- Nós vamos achar você, Minty!
Contendo uma gargalhada, Minty se encolheu ainda mais contra o tronco do carvalho no qual havia se agachado, escondida entre as profundas raízes. Ao seu redor, os passinhos frenéticos das crianças continuaram soando, relativamente distantes de onde ela estava, deixando claro que ela ainda estava ganhando.
- Eu não achei ela... – a pequena Anne, uma das crianças mais jovens a quem ela ensinava, com apenas dois anos, choramingou ali perto, após passados mais alguns momentos de busca.
- Não chore, Anne, é apenas um jogo. – Lily, uma das garotinhas mais inteligentes de sua turma, consolou a amiguinha.
- Não, Anne, continue chorando! – Robert, o irmão de Anne, que tinha 8 anos assim como Lily, discordou – Minty tem o coração mole! Se ouvir você chorando, vai ficar com pena e nos dar uma dica de onde ela está.
- Isso não seria uma vitória justa, seu bobão. – Lily o criticou, deixando Minty orgulhosa.
- Que seja! Eu só não quero perder de novo! – Robert reclamou, com seus passos distantes denunciando que ele estava se afastando novamente – Vamos! Vamos nos separar e continuar procurando!
Arriscando uma olhadela por detrás da árvore, Minty viu as três crianças começarem a andar em direções opostas, com Anne caminhando temerosamente em direção a onde ele estava, com os olhinhos cheios de lágrimas e as adoráveis bochechinhas vermelhas. Sabendo que Robert estava coberto de razão sobre seu coração mole, a Duquesa pegou uma pequena pedra ali perto e a lançou fracamente em direção ao gramado próximo a Anne, chamando a atenção da garotinha imediatamente. Assim que seus olhos se encontraram, Minty teatralmente se escondeu ainda mais entre as raízes, sabendo que Anne ficaria ainda mais orgulhosa por tê-la encontrado se ela fizesse parecer que foi um acidente.
- Achei! – Anne soltou um gritinho estridente, pulando em comemoração assim que se jogou nos braços de Araminta.
- Sim, você me achou, minha florzinha. – Minty riu, abraçando a garotinha, enquanto as outras crianças se aproximavam, também gritando animadamente.
- Eu sabia que você não resistiria ao choro da Anne! – Robert apontou, diabolicamente satisfeito.
- Não seja indelicado, Robert. – Minty balançou a cabeça, contendo um sorriso, enquanto colocava Anne no chão, deixando que as outras crianças a felicitassem pela vitória.
Sorrindo para a cena diante de si, enquanto as crianças riam alto e se amontoavam animadamente, Minty sentiu seu coração aquecer. Os pequenos sempre tiveram aquele efeito sobre ela, desde sua adolescência, mas, já algum anos, ela vinha sentindo que aquele sentimento cálido e puro de cuidado e proteção vinha crescendo dentro de si de maneira indizível. Talvez porque, mesmo que secretamente, ela sentia que cada criança a quem ensinava a ler e escrever era, também, um pouco dela. Afinal, houve um tempo, pouco depois de seu casamento, que ela passara muito perto de entrar em depressão, ao perceber que, de fato, jamais teria seus próprios filhos. Porém, depois, Araminta encontrara consolo na certeza de que seus filhos jamais mereceriam James Duncan como pai. Por isso, ela havia se convencido de que era até mesmo algo positivo que não tivesse colocado sua pobre criança no mundo, apenas para sofrer nas mãos do Duque... Por mais que ela tivesse adorado se tornar uma mãe.
Esforçando-se para dispersar aqueles pensamentos, Araminta procurou focar-se novamente apenas em seus pequenos, permitindo que seu amor por eles eclipsasse aquela mágoa antiga em seu coração. Após 18 anos como Duquesa, ela já havia alfabetizado praticamente 4 gerações de crianças da propriedade. Robert e Anne, inclusive, eram filhos de Mirian, uma das primeiras meninas a quem ela havia começado a ensinar o alfabeto, escondida em seu jardim, para que seu terrível marido não a impedisse. Na época, Mirian tinha apenas 10 anos de idade e nunca sequer havia pegado em um livro em sua vida. Agora, ela estava casada, aos 28 anos, trabalhando como sua dama de companhia e até mesmo a substituía nas aulas algumas vezes, algo que enchia Minty de orgulho.
Quando ela havia reunido algumas crianças em seu jardim para ler livros para elas, apenas algumas semanas depois de ter se tornado Duquesa, Minty jamais poderia imaginar que seu desejo de poder educar aquelas crianças iria tão longe. Nos três primeiros anos, ela precisava se esconder com as crianças e confiar o segredo de suas aulas apenas aos empregados mais fiéis, para evitar que seu terrível pudesse descobrir e punir os funcionários que permitiam que seus filhos participassem. A partir do final daquele terceiro ano, porém, com o agravamento de uma doença que, segundo os médicos, James muito provavelmente havia contraído em um bordel, ele felizmente ficara debilitado o suficiente para restringir sua presença hedionda apenas à mansão, já que não tinha mais condições de sair tão regularmente quanto antes. É claro, tê-lo dentro da casa o tempo todo não havia sido nada agradável. Todavia, o tamanho da mansão e os muitos afazeres que haviam recaído sobre seus ombros após o início da doença do Duque funcionaram a seu favor, evitando que ela tivesse que suportar as grosserias do marido por mais tempo do que alguns minutos por dia.
Fora a partir de seu quarto ano de casamento que, de fato, ela se tornara a Duquesa. James era um homem sem qualquer amigo verdadeiro e, assim que ficou debilitado, foi deixado de lado por praticamente todos que antes orbitavam ao seu redor, especialmente depois que Minty demonstrou, aos mais gananciosos, que não seria enganada ou extorquida de maneira nenhuma. A ajuda do irmão mais novo de James, Louis, foi de grande ajuda durante esse período, é claro. Porém, Araminta se orgulhava de poder dizer que havia aprendido a administrar os negócios do marido e se responsabilizara por grande parte deles ao longo dos anos, mesmo sem o Duque saber, o que lhe permitira fazer grandes mudanças na propriedade e na forma como o dinheiro era administrado. Assim, ela conseguiu expandir a colheita, o comércio, a qualidade de vida na propriedade... E, principalmente, a educação que ela tanto amava proporcionar, não apenas às crianças, mas também aos adultos que se interessavam em se alfabetizar, depois que ela começou a incentiva-los a querer tal coisa.
Sua avó sem dúvida ficaria orgulhosa.
- Crianças! – o grito de Mirian, mesmo vindo de longe, foi bastante audível e arrancou Araminta de dentro de seus pensamentos – O lanche está pronto!
- Vamos, crianças, vamos comer. – Minty os incentivou, fazendo-os correr quase que imediatamente – E não se esqueçam de lavar as mãos antes de começar a comer! – ela teve que gritar aquela última parte, já que todos os pequenos já haviam saído em dispara, deixando-a para trás com a certeza de que já não tinha idade o suficiente para acompanhar aquelas adoráveis bolinhas de energia.
Iniciando uma caminhada bastante tranquila de volta para o interior de sua casa, agora sozinha no jardim, Araminta aproveitou para exercitar um hábito que havia adquirido ao longo dos anos: repassar cada uma das atividades que tinha para fazer, ao longo da semana. Aquela semana, em especial, estava sendo anormalmente atarefada, já que ela tinha um baile para planejar, antes da chegada de Gareth.
Pensar no filho de James a fez sorrir. Ela não o via há mais de 14 anos, mas tinha certeza, por conta das cartas que trocaram ao longo dos anos, que ele havia conservado dentro de si a infância daquele garotinho doce que ela conhecera: suas palavras eram sempre gentis, educadas e inflamadas com o desejo de se tornar um bom Duque. O que ela não tinha dúvidas que ele se tornaria. A única coisa a magoava, sem dúvida, era não ter tido a chance de ter sido uma mãe para ele, ao longo daqueles anos, depois que seu marido o havia literalmente expulsado, mesmo sabendo que o menino era única chance que eles teriam de dar um herdeiro ao título. Minty gostava de pensar que ela e Gareth eram amigos, mas também sabia que não eram tão próximos quanto ela gostaria. Com sorte, eles poderiam mudar aquilo assim que ele voltasse para a Inglaterra, quando ela poderia apresentar-lhe devidamente cada detalhe da propriedade que agora pertencia a ele, desde a morte de James, há um mês atrás.
Seu coração não pôde evitar de se apertar um pouco, porém, ao recordar que, com a chegada de Gareth, era também uma questão de tempo até que ele escolhesse uma esposa e uma nova Duquesa se instalasse na propriedade. É claro, depois de 18 anos com aquele título, seria um processo um pouco doloroso para ela ter que abrir parte de todas as suas responsabilidades. Porém, ela confiava em Gareth para encontrar uma mulher bondosa e responsável que poderia ajuda-lo a cuidar de todas aquelas pessoas... E esperava, com todo o seu coração, que nenhum deles tivesse quaisquer problemas com o fato de ela querer continuar dando aulas às crianças da propriedade.
Sentindo seu estômago apertar um pouco com a ansiedade do futuro incerto, Araminta tentou pensar positivo, tentando se imaginar com mais tempo ocioso nas mãos, sem tantas responsabilidades para consumir seu dia... E apenas pensar sobre isso a deixou instantaneamente entediada. Céus, se ela excluísse duas aulas e todas responsabilidades com que tinha que lidar em seu cotidiano, a única coisa que realmente a mantinha entretida era...
Um arrepio percorreu seu corpo e suas coxas instantaneamente se encontraram, em uma reação automática às lembranças do conteúdo dos livros que ela agora escondia em um pequeno baú, na parte mais discreta de seu armário. Não era sua intenção, de maneira nenhuma, ao visitar um dos livreiros da cidade no ano anterior, deparar-se com aquelas histórias libidinosas e repletas de detalhes depravados que certamente não eram apropriados para uma dama respeitável, especialmente uma Duquesa. Na verdade, ela havia pedido a maior variedade de leituras possível apenas para poder achar temas novos e interessantes para suas aulas, como botânica ou história... Mas então, entre os diversos exemplares que trouxera consigo, ela achara aquele pequeno e discreto livro perdido, aparentemente inofensivo... Até o momento em que ela havia cometido o erro de iniciar a leitura da história de um pirata libertino e da mulher que havia sobrevivido a um naufrágio graças a ele. E acabara encontrando descrições sobre a i********e entre um homem e mulher que ela nem sequer sabia que existiam.
E, inexplicavelmente, aquilo havia acendido algo dentro dela que Minty nem sequer sabia que existia. Seu casamento havia acontecido todo muito longe da cama de seu marido e as poucas em que fora consumado foram humilhantes e desconfortáveis para ela, já que James era tudo, menos agradável e gentil. Por isso, i********e jamais havia sido um tema recorrente em sua mente, até que aquele livro parara em suas mãos. De repente, conforme corria os olhos por aquelas palavras e imaginava aquelas cenas libertinas, seu corpo acendeu-se com uma necessidade completamente nova e inquietante para ela. Tão inquietante que, mesmo envergonhada, ela havia acabado por ceder ao desejo de mergulhar a mão entre suas pernas e simular dentro de si o m****o masculino que de repente se vira desejosa de conhecer.
Aquele fogo em ventre vinha aumentando tanto que ela até mesmo tinha discretamente mandado buscar mais daqueles livros, camuflados entre outros mais respeitáveis, para poder descobrir novas histórias de amor e prazer. Afinal, nunca houvera um homem de carne e osso a quem ela desejara e aquele desejo inédito era, de fato, até mesmo fascinante. Na verdade, fora justamente por isso que ela havia aceitado aquele fogo dentro de si, despertado pelos homens de mentira: aos 36 anos, viúva e prestes a perder o título de Duquesa, ela já não tinha mais qualquer possibilidade de se envolver com homens como aqueles.
É claro, outras viúvas tinham amantes esporádicos e as mais jovens até mesmo conseguiam novos casamentos, mas aquilo nunca sequer passara pela mente de Araminta. Ela estava longe de ser considerada jovem e nenhum cavalheiro que conhecia lhe despertara a vontade de ter um amante. Por isso, já que eram os senhores das páginas dos livros que a faziam sentir-se como mulher, não tinha ela o direito de deleitar-se com eles na privacidade de seu quarto? Suas fantasias eram sujas e surreais, mas era apenas isso o que eram: meras fantasias. Por isso, passado o primeiro mês de constrangimento, em que ela m*l conseguia ler uma frase inteira daqueles livros sem corar e esconder o exemplar sobre seu travesseiro, envergonhada como se centenas de olhares invisíveis a estivessem julgando como uma devassa, ela finalmente conseguira se sentir confortável com o fato de que gostava de ler sobre libertinagem. E que isso não a fazia uma mulher menos digna, embora, algumas vezes, as descrições fossem tão intensas que ela se pegava corada da cabeça aos pés novamente.
Naquele último ano, ela conhecera dezenas de homens nas páginas daqueles livros, todos ardentes e sedutores. Porém, seu favorito ainda era o pirata daquele primeiro livro: alto, forte, sedutor, encantador, com ombros largos, braços musculosos, cabelo escuro e olhos azuis como o céu em um dia de verão. Havia algo na descrição de sua personalidade – feroz, porém charmoso; selvagem, porém gentil; bem-humorado, porém inteligente; insaciável, porém carinhoso – que a atiçava de uma maneira que ela nem sequer sabia que era possível. Quando mocinha, ela idealizava o homem de seus sonhos como um príncipe encantado, saído diretamente dos contos de fadas, amoroso e apaixonado, que a levaria para um castelo encantado, onde eles teriam dúzias de lindos bebês e dezenas de adoráveis animais. Mesmo contra sua vontade, algumas vezes seu coração ainda doía pela perda daquele sonho juvenil. Talvez por isso as fantasias sexuais lhe fizessem tão bem àquela altura da vida: já que jamais teria o amor verdadeiro e os filhos com que sempre sonhara, poderia pelo menos explorar ideia inalcançável de um amante insaciável, que lhe daria prazeres que ela nem sequer já ousara sonhar... E que também nunca teria.
No passado, Minty até mesmo teria ficado um pouco triste ao se dar conta do quanto havia muito mais fantasias do que realizações em sua vida. Mas não àquela altura. Não quando ela já havia se acostumado com o fato de que aquela era sua vida. Há muito tempo, ela se dera conta de que era melhor, além de mais prático, se deleitar com os sonhos do que chorar pelas mazelas da vida.
Como sempre, seus muitos pensamentos se mostraram uma distração bastante efetiva, já que Minty só foi capaz de notar a carruagem desconhecida, que estava estacionada próxima a entrada da casa, quando já estava quase no interior da mansão. Surpresa e curiosa, ela a analisou durante alguns instantes, concluindo, pelo requinte e altives do veículo, que certamente trouxera alguém importante, ainda que desconhecido. Internamente, ela rezou para não ser mais uma mãe da alta sociedade, ansiosa para conseguir um arranjo de casamento entre uma de suas filhas e o Duque, mesmo antes de ele voltar à Inglaterra, o que provavelmente aconteceria na próxima semana. Porém, por mais que elas não fossem a companhia mais divertida, que Minty não podia culpa-las. Afinal, Gareth era agora o melhor partido da região, com um título e uma fortuna que vazia qualquer um esquecer-se de que ele era um bastardo, apesar do escândalo que havia se instalado, curto e intenso como fogo em palha, quando ela revelara à sociedade quem seria o próximo Duque.
Na verdade, secretamente, a própria Minty tinha esperanças de que Gareth pudesse encontrar a pretendente adequada em sua sobrinha mais velha, Rose, de 19 anos. Geniosa e elegante, além de inteligente e bela, Rose era sem duvida a melhor opção que ela poderia querer para o cargo de Duquesa. Ela era alguém que manteria a propriedade em ordem, geraria filhos saudáveis e daria todo o apoio que Gareth necessitaria para ser um bom Duque. E, no fundo de seu coração, Minty esperava também que eles pudessem gostar um do outro genuinamente ou até, na melhor das hipóteses, verdadeiramente se apaixonar, como os casais que viviam nas páginas de seus livros, dando à Whiteshire uma família nobre harmoniosa como a tempos não se via.
Quanto a ela, Minty sempre estaria ali para ajuda-los também, mesmo que suas responsabilidades passassem a se limitar apenas à ensinar as crianças, cuidar da biblioteca e trancar-se em seu quarto com seus livros proibidos, enquanto uma de suas mãos se perdia entre as pernas, imaginando como seria estar nos braços de seu pirata apaixonado...
- Duquesa?
Ao som daquela voz rouca, profunda e desconhecida, que de repente soou atrás de si, Minty congelou por um minuto, perguntando-se se suas fantasias haviam ido tão longe que ela havia enlouquecido, conjurando aquela voz digna de um de seus amantes literários. E, ao virar-se para encontrar o dono da voz, ela quase teve a total certeza de que havia enlouquecido. Essa era a única explicação para o homem parado no corredor de entrada de sua casa, encarando-a com um misto do que parecia, pelo menos em sua mente confusa, deslumbre e apreciação.
Com a respiração presa na garganta, Araminta correu os olhos diversas vezes pelo corpo no homem a sua frente, sentindo-se cada vez mais atordoada ao perceber o quanto ele parecia a verdadeira encarnação de seu amante imaginário: alto, ombros largos, peito amplo, pele bronzeada, cabelos negros encaracolados quase na altura dos ombros... E brilhantes e penetrantes olhos azuis, que pareciam estar vendo o fundo de sua alma, enquanto a analisavam com quase tanto interesse quanto ele a ela.
- É um prazer encontra-la, minha Duquesa. – ele deu um passo a frente, fazendo o ventre dela apertar conforme se aproximava, antes de tomar-lhe a mão e leva-la até os lábios, deixando ali um beijo suave, mas que de alguma maneira pareceu quase lascivo, por conta do brilho ardente em seu olhar.
- Nós... – Minty engasgou por um momento, ainda sem entender se aquilo era um sonho ou uma alucinação – Nós nos conhecemos?
- Não me reconhece? – o homem perguntou, soando não indignado, mas sim levemente surpreso e quase jocoso.
- Oh, perdão... – Minty pigarreou discretamente, ansiosamente tentando se recompor das sensações que a presença daquele homem estava lhe despertando – Confesso que não me recordo do senhor, milorde... – ao dizer aquilo, Araminta se deu conta de que, na verdade, havia sim, de fato, algo familiar sobre a claridade de seus olhos... Algo que ela não conseguia reconhecer... – Porém, acredito que seja o dono da carruagem que está lá fora, certo? – ela sorriu, ainda um pouco trêmula, olhando ao redor para tentar encontrar algum criado e, estranhamente, não encontrando nenhum – Seria certo dizer que veio cumprimentar o novo Duque? Sinto muito, mas ele ainda não chegou. Porém, se me disser seu nome, informarei a ele da sua presença assim que ele voltar à Inglaterra.
- Não será necessário. – o desconhecido sorriu, de uma maneira tão deslumbrante que Minty sentiu seu coração perder uma batida – Acredito que a última coisa que o Duque quererá receber, após sua chegada, será uma enxurrada de visitas inúteis e puramente motivadas por interesse. – o homem resmungou, antes de correr os olhos ao redor do grande jardim além da porta, parecendo profundamente satisfeito, quase emocionado – Confesso que minhas lembranças dessa propriedade me fizeram achar que ela era sombria... Jamais imaginei que seria tão luminosa e imponente dessa forma. – ele se virou para ela, encarando-a de uma maneira tão profunda que Minty sentiu como se ele estivesse enxergando sua alma – E sem dúvida Whiteshire deve tudo isso a senhorita... A melhor Duquesa que qualquer um poderia desejar.
- Oh... O-obrigada - sentindo seu rosto corar ao ponto de arder, Minty desviou o olhar para o chão, encabulada – Mas, diga-me, senhor... Qual... Qual seu nome?
- Meu nome... – ele parecia estar se divertindo bastante com sua confusão, porém, ao parecer avistar algo sobre o ombro dela, sua voz tornou-se veloz, embora ainda satisfeita e sedutora – Eu o direi. Porém, antes deve me prometer uma coisa.
- Bem... Isso dependerá do que pedir. – ainda que parecesse impossível, a vermelhidão em suas bochechas se aprofundou ainda mais, embora ela se visse forçada a cruzar um dos braços sobre o peito, fingindo segurar seu cotovelo esquerdo com a mão direita, para disfarçar seus m*****s repentinamente erriçados com aquele tom cheio de segundas intenções na voz dele.
- Ouvi os empregados comentarem que está preparando um baile, para comemorar a chegada do Duque. – seu sorriso charmoso tornou-se ainda maior, roubando-lhe o fôlego – Prometa que salvará suas danças para mim e lhe direi tudo o que quiser sobre mim.
Por um momento, Minty apenas congelou por conta do choque, sem conseguir acreditar no que havia acabado de ouvir. Seria mesmo verdade que aquele homem, tão belo, encantador e sedutor, acabara de pedir para dançar com ela? Aquilo era realidade ou apenas a evidência de que tudo aquilo era, de fato, um sonho? Essa última pergunta lhe foi respondida quando o som de passos atrás de si se fez ouvir, deixando Minty saber que, de fato, ela estava verdadeiramente diante da oportunidade dançar com um homem que parecia a encarnação dos amantes que ela só via nos livros. Céus, seu corpo jamais havia reagido daquela maneira por um homem de carne e osso daquela maneira antes. O que ela perderia ao dizer sim àquele estranho, afinal? Suas roupas bem cortadas deixavam claro que ele era um nobre e seu rosto másculo parecia próximo à idade dela. Talvez aquela fosse sua grande chance de estar nos braços de um homem a quem seu corpo respondia, mesmo que isso fosse acontecer apenas durante uma dança.
Após 18 anos sendo nada mais do que a mais recatada das senhoras, ela merecia dar-se ao luxo de encorajar o flerte inocente daquele belo homem, não?
- Seria um prazer. – ela lhe sorriu, finalmente, quase mesmo tempo em que uma voz, que Minty já não ouvia desde o dia de seu casamento, chamou, atrás de si, fazendo-a arfar.
- Minty! – a voz eufórica de Penelope, esposa de seu cunhado, fez Araminta se virar, abrindo um enorme sorriso enquanto observava a mulher de longos cabelos dourados libertar-se da formalidade e correr até ela, envolvendo-a em um grande abraço – Oh, querida. Mas que enorme prazer rever você.
- Penelope! – Minty comemorou, devolvendo seu abraço – Mas que surpresa maravilhosa. Eu não esperava ver você aqui tão cedo.
- Os ventos estavam bons, então o navio chegou mais rápido do que esperávamos. – disse Louis, chamando a atenção de Minty para o homem parado atrás de Penelope, que, embora parecesse fisicamente com seu falecido marido, tinha um sorriso gentil estampado em seu rosto que iluminava sua fisionomia por completo, diferenciando-o de James de uma impressionante – É sem dúvida uma grande alegria reencontrá-la, Araminta. Não envelheceu sequer um segundo, eu vejo.
- Sempre um cavalheiro. – Minty riu, balançando a cabeça. De fato, desde que o conhecera no dia de seu casamento, ela havia admirado Louis por sua personalidade e sua postura completamente diferentes das de seu odioso irmão, fazendo-a saber imediatamente que teria alguém em quem poderia confiar em sua nova família, mesmo que James tenha deixado claro que odiava o irmão e queria vê-lo longe de Whiteshire; o que ele conseguiu, eventualmente – m*l posso descrever como estou feliz em vê-los! Oh, Deus! Não me diga que esse belo jovem é o Henry? – ela sorriu para o enorme rapaz atrás ao lado de Loius, que a encarava com uma estranha diversão, que ela não compreendeu de onde vinha – Veja só que belo rapaz você se tornou! O que me faz lembrar... – ela repentinamente se deu conta de algo importantíssimo, começando a olhar ao redor freneticamente – Onde está o Gareth? Oh, estou tão ansiosa para vê-lo! Sei que deve estar crescido, mas aposto que ainda deve se parecer muito com o garotinho adorável que conheci...
- Ora, Araminta... – Louis riu – Como assim onde ele está? Vocês estavam conversando até alguns segundos atrás.
- Conversando? – ela questionou, sem entender – Mas isso é impossível. Eu nem sequer o vi. A única pessoa com quem estive conversando foi com este senhor... – Minty virou-se, inicialmente querendo apresentar o cavalheiro misterioso aos Duncan, porém, assim que seus olhos se encontraram com os dele, seu estômago gelou como se ela tivesse engolido neve, quando ela finalmente se deu conta de onde aquele azul intenso lhe era familiar.
Era a cor dos olhos de Louis, assim como também de James... E do filho que ele tinha desprezado e que ela enviara para ser criado como um filho por seus cunhados.
Não..., Minty implorou internamente, tentando conter o desespero que ameaçava fazê-la gritar, Não, não pode ser...
- Parece que não precisei dizer meu nome, afinal. – Gareth, aquele homem tão atrativo e alto, que não tinha absolutamente nada a ver com a lembrança do garotinho assustado e desnutrido que ela tinha em sua mente, riu, com aquela voz profunda, antes de aproximar-se ainda mais dela e puxar sua mão para um beijo demasiadamente longo em sua palma, que, para seu mais completo horror, fez sua pele arrepiar-se novamente – Mas nossa promessa permanece, não é? – ele murmurou aquela última parte, piscando discretamente para ela.
Oh, céus..., Minty choramingou no interior de sua mente. Era isso o que ela ganhava por ter secretamente desejado viver o enredo de um de seus livros proibidos. Agora a tentação estava ali, diante dela: tão palpável quanto inacreditável e proibida.
E agora passaria a viver sobre o mesmo teto que ela.