A primeira luz da manhã sobre o Morro do Príncipe não trouxe paz. O sol intenso iluminou um cenário de devastação. O pátio da mansão, antes um símbolo de poder, estava manchado de sangue seco, cápsulas de fuzil e os destroços fumegantes da porta blindada, que finalmente cedera ao C4, mas tarde demais. O cheiro de pólvora e ozônio pairava no ar pesado da madrugada que virava dia. O silêncio era o que mais assustava; um silêncio de exaustão e contagem de corpos. Miguel andava pelo que costumava ser o salão de festas da mansão, agora transformado em um hospital de campanha. O contra-ataque aos homens do BOPE tivera seu preço. Vários dos seus soldados, aqueles que atiraram das lajes e vielas, estavam deitados em colchões improvisados, gemendo baixo enquanto recebiam cuidados. Um médi

