Murilo Ferreira
Primeiramente sinto meu corpo quente, algumas partes doloridas, mas não posso negar que senti muito prazer nos braços de um certo alguém ontem à noite, sinto os braços me apertarem contra um corpo forte e musculoso, pela primeira em muitas décadas eu me sinto seguro e protegido com uma pessoa que não seja meus familiares e meu irmão por exemplo. Max tem o incrível talento de fazer com que eu me sinta relaxado na sua presença, depois de todas as ofensas e palavras de ódio destinada a mim, eu estava acostumado a esperar o pior de todos ao meu redor, a maioria das pessoas trazem consigo apenas o mais puro ódio e rancor, querem despejar em cima de você o ódio delas e as frustações delas mesmas, mas agora o mundo parece um pouco mais colorido, não conheço tudo sobre Max, mas posso ficar tranquilo. Tenho certeza disso, não tem como alguém fingir ser quem não é por muito tempo sem que ninguém perceba.
Viro na cama e fico de frente ao seu rosto bonito, suas mãos me apertam ainda mais, posso voltar no tempo, a uns anos atrás, quando eu acordava e ao meu lado tinha um mostro, sua voz, o ódio estampado em suas íris, as palavras de desprezo apenas por estar lá, por muito tempo eu pensei que aquilo era amor, mas hoje á venda que me cobria os olhos foram puxadas em apenas um pequeno sopro de uma felicidade nunca antes sentida, ontem eu soube o verdadeiro significado de f********r, é quando os dois estão preocupados não só com seu próprio prazer, mas com o prazer do seu parceiro, Max sabia o que estava fazendo lá, ele me tocava sem medo, sem reservas, buscando meus pontos de prazer, eu me senti leve, me senti... AMADO... meus olhos focam em sua boca em choque, como pode, como posso me sentir amado? Ele me amaria em tão pouco tempo? Eu o amaria em tão pouco tempo? Minha respiração acelera, começo a suar e me sento na cama depois de muito lutar contra seus braços em minha cintura, retiro o lençol sobre meu corpo e apesar de sentir aquela pontada de dor em minha b***a eu corro, mesmo pelado eu corro, fujo para o banheiro e me tranco, caindo contra a porta.
Minhas mãos estão em minha cabeça e meus cotovelos contra minhas coxas, estou suando apesar de estar sem roupa e o banheiro estar até que húmido, sinto minhas entranhas se revirarem, não posso, eu pensei na possibilidade, mas não pensei que realmente estaria acontecendo, eu me deixei tentar, mas em que momento eu abrir dessa forma meu coração para ele? Não posso! Gostar é uma coisa, agora, amar? Não posso! Não posso! Me recuso, estou respirando cada vez mais rápido, minhas mãos puxam com certa força meus cabelos, sinto falta de ar e busco por ele desesperadamente...
Não posso! Não posso fazer isso comigo novamente. Não posso permiti que meu coração me leve por esse caminho.
Sinto o bolo na garganta, queria gritar, queria tirar esse peso, meu coração pede por ele, mas minha cabeça fala que devemos afastar ele, que ele é perigo, sofrer, passar por tudo aquilo de novo, escutar palavras de ofensas, escutar palavras que me feriram e ainda ferem, foram ditas por um i****a, mas permanecem em minha cabeça até hoje, foram marcada a ferro em cada parte do meu corpo, me dilaceraram por dentro. Ele me diminuiu em cada oportunidade que teve, me humilhou em todas as vezes que eu estava em sua presença. Como deixei que aquilo chegasse a tal ponto, como aceitei aquele tipo de palavras sobre mim? Meu cérebro me alerta que passarei por tudo aquilo de novo, que todos eles são iguais aquele mostro. Devo acreditar no que ele me diz?
Meu corpo treme e me sobressalto com o leve bater na porta.
— Murilo, está tudo bem? Está aí a alguns minutos e não escuto o chuveiro. — Max diz, sua voz soa preocupada e me levanto do chão, encaro a porta e noto que estou chorando.
— Está tudo bem. — Minha voz sai tremula.
— Tem certeza? Me deixe te ver. — Meu choro sai sentido, como pude acreditar que ele faria algo r**m para mim. — Murilo. — Ele soa urgente.
Abro a porta e mantenho meus olhos grudados no chão, me dando conta que ainda estou nu, vejo seus pés descalços e noto apenas a cueca em seu corpo quando ele se afasta e volta com o lençol para cobrir meu corpo e em pegar no colo, ele senta-se comigo sobre a cama, seus braços me apertam quando sou colocado de lado em seu colo e ele deita minha cabeça em seu ombro, fico ali sentindo o cheiro de sua pele, deixo que os soluços saiam e depois de alguns minutos meu choro cessa.
Tenho certeza de que estou uma bagunça, olhos vermelhos, cabelos arrepiados, nada de brilho, apenas meu ** apagado e ofuscado.
— Você vai me falar o que aconteceu? — Max pergunta bem calmamente.
— Você sabe de tudo sobre minha vida, apenas bateu insegurança. Meu cérebro me pregando peças.
— Eu entendo seus medos, mas amor, eu estou aqui, sempre estarei, eu não vou fazer nada que possa te machucar como ele te machucou. — Meu corpo paralisa com a palavrinha a qual ele me chamou.
— Você disse o que? — Levanto a cabeça e encaro seus olhos. Eles têm um brilho lindo quando direcionado a mim. Eu não posso surtar por causa dessa pequena palavrinha.
— Eu disse que vou estar ao seu lado, sempre! — Pela sua expressão ele fala sério, o que me leva a acreditar que nem mesmo ele se tocou no que disse.
— Não foi isso. — Digo baixinho. Me sinto envergonhado em fazer ele lembrar do que disse. Pois não sei se foi apenas pela pressão louca do momento ou é porque ele realmente sente isso.
— Eu falei... — Ele parece notar o que disse quando seus olhos recaem sobre mim com conhecimento e divertimento. — É, eu realmente te chamei assim. — Ele rir, baixando a cabeça. Eu mordo meus lábios, talvez ele se arrependa do que disse.
— Você realmente quis dizer isso? — Pergunto olhando para o lado oposto que seus olhos. Sua mão docemente me faz olhar para ele.
— Sim, eu realmente quis te chamar assim. — Ele olha ao longe pelo quarto, depois volta seu olhar para quando toma uma respiração profunda. Sinto aquele frio na barriga gostoso com seu olhar sobre mim, eu saí de uma pequena crise para um momento brilhante, lá dentro eu não poderia aguentar saber que ele poderia me amar, mas estando nos seus braços parece ser a coisa mais certa, ele me amar. As pessoas são confusas, eu estou confuso, com o que sinto em relação a tudo isso, com relação a ele.
— Está tudo bem. — Ele fala, sua voz soa um pouco decepcionada, talvez por eu não ter falado algo, por não mostrar um pouco que seja de felicidade com toda essa situação. — Estamos no começo, ainda temos que viver muitas coisas, não vamos querer correr antes do tempo, eu vou estar com você, vamos passar por isso.
Depois de suas palavras de conforto, eu realmente me senti confortado, passamos alguns minutos nos braços um do outro e tomamos um banho gostoso juntinhos, serviu para que meu coração e meu cérebro relaxassem pelas próximas horas que passamos juntos, como acordamos tarde, ele me levou a um restaurante muito chic e almoçamos juntos, andamos por uma praça e acabamos tomando um sorvete nos bancos de madeira enquanto conversamos sobre nós mesmos. Mesmo com medo, aceitei que ele segurasse minha mão durante todo o passeio, sentir sua mão quente contra minha foi uma sensação desconhecida, era reconfortante, prazerosa, eram tantas coisas que eu não sabia nomear.
Na volta para minha casa ele estacionou no meio fio e me acompanhou até o portão do prédio. Segundo ele não poderia demorar, pois passou o dia todo longe do trabalho, o que me fez lembrar que ele nunca fala muito sobre o trabalho dele, quando eu já falei centenas de vezes sobre minha loja e como agora só falta marcar a data para abrir oficialmente ela, já que amanhã estarei indo lá para arrumar as peças de roupas em seu devido lugar. Assim como colocar os enfeites e decoração.
— Você nunca estende o assunto sobre seu emprego, apenas sei que escreve e mexe com livros. Você escreve livros de romance? Se sim, quero ler eles. — Falo com um sorriso em meus lábios.
— Eu nunca publiquei meus livros, na verdade eles são chatos, por isso você não gostaria de lê-los. — Ele diz nervoso, estranho sua reação. — Eu praticamente sou editor, isso não tem nada demais.
— Entendo. — Falo desanimado. — Mas imagina se você fosse o V... — Minha fala é cortada quando meu celular começa a tocar na minha mochila. — Só um minuto. — Peço a ele, pego meu celular no bolso da mochila e vejo que é alguma coisa relacionado a minha loja, já que se trata da empresa dona do shopping. Estranho a ligação, já que todos os documentos estão certos, já assinamos contrato e tudo. Com as sobrancelhas franzidas levo o celular ao ouvido.
— Oi. Murilo falando.
— Sinto em lhe informar, mas ocorreu um incêndio no shopping, sua loja foi a afetada, o incêndio começou nela e os bombeiros conseguiram impedir que chegassem nas outras. — Um arrepio r**m passou por todo meu corpo, eu simplesmente paralisei ali em pé, não consegui dizer nada, as lágrimas começaram a descer e apenas vir o olhar preocupado de Max.
— O que aconteceu? Por que está chorando? — Eu não sei o que lhe responder, e o senhor volta a falar do outro lado da linha.
— Houve muitas perdas no local, a maioria das coisas que estavam dentro foram queimadas, não conseguimos salvar muita coisa. — Todas as roupas de minha nova coleção estavam guardadas. O soluço sai forte, me curvo para frente vendo as gotas das lágrimas caírem sobre a calçada, sinto a mão de Max em meu ombro. — A polícia vai investigar a causa, eles acham que foi um curto circuito. Eu passei suas informações a eles, talvez eles entrem em contato assim que confirmarem isso, sinto muito. — Ele desliga o celular e o tiro do ouvido, me ajeito sobre meus pés e olho os carros passando apressados pela rua, está tudo acabado, eu investir meu dinheiro nesse sonho, eu coloquei todas as minhas esperanças ali, como vou reconstruir tudo? Pagar o aluguel do meu apartamento, da loja, comprar comida, boletos de água e luz? E ainda ter dinheiro para comprar tecidos para uma coleção nova? Eu perdi tudo!
— Meu amor, fala comigo. — Ele pediu, segurando meu rosto entre suas mãos macias, busco acalento ali.
— Eu perdi tudo. — Minha voz sai chorosa.
— Perdeu tudo? — Ele parece confuso. — Tudo o que?
— A loja que eu venderia minhas roupas no shopping. Pegou fogo, tudo queimou, minha coleção inteira estava lá, eu não tenho muito dinheiro para investir em tudo novamente. O que eu vou fazer? — Sua expressão está cheia de dor, ele me puxa para junto do seu corpo e me abraça.
— Vai ficar tudo bem, vamos dar um jeito nisso tudo. — Levanto minha cabeça para o olhar, quando estou prestes a lhe perguntar como isso pode ter um jeito escuto meu nome ser chamado ao longe, me separo de Max e vejo meu irmão vindo em minha direção, então uma nova onda de lágrimas vem.
Logo sou acolhido em seus braços.
— Sinto muito meu maninho, vamos dar um jeito nisso, eu vou estar ao seu lado, vou te ajudar no que precisar.
— O que vou fazer bruno? Meu sonho virou cinzas. — Choro contra seu peito e sua mão faz um carinho gostoso em meus cabelos.
— Eu vou te dar o dinheiro para a reforma, para a compra de tecidos, você vai conseguir tudo novamente, seu sonho não vai acabar aqui, não assim, vamos lutar juntos irmão. — Ele diz com carinho e beija minha face. Sorrio com seu amor e carinho, apesar de que por dentro me encontro despedaçado.
— Você não pode fazer isso, tem sua família, seu restaurante para tocar, não quero que fique sem dinheiro por minha causa, eu vou dar um jeito, tenho que dar. Não vim para cá para desistir e sim para ter um lido recomeço, isso apenas foi adiado mais um pouco. — Falo logo, tirando essa ideia de sua cabeça, eu voltei para sua vida porque eu amo ele e sua família, não posso permitir que ele gaste seu dinheiro comigo quando ele tem responsabilidades, tudo isso vai sair caro, sei que meu irmão vive uma vida boa e sem preocupações, mas não vou me aproveitar disso.
— Não vou discutir com você, eu tenho o bastante para te ajudar.
— Não precisa, eu lhe disse, darei um jeito. — Ele revira os olhos.
— Sua teimosia ainda vai acabar comigo, Pônei. — Sorrio e deixo um beijo rápido em sua bochecha. — Você pode não me deixar bancar tudo, mas lhe darei uma ajuda, isso não está em discursão, farei e pronto, nem que precise lhe amarrar até aceitar a ajuda. — Agora é minha vez de revirar os olhos para ele.
Bruno desvia sua atenção de minha pessoa e olha para trás de mim.
— Max, prazer em lhe rever. — Olho para Max também, ele sorri para meu irmão.
— Prazer em vê-lo também, Bruno. — Eles trocam um rápido aperto de mão. Bruno olha para mim novamente e de volta para Max.
— Quer ir para casa comigo? Não quero deixar você sozinho. — Ele diz, essa pergunta só me faz desconfiar que ele tem teorias sobre esse incêndio.
— Não, volte para sua família, amanhã eu passo lá. Eu estou bem.
— Tem certeza?
— Eu ficarei com ele, não precisa se preocupar. — Max responde antes mesmo que eu pudesse.
— Era exatamente essa minha preocupação. — Bruno diz distraído. Mas noto o tom de zombaria em sua voz.
Ele sorri e deixa um beijo em minha testa.
— Me ligue, não importe a hora, só me ligue, se algo acontecer e caso precise do seu irmão, ou ligue mesmo não precisando, apenas conte comigo, te amo. — Ele olha para Max, sua feição se torna seria. — Cuide do meu irmão.
— Pode deixar, mande lembranças minha ao seu marido.
Com um aceno de cabeça e um olhar reconfortante meu irmão se vai. Max me abraça de lado e beija minha têmpora.
— Vamos subir.
Eu aceno e ele me puxa junto ao seu corpo, andamos lado a lado, minha cabeça está uma confusão, sinto até mesmo ela doer, uma dor incomoda e chata que me deixa um pouco tonto.
Entramos em meu apartamento, tiro meus sapatos na entrada e me jogo sentado sobre o sofá, a cabeça pendendo sobre o encosto. Max chega por trás e faz uma massagem delicada sobre meus ombros, a dor de cabeça persiste, eu sinto vontade de chorar novamente só em pensar em todo meu trabalho perdido.
— Vamos dar um jeito. — Ele diz baixinho rente ao meu ouvido e beija minha testa. Fecho meus olhos e tento acreditar naquelas palavras, as transformo em um mantra. Vamos dar um jeito!