Um caso incomum.

1121 Palavras
Era fim de semana, a maioria dos funcionários não trabalhavam no fim de semana, porém estava ali porque tinha certeza que seu chefe também estaria. Pen passou diretamente para sua sala, imaginou que Ethan não estava ali já que não o tinha visto, mas quando abriu a porta da sua sala ele já estava lá. --- Chegou cedo? --- Queria terminar o que não terminamos ontem, para não acumular tanto assim o trabalho. --- Dessa vez eu vim preparada. Em seus ombros, Pen portava sua mochila, colocou ela em cima da mesa e tirou algumas vasilhas com o que parecia ser comida. Ofereceu uma delas a ele, ao abrir constatou que havia variadas frutas ali dentro, sorriu, ao menos o gosto dela era parecido com o seu. --- Pelo visto temos gostos parecidos. --- É saudável comer frutas no café da manhã. --- Mas temos que concordar que poucas pessoas fazem isso. --- Realmente, Brianna por exemplo come doce no café da manhã. --- Brianna é um caso incomum. Sorriram juntos com aquele comentário, o ar sempre ficava leve quando estavam juntos, se davam bem como se fossem conhecidos de anos. Isso deixava Pen ainda mais frustrada com a situação de não se lembrar do dia em que o conheço, sua mente estava mesmo de m*l com ela. Desejou esquecer tantas coisas por tanto tempo, que justo agora que queria se lembrar não conseguia sequer uma mínima memória. Pensou em perguntar Brianna, mas talvez ela não fizesse ideia de nada, ela poderia ter conhecido Ethan em um dia qualquer e sozinha. Ninguém poderia se lembrar de uma memória que era só dela, iria sofrer muito até conseguir se lembrar finalmente do que tanto queria. Antes que pudesse pensar mais sobre o assunto a porta da sua sala se abriu, olhou por um instante, reconheceu ser a mãe de Benício. Olhou de volta para Ethan e o chamou com um gesto na mão, ele levantou sua cabeça, primeiro encarou Pen e depois bateu seus olhos em Margarida. Fechou seus olhos respirando profundamente, tudo que faltava para estragar completamente o seu dia era a presença da sua querida madrasta ali. Viu o olhar julgador dela em cima de si, aquilo não incomodava mais a muito tempo, sorriu sarcástico ela não conseguia mais afetar a ele há anos. De certa forma em partes foi por não conseguir afetar a ele que Margarida induziu seu marido a mandá-lo para Roma. --- Podemos conversar. Pen alternou seu olhar de um a outro, sabia que nada que saísse daquele diálogo seria bom, também sabia que Margarida estava pedindo para que saísse. --- Com licença. Antes que pudesse se afastar Ethan agarrou o seu braço, impedindo que ela andasse, olhou incrédula para ele, o olhar da mulher estava matador em cima dela. Agora iria também levar a culpa de algo que não tinha culpa alguma, olhou para Ethan suplicando para que ele a soltasse. --- Desculpe senhora, mas minha assistente fica, não sei se percebeu mas está atrapalhando o nosso trabalho. --- Tem coragem de falar assim comigo, garoto m*l criado? --- Fale direito comigo, não sou mais um garoto, sou um homem formado, e se vai tentar me afetar, peço que se esforce um pouco mais, você não vai conseguir. --- Eu devia saber que você voltou ainda mais insolente de Roma, o mesmo garoto m*l criado de sempre, típico de quem não cresceu com a criação da mãe. --- O que posso fazer se aprendi muitas coisas por lá, uma delas foi deixar totalmente de lado a sua existência. --- Como ousa falar assim comigo na frente de outra pessoa? --- Está se sentindo julgada senhora? Engraçado, passou uma vida toda me julgando e não gosta que eu faça o mesmo. --- Cuidado com o que fala, eu não vou tolerar que me trate de tal forma. --- Dou o mesmo aviso a você, não vou tolerar que me trate como o garotinho de antes. Margaria saiu batendo a porta, Pen deu um leve pulinho em seu lugar, aquele diálogo deixou seu coração acelerado pelas p************s que saíram da boca de Margarida. Respirou fundo, olhou para Ethan percebeu que agora ele estava segurando a sua mão e sentiu o aperto da mão dele, como se estivesse pedindo ajuda. Tocou lentamente a mão dele sobre a sua, não queria o assustar com aquele movimento inesperado. --- Está tudo bem? --- Desculpe por presenciar essa cena, eu deveria tê-la deixado ir embora. --- Tudo bem, não há problemas nisso, estou preocupada com você, realmente está tudo bem? --- Sim Pen, não se preocupe, eu disse a você que seguiria o seu conselho. --- Meu conselho? --- Esqueça, podemos continuar? --- Claro. A mente de Pen ficou ainda mais perdida, Ethan falou em conselhos, sobre o que deu conselhos a ele? Como aconteceu? E o principal, quando isso aconteceu? Sua frustração ficava maior a cada dia que se passava, não aguentava mais tantos pensamentos. Margarida voltou para casa com raiva, estava evaporando de tanto rancor que sentia daquele garoto, rancor da existência dele. Chegou em casa batendo a porta, Benício a ouviu chegar, sabia que com toda aquela raiva ela só poderia estar vindo de um único lugar. --- Eu disse para não ir atormentar ele. --- E você é o que dele filho? Aquele garoto não tem nenhum parentesco com você, pare de se importar com aquela coisa. --- Estamos falando do meu irmão mãe, ele não é uma coisa, é uma pessoa, e uma das pessoas mais importantes da minha vida, se você afastar ele novamente das nossas vidas, juro a você que não vou mais vê-la como a minha mãe. --- O que é isso? Está brigando com a sua mãe por causa dele? Onde aprendeu a ser assim Benício? Eu não ensinei isso a você. --- Óbvio que não mãe, a senhora não me ensinou nem mesmo a amar o meu irmão, você queria que eu o odiasse tanto quanto Theodore odeia, mas sabe de uma coisa, você nunca, nunca vai conseguir fazer com eu odeie o meu irmão, eu amo ele, e só pra deixar bem claro a você, o amo muito mais que a Theodore. Benício saiu pela porta da sala e Margarida ficou ali no meio do cômodo sozinha, esvaziou todo o ar de seus pulmões com um grito que ecuou por toda a casa. O seu filho mais velho estava contra suas ideias de mandar o "bastardo", como ela própria pensava, para longe, não iria aguentar vê-lo contra a sua ideia. Não sabia onde havia errado, tinha feito de tudo para que Benício odiasse Ethan, mas tudo que ela fez só contribuiu para que ele amasse ainda mais o irmão.
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