- Por que ela é tão pequena, papai? Eu achava que ela seria muito maior, por causa do tamanho da barriga da mamãe...
Com uma risadinha, mesmo exausta depois do parto de sua filha, Minty olhou na direção de seu filho mais velho, Charles, que estava sentado na beira da enorme cama do quarto que ela dividia com o marido, encarando a irmã recém-nascida com um misto de curiosidade e desapontamento. Antes que pudesse responde-lo, porém, sua irmã gêmea, Catherine, acabou por acotovela-lo fracamente logo em seguida, com o pequeno cenho franzido.
- Ela é pequena porque é um bebê, Charlie. Não seja burro. – a menina repreendeu o irmão - Simon também era muito pequeno quando era bebê.
- Eu não sou burro! – Charlie reclamou, ofendido – E você não tem como se lembrar como ele era quando era bebê, porque nós dois também éramos.
- Mas eu sou mais velha. – Cathie deu de ombros, como se aquele argumento justificasse qualquer coisa – Não tenho culpa se você ainda era tão bebezinho.
- Cinco minutos não torna você mais velha! – Charlie reclamou, começando a aumentar a voz e fazer o bebê se assustar, o que fez Minty precisar intervir.
- Crianças! – antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, Gareth, que estava sentado ao lado dela, abraçando-a delicadamente, chamou a atenção dos filhos, fazendo-os se calar imediatamente – O que nós conversamos antes de eu deixar que viessem visitar a mamãe e a Grace? Nada de gritar. A mamãe e a bebê ainda precisam de muito descanso.
- Desculpe, papai. – os gêmeos se desculparam em uníssono.
- Eu era pequenininho assim também, mamãe? – Minty sorriu para seu filho Simon, de 4 anos, que estava aninhado no colo do pai e havia se inclinado um pouco para encarar o rostinho adormecido da nova irmãzinha.
- Todos vocês eram pequenos e lindos quando nasceram, meu amorzinho. – ela beijou a bochecha rechonchuda de Simon, fazendo-o soltar uma gargalhada adorável – Assim como a Grace. – com um suspiro, Minty admirou o belo e arroxeado rostinho de seu mais novo bebê, sentindo seu coração encher-se daquele sentimento intenso e indescritível que ela conhecera pela primeira vez há 7 anos, quando Charlie e Cathie nasceram.
- Ela não é linda. – Charlie torceu o nariz, parecendo cético – Ela é toda estranha e enrugada, como um joelho depois de ter ficado muito tempo debaixo da água.
- Charles Louis Duncan! – Gareth bufou, embora Minty pudesse perceber, pelo tremor em suas bochechas, que ele estava se controlando para não rir do que o filho dissera – Isso não é maneira de falar sobre a sua irmã. Não me faça ter que deixar você no seu quarto, de castigo, quando seus tios trouxerem Kyle e Victor para cá hoje.
- Não, não, papai! – Charlie choramingou e, saindo de onde estava sentado ao lado da irmã gêmea, correu até onde Minty estava deitada e lutou contra a altura da cama para subir ali, inclinando-se sobre Grace – Me desculpe, me desculpe! Amo você, Grace. Você é linda. – ele sorriu nervosamente, claramente desesperado com a ideia de não poder brincar com os filhos de Henry e Rose, e beijou a testa da bebê, fazendo-a despertar e começar a remexer-se suavemente, com a boquinha formando um perfeito “O” bastante inquieto.
- Parece que alguém está com fome novamente. – Minty sorriu para seu bebê.
- Muito bem, crianças. Acho que está na hora de encerrarmos essa visita por agora. – Gareth levantou-se, colocando Simon sobre seus ombros antes de andar até de pegar um gêmeo em cada mão, levando-os até a porta – Mamãe e Grace precisam fazer um lanche e descansar. Mas prometo que trago vocês para vê-las novamente antes de dormir, está bem?
- Mas que queria ficar mais um pouco com a mamãe... – Cathie choramingou, sendo seguida por seus irmãos, que ameaçaram começar uma cena, antes que Minty intermediasse.
- Eu sinto muito, querida, mas eu realmente estou muito cansada... – ao trazer a atenção dos filhos para si, que agora a encaravam com preocupação, Minty abriu um sorriso doce – Por isso, aproveitem bastante a visita dos seus primos hoje, está bem? Vou estar ansiosa para que vocês me contem tudo o que fizeram hoje.
- Está bem, mamãe. Eu prometo. – Simon foi o primeiro que aceitou, carinhoso como sempre, e correu até ela para dar um último beijo em sua bochecha e na de Grace, que estava ficando cada vez mais inquieta e soluçante, por conta da fome.
- Vamos, crianças. – Gareth incentivou os filhos, assim que Simon voltou para perto deles – Eu vou pedir que Mirian prepare alguns sanduíches para vocês, enquanto esperamos a tia Rose e o tio Henry chegarem, está bem?
Minty permaneceu acenando para seus filhos até que eles tivessem saído do quarto, antes de se recostar sobre os travesseiros assim que a porta de fechou, descendo uma das alças da camisola que estava usando para poder alimentar Grace. Enquanto sua garotinha esfomeada se aconchegada contra seu peito, Minty tomou seu tempo apreciando a perfeição de suas lindas mãozinhas e pés. De seu ralo cabelo castanho-escuro - tal qual o dela – e de seu minúsculo rostinho encantador, com olhos castanho-escuros leitosos que repentinamente se entreabriram, esquadrinhando tudo ao seu redor, mas sem realmente ver. Mesmerizada com mais aquele serzinho angelical que os céus haviam enviado para ela amar e cuidar, Minty só se deu conta de Gareth havia retornado quando sua mão grande mão apareceu sobre a cabeça de Grace, afagando gentilmente a filha dos dois.
- Depois de três tentativas, eu finalmente consegui que um deles se parecesse com você. – Gareth, fazendo-a rir.
- Cathie, Charlie e Simon tem sorte de terem herdado a sua beleza. Assim como Grace também. – ela brincou com a ponta do nariz do bebê, fazendo-a relaxar ainda mais contra seu seio – Ela herdou meus cabelos, meus olhos e minha pele, mas ela é linda, como você. – ela o elogiou, lhe lançando um olhar aquecido que o fez rir, deliciado.
- Controle-se, Duquesa. – ele sentou-se ao lado dela, para poder beijar sua bochecha amorosamente – Lembre-se de que você mesma repetiu a gravidez inteira que esse seria nossa último bebê.
- Ora, mas eu não disse isso porque vamos parar de tentar produzi-los. Eu disse porque, agora, eu definitivamente não tenho mais idade para nos dar um quinto. – ela lamentou, bem-humorada, sentindo a dor em sua lombar, depois de longas de horas de trabalho de parto, recordá-la de cada um de seus 43 anos.
- Você tem dito isso há 7 anos, a cada vez em que vamos ter um bebê. – ele riu.
- Mas dessa vez é verdade. m*l consigo imaginar como minhas costas vão aguentar, quando eu precisar começar a correr atrás da Grace pelo jardim. – Minty suspirou, imaginando sua filha mais nova já com alguns anos, correndo e brincando com os irmão pelo jardim, fazendo seu coração tremular de amor e alegria.
- Eu confio nela para ser a dama da família. – Gareth brincou, beijando a testa da filha, que agora estava começando a pegar no sono, abandonando seu lanche e permitindo que Minty levantasse a alça da camisola – Afinal, os irmãos já cumprem com muito esmero a função de levados e agitados.
- Eles apenas têm muita energia. – ela deu de ombros, não podendo evitar defender seus bebês – Precisam gastá-la de alguma forma.
- Diga isso para o neto da Condessa, que teve o rosto afundado na lama por Cathie, na única vez em que a avó o trouxe para brincar aqui. – Gareth gargalhou.
- Oh, por favor, não me lembre disso... Ela ficou tão furiosa... – mesmo lamentando um pouco o desastre que havia acontecido quando a Condessa tentara uma reaproximação, Minty também não pode deixar de rir – Será que algum dia nossa família vai conseguir para de causar um escândalo a cada trimestre?
- Bem, agora que Grace nasceu, posso afirmar que já cumprimos a cota do ano inteiro. – seu marido deu de ombros – Você sabe como eles adoram falar sobre como somos devassos, nos amando dia e noite como dois animais a ponto de conseguirmos produzir bebês mesmo depois dos seus 40 anos... Não que eles estejam errados. – ele ronronou, inclinando-se para unir os lábios nos dela, em um beijo apaixonado.
Se, há 7 anos, atrás, quando acabara de ficar noiva e a grande maioria de suas supostas amigas da alta sociedade haviam acabado de se afastar dela, alguém dissesse a Minty que ela um dia seria capaz de rir das fofocas sobre sua família, ela jamais acreditaria. Ainda assim, ali estava ela, casada, ainda Duquesa, e com 4 lindos filhos que amava mais do que tudo. Fora difícil no início, claro, depois de anos presando tanto por sua reputação. Quase todas as senhoras da alta sociedade haviam parado de dirigir a palavra a ela, Gareth perdera alguns investidores e os mais diversos tipos de fofoca haviam chegado a seus ouvidos, mesmo que seu marido tivesse tentado impedir. E, mesmo que Henry, Alice e Rose tivessem sido nada mais do que abertos e contentes à notícia de seu casamento, Louis, Penelope e Arthur precisaram de mais algum tempo para poder compreender o sentimento que ela e Gareth tinham um pelo outro. Ainda assim, passado aquele primeiro momento de choque e insegurança, eles também os haviam abraçado e desejado sua felicidade, antes mesmo que eles se casassem.
Contudo, nada daquilo parecia significar nada quando, ao fim do dia, ela se perdia nos braços de Gareth, sentindo seu m****o dentro de si e o peso de sua aliança em sua mãe esquerda. E, é claro, quando o médico lhes confirmara, poucos meses depois do casamento, que um herdeiro estava a caminho, não havia escândalo ou conversa maldosa no mundo que poderia perturbar a felicidade extasiante que havia tomado o coração de Minty, mesmo que as fofocas tivessem ficado um pouco pesadas demais, quando os gêmeos chegaram muitos meses antes do esperado para alguém que havia se casado há apenas poucos meses, deixando claro que haviam sido concebidos muito antes de eles assumirem seu compromisso.
Todos os dias, Minty agradecia por ter tido força e coragem o suficiente para revelar seu amor na frente de Gareth e de todas aquelas pessoas, anos atrás. Desde então, ela havia se permitido conhecer um tipo de amor, alegria e liberdade que nunca sequer sonhara que existia. Seu sonho de se apaixonar, ter um marido amoroso e com ele formar uma família para si mesma havia se realizado. Ela até mesmo realizara seu maior desejo no mundo, o de ter filhos, apesar de sua idade a ter feito acreditar que ela não seria mais capaz, àquela altura da vida. E, a cada dia em que acordava para ver os sorrisos de seus filhos e ouvi-los brincar ao redor da propriedade, ela sentia que todos aqueles escândalos foram um preço irrisório a ser pago pela vida fantástica que levara nos últimos sete anos, ao lado do homem que amava.
- Parece que essa princesinha foi para o mundo dos sonhos. – Gareth interrompeu sua contemplação, oferecendo-se para pegar Grace de seus braços – Dê-me ela aqui. Assim você pode dormir um pouco, até que ela acorde novamente.
- Isso soa bem. – ela sorriu, não podendo disfarçar seu cansaço, e entregou o bebê para o pai.
- Eu realmente aproveitaria bem esse cochilo, se fosse você, porque as crianças do orfanato estão ansiosas para ver como você está e dar boas-vindas à Grace. – Gareth contou, enquanto colocava a bebê delicadamente em seu berço, bem ao lado da cama dos dois – Eu e as professoras m*l conseguimos contê-los de tanta animação, quando Mirian foi dar a notícia de que você não poderia ir à aula hoje porque estava dando à luz. E, é claro, isso gerou algumas perguntas bastante inapropriadas da parte deles, sobre de onde vem os bebês, devo dizer. – ele brincou, fazendo-a rir, enquanto se aproximava para poder sentar-se ao lado dela.
- Eu também estou ansiosa para apresentar Grace a eles e às professoras. – Minty sorriu; de muitas maneiras, todas as 120 crianças que agora viviam no orfanato que ela e Gareth haviam fundado na propriedade, juntamente com as mais de 20 professoras e preceptoras que eles haviam contratado para trabalhar ali, eram uma parte da família que eles haviam construído para si mesmos, ao longo dos últimos sete anos – Mas, eu confesso que preciso de mais algumas sonecas, antes de isso acontecer. – ela bocejou largamente, sorrindo convidativamente para ele logo em seguida – Quer se juntar a mim?
- Apenas se você me prometer que vai se controlar. – ele fingiu se remexer, falsamente escandalizado, mas mesmo assim se deitou ao lado dela, puxando-a junto a si com extremo cuidado – Lembre-se que ainda vamos passar por mais 40 dias de resguardo, depois de hoje.
- Não seja bobo. – ela o acotovelou de brincadeira – Você me tornou uma devassa, é verdade, mas não nesse nível. Eu apenas quero você me abrace. – descansando a bochecha contra o ombro dele e relaxando em seu abraço, Minty sorriu – Me faz dormir mais rápido.
- Tudo o que você quiser, meu anjo. – Gareth ronronou, afundando o nariz em seu cabelo por um momento – Oh, o que me faz lembrar... – ele a olhou no fundo dos olhos, extremamente sério, antes que um sorriso apaixonado se espalhasse por seu rosto – Eu amo você. Obrigado por ter trazido Grace para a nossa família e me dado mais um pedacinho seu para amar.
- Oh, Gareth... – ela fungou e, inclinando-se para dar-lhe um beijo, aconchegou-se ainda mais entre seus braços – Eu amo você. Muito. E obrigado... Por me fazer feliz.
- O prazer é todo meu, minha Duquesa. – ele abriu o mesmo sorriso charmoso que a fizera se apaixonar por ele à primeira vista, anos atrás – Agora, feche seus olhos e vamos descansar um pouco. Logo este quarto vai estar cheio de crianças exigindo sua mais uma vez e nós dois sabemos que você não vai ter nenhuma alternativa a não ser mimá-las. Como os anjos fazem.