Um castigo.

1084 Palavras
As luzes acesas que estavam do outro lado da janela denunciavam que a noite já havia chegado há muito tempo. Os dois desligaram e fecharam seus respectivos notebooks, alongando seus dedos e braços logo em seguida, passaram muito tempo em frente as telas. Ethan olhou para Pen, se lembrou que nenhum dos dois havia almoçado e jantado, olhou a hora no celular, era noite mas ainda era cedo. --- Posso te oferecer um jantar em minha casa? --- Porque na sua casa? --- Podemos ir para a sua se preferir. --- Não é isso, é que não pode ser um restaurante? --- Nesse momento eu só confiaria na minha própria comida para matar sua fome. --- Você cozinha? --- Muito bem. Penélope se deu por vencida, estava mesmo com fome e queria ter certeza se a comida dele era mesmo tão boa quanto ele falava. Saíram da empresa após pegarem seus pertences, foram no carro de Ethan, Pen tinha feito uma caminhada de casa para o trabalho, não quis ir de carro. As vezes sempre preferia andar até a empresa, de alguma forma já era um exercício para o seu corpo, acreditava que precisava andar ao menos um pouco todos os dias. Ainda pensando na suposta dica que Ethan deu, forçava sua mente a ir de volta no passado, só que aquela tarefa era extremamente difícil. Não conseguia ver o rosto dele em nenhuma de suas memórias e isso a deixava frustrada. Pela primeira vez em sua vida queria se lembrar nitidamente do passado mas não estava conseguindo, achava que era um castigo por tentar esquecer tanto suas memórias. Deixaria aquilo de lado, ao menos por hora, iria descobrir quando o conheceu, mas não adiantava se forçar tanto assim. O tempo era a melhor resposta para muitas perguntas, por isso iria apenas esperar e no tempo certo faria esforço para se lembrar novamente. Ou talvez poderia se lembrar sem esforço nenhum, queria mesmo era que essa memória viesse através dos seus sonhos. Já que estava sempre sonhando com o acidente do passado, talvez também pudesse sonhar com a memória do dia em que o conheceu. Quando estavam quase chegando na casa dele, Pen percebeu que a sua casa ficava a apenas alguns passos da casa de Ethan. --- Quanta coincidência, moramos na mesma rua. --- Coisas do destino. Na verdade não era uma coincidência, muito menos coisa do destino, Ethan simplesmente sabia onde Pen morava e comprou um apartamento na mesma rua. Entraram na casa, Ethan deixou suas coisas em cima da mesinha de centro, foi até Pen e retirou o sobretudo que ela vestia, guardando-o logo em seguida. Pen o acompanhou até a cozinha, como era convidada Ethan pediu para que ela se sentasse e esperasse o jantar ficar pronto. Enquanto ele cozinhava, Pen tomava vinho que ele lhe ofereceu, observava atentamente a agilidade dele na cozinha. Estava impressionada, seu chefe era simplesmente bom em tudo, nem mesmo ela sabia ser tão ágil na cozinha quanto ele. Claro que cozinhava, e muito bem, mas o modo como ele fazia isso era muito mais atraente que qualquer cena de filme que já havia visto. Ethan tinha aberto dois botões da sua camisa, deixando um pequeno pedaço do seu peitoral à mostra, e as mangas da camisa social foram levantadas, evidenciando seus músculos. Pen observou aquilo com um olhar desejoso, ficou tentada a ideia de ir até lá e saber se os seus braços eram tão firmes quanto aparentava. Abanou o seu rosto, seus pensamentos indecentes quase mandou embora a sua sanidade, estava realmente ficando muito louca. Minutos depois, dois pratos foram servidos no balcão, Pen olhou e se deu conta de que a comida parecia muito apetitosa. Seu estômago logo deu sinal de vida, manifestando a imensa fome que sentia naquele exato momento. Ethan esperou que ela provasse da sua comida, a ouviu gemer e apreciar o sabor da comida com os olhos fechados. --- E então? --- Nossa, você com certeza está na profissão errada, isso aqui é divino. --- Talvez seja só a sua fome que está grande demais. --- Confio no meu paladar, nunca comi algo parecido, nem mesmo em restaurantes. Ele sorriu, jantaram em profundo silêncio que não foi um silêncio incomodo mas um silêncio bom para os dois. Afinal, Pen também apreciava o silêncio, gostava de como o mundo parecia incrível sem tanto barulho ao seu redor a todo instante. Ao terminarem, ela até quis ajudar lavando a louça, mas Ethan se recusou alegando que ela era uma visita e que não podia lavar a louça. O silêncio se tornou r**m para Pen e sentiu vontade de matar várias curiosidades que tinha a respeito de Ethan, só não sabia se podia. --- Pergunte o que quer perguntar Pen. --- Como sabe que eu quero perguntar algo? --- Posso ver isso nitidamente em seus olhos. --- Você tem namorada? --- Nunca tive uma, quero que a minha primeira e última namorada seja a mulher que amo e não qualquer mulher. --- E quem é a mulher que ama? --- Isso eu já não posso responder. --- Eu a conheço? --- Talvez sim, talvez não. --- Então, mora nesse apartamento gigante sozinho? --- Sim. --- Parece muito bem organizado para alguém que não tem uma companheira. --- Não querendo ser m*l educado com você, mas há uma faxineira que faz a limpeza duas vezes por semana. --- Claro, que idiotice minha. --- Mas e você, nunca morou com o seu namorado? --- Não, eu não queria morar com ele antes de me casar. --- E porque não? --- Sei lá, talvez eu já tivesse adivinhando que seria traída. --- Não se importe mais com isso, se eu estivesse no lugar dele com certeza agarraria você e seguraria para o resto da minha vida. Pen sentiu como se Ethan tivesse falando a mais pura verdade que já tivesse saído de seus lábios, ficou confusa com aquilo. Ele havia acabado de dizer que amava alguém e agora estava falando coisas como aquela, talvez o amor dele não fosse tão verdadeiro assim. Suspirou, de toda forma não podia entender o seu chefe, mesmo que quisesse, ele parecia o tipo de pessoa imprevisível. Que nunca dava para ter certeza do que se passava em seu coração, desistiu de tentar entender alguma coisa que se relacionasse a ele. Seu cérebro iria torrar se continuasse pensando no quão misterioso ele era e no desejo de tentar desvendar todo esse profundo mistério, deixaria o seu cérebro em paz.
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