05

1647 Palavras
— Vamos para a biblioteca? — Cleo questionou, seguindo Tyler. Ele andava tão rapidamente por um corredor vazio que ela m*l conseguia acompanhar ele. — Não, vamos para o meu quarto — Tyler respondeu, parando em frente a uma porta, abrindo a mesma com uma chave tirada do bolso. — Para o seu quarto? — Cleo perguntou, parando em frente a porta. — Qual o problema? — Tyler entrou e se jogou em uma das camas. — Você não acha que eu vou atacar você, não é? — Ele olhou para ela com as sobrancelhas erguidas. — Além disso, crianças não fazem meu tipo. Apesar daquilo, Cleo permaneceu parada na porta, com receio. Ela nunca havia entrado no quarto de garotos antes, e naquela altura da vida sabia que garotos só queriam uma coisa das garotas. — Você tem medo do que eu posso fazer com você no meu quarto? — Tyler questionou com um sorriso nos lábios, observando os movimentos de Cleo. Ela cruzou as mãos em frente ao corpo, olhando em volta e se perguntando se deixaria mesmo Tyler ganhar essa ao pensar que tem controle sobre ela, então, por fim, entrou no quarto encarando ele com um olhar de vitória. — Feche a porta — ele falou, ainda com uma sobrancelha arqueada. Cleo permaneceu alguns segundos com a mão sobre a maçaneta antes de fechá-la e ir até Tyler com um olhar de quem diz que ele não é capaz de intimidá-la, e sentou na cama do lado oposto. — Você chamou o Charlie? — Ela questionou, cruzando suas pernas e repousando suas mãos sobre o colo. — Não, eu não sei aonde ele está e não me interessa. Como eu te vi dando em cima do filho rejeitado resolvi te chamar. — E como vamos estudar sem ele, i****a? — Eu não estou nem aí. — Ele deu de ombros, fechando os olhos por alguns segundos. — Gostou do meu quarto? — Odiei, é bem a sua cara. — O que você não gosta nele? As garotas costumam adorar. — Se com garotas você quer dizer a Emma, então pode ser, mas nem ela aguentou você. Que pena! — Você disse que iria me ajudar a conquistar ela. — Isso foi antes de você me chamar de pirralha e dizer que não precisava da minha ajuda. — Cleo suspirou, cansada daquela discussão. — E aí, vamos fazer o trabalho? — Vamos, mas primeiro precisamos de algumas coisas da biblioteca e do armazém da escola. — Então o que viemos fazer no seu quarto? — Eu fiquei com preguiça de ir até a biblioteca. Eu só preciso descansar um pouco e aí vamos. Cleo encarou Tyler por alguns segundos, incrédula com aquela atitude antes de se deitar na cama do seu colega de quarto também. — Você ama ela de verdade? — Cleo questionou com voz baixa, fitando o teto. — Quem? — A Emma. — Eu gosto dela, gosto bastante. — Gostar não é o suficiente, Tyler. Por quê quer ela de volta se não a ama? — Qual a diferença entre gostar e amar? — Tyler deu de ombros, indiferente. — É a mesma coisa. Dizer isso para a cupido era como profanar Deus para os religiosos e Cleo respirou fundo, contando até dez para não revelar sua verdadeira identidade e começar uma discussão, antes de prosseguir: — E você partiu o coração dela? — Está insinuando que eu sou o tipo de cara que leva o fora ao invés de dar o fora? — Ele se virou na cama para encará-la com curiosidade. — Foi ela quem partiu o meu quando terminou tudo por causa de uma confusão com o meu pai, depois eu descobri algo... eu não quero falar disso. — O que aconteceu? — Ela insistiu, também se virando para encará-lo. — Qual parte do "eu não quero falar disso" você não entendeu? — Por quê você é tão grosso? — Você desperta o pior em mim, não posso fazer nada. — Deu de ombros. — Acho que é porque você é extremamente irritante. — Ah, eu sou irritante? Você me tirou do meu tour com o Harry e me arrastou para seu quarto. — Eu te salvei de um tour super entediante com o i****a do Harry, me agradeça. — Você pode não falar assim? Ele é meu amigo. — Sim, amigo. Sabe por que ele não tem namorada mesmo sendo o rei do colégio? É porque ele não é bom o suficiente. — Você já testou? — Algumas meninas me contaram. Acho que ele não é bom de fazer filho como o pai, que pena. — Você só sabe falar disso, que chato. — Cleo revirou os olhos e se virou para o outro lado, para impedir contato visual com ele. — Você é virgem? Cleo era virgem de todas as formas possíveis, nunca havia beijado, estado com um garoto ou até mesmo tocado em um garoto, mas ela estava doida para conhecer as melhores sensações que o mundo tinha a oferecer, e pretendia fazer isso antes de voltar ao Olimpo e pra gaiola que criaram para ela. — Você é — ele concluiu quando ela não respondeu. — Você é tipo aquele 5% da sociedade que nunca fez nada na vida. Como você se divertia? Ela se divertia cuidado das histórias de amor da vida alheia, fazendo travessuras com os humanos ou voando sem rumo por aí, mas agora nem suas asas ela tinha. — Você pelo menos já beijou alguém na vida? — Ele continuou com o questionamento. — Você pode parar com isso? Não é da sua conta. — Você é do meu trio, então importa sim. Vou fingir que estou dormindo, assim ele para de incomodar, Cleo pensou fechando os olhos tranquilamente. — Você é muito puritana, não dá nem pra imaginar. — Tyler começou a rir descontroladamente. Ele parou quando Cleo não deu bola para suas provocações e um silêncio constrangedor pairou entre os dois, onde o único som ouvido eram suas respirações altas. — Posso te ensinar, se quiser — ele disse após alguns minutos. — O quê? — Cleo se virou para ele com o cenho franzido. — A beijar — respondeu como se fosse óbvio e sem pudor. — Você me ajuda com a Emma e eu te ajudo nisso, assim você não passa vergonha quando for beijar o Harry. — Como eu vou saber se você não quer se aproveitar de mim? — Você não faz meu tipo, eu já disse, pirralha. É melhor aceitar agora porque a minha boa vontade está indo embora. Cleo pensou por alguns segundos, mordendo o lábio inferior, listando tudo o que poderia dar errado naquilo e por fim concluiu que, por mais que desse tudo errado, seria história para contar. — Ok. — Ela concordou com a cabeça, se sentando na cama. — Mas eu não quero nenhum tipo de piadinha ou bobagens da sua parte. — Eu sou a pessoa mais séria do mundo. — Ele sorriu de lado, balançando a cabeça. — Vem aqui. — Para quê? — Como para que, pirralha? Você quer que eu te beije mentalmente ou por telepatia? Cleo cruzou os braços, erguendo as sobrancelhas e Tyler suspirou, suavizando sua expressão. — As pessoas precisam estar perto para ser beijar — ele reformulou sua resposta e falou com calma. — Ou vai me dizer que também não sabia disso? — É claro que eu sabia! — Revirou os olhos e sentou ao lado dele, tomando cuidado para não encostar sua perna na dele. — Vamos logo com isso. — Só segue a minha língua. Tyler colocou a mão na bochecha dela, se aproximando o suficiente para Cleo conseguir sentir a respiração dele em seu rosto e seus olhos estavam fixos na boca de Tyler, que umideceu os lábios alguns segundos antes de chegar mais perto. Seu coração queria explodir e ela desejava mentalmente que Tyler não pudesse escutar seus batimentos cardíacos que gritavam em seu ouvido, fazendo pequenas gotículas de suor surgirem em sua testa. — Não sei se consigo. — Ela parou ele assim que sentiu a ponta dos lábios dele encostar nos seus. — Não pense muito, só feche os olhos e eu faço o resto. Cleo concordou com a cabeça e fechou os olhos. A mão quente de Tyler ainda estava na sua bochecha e ele passou seu polegar no canto da boca de Cleo, causando arrepios por todo seu corpo. Depois de alguns segundos esperando que Cleo se acostumasse com aquela sensação, Tyler finalmente colou seus lábios nos dela de forma lenta e calma. No início, Cleo não sabia o que fazer, até ficou tentada a rir quando a língua de Tyler encostou em sua boca, pedindo passagem e ela cedeu, absorvendo e guardando em sua mente as emoções que ganhava com aquilo, e quando o beijo já estava no final, ela colocou as mãos envolta do pescoço de Tyler. Finalmente havia aprendido a beijar. Tyler se afastou dela quando Cleo quis aprofundar o beijo, limpando a garganta com constrangimento, enquanto Cleo limpou a boca e olhou para seus pés inquietos no chão. — O que achou? — Ele perguntou. — Acho que preciso fazer outra vez para garantir que realmente aprendi — ela respondeu, inclinando a cabeça. Tyler franziu as sobrancelhas e fez cara f**a, então Cleo empurrou o ombro dele de leve. — É brincadeira! É óbvio que não quero te beijar outra vez! — Parecia que você estava gostando. — Eu sou uma boa atriz, é o que dizem. Agora eu estou pronta para finalmente beijar o Harry. — Se ele quiser. — Estamos trabalhando nisso. E, por falar em trabalho, precisamos fazer o nosso, então vem. Cleo se levantou rapidamente e o chamou com a mão, abrindo a porta e saindo do quarto, esperando que Tyler seguisse ela.
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