reagir. A mente gritava para ele ir embora. Mas o coração… queria respostas. Ele saiu do carro, tentando manter a discrição, e caminhou até o outro lado da rua. Escolheu um ponto onde conseguia ver parte do interior do café através do vidro. Sentou-se em um banco próximo, fingindo mexer no celular. Mas seus olhos estavam lá. Neles. Dentro do café, Sophia e Mateus sentaram-se frente a frente. A conversa parecia leve… mas os olhares diziam mais do que qualquer palavra. Em um momento, Mateus segurou a mão dela sobre a mesa. Sem esconder. Sem hesitar. Pablo sentiu como se algo dentro dele tivesse sido arrancado. Sophia olhou ao redor rapidamente… e não tirou a mão. Pelo contrário. Entrelaçou os dedos nos dele. Aquilo foi o suficiente. Não havia mais dúvida. Não havia mais desculpa. Não era imaginação. Não era exagero. Era real. Cruelmente real. Pablo se levantou devagar, sentindo as pernas pesadas. Ele não entrou. Não fez escândalo. Não chamou. Não ainda. Porque naquele momento, o que ele sentia não era só raiva. Era algo mais frio. Mais perigoso. Decepção. Ele voltou para o carro, entrou e ficou alguns segundos parado, olhando para o nada. Os olhos marejados, mas sem deixar as lágrimas caírem. Respirou fundo. Uma vez. Duas. E ligou o carro. Agora ele sabia. E com a verdade nas mãos… Ele precisava decidir o que fazer com ela. Estava com muita raiva,ela poucos dias falou que iria engravidar para dar um filho para ele,e fez mil planos,e na verdade estava traindo ele,o fazendo de troxa. O ódio tomou conta do coração dele,só pensava em se vingar.
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