proibido como o pecado

888 Palavras
Isis narrando Eu nunca pensei que um simples fechar de porta poderia mudar tanta coisa. A sala estava escura, silenciosa, abafada. Mas dentro de mim, tudo era caos. Um furacão de sensações, vontades e... culpa. Culpa por estar ali, trancada, de frente para ele. Para o homem que me fazia esquecer de tudo que eu era — da filha, da herdeira, da prometida. Diante de Sebastian, eu não era nada além de desejo. Ele me olhava como se pudesse me despir só com os olhos. E o pior? Eu deixava. Eu queria isso. Eu queria ele. — O que você está fazendo, Isis? — sua voz veio firme, mas baixa, rouca... como um trovão abafado. — Está me provocando, é isso? — Não sei o que estou fazendo. Só sei que... eu não quero fugir mais. — minha voz falhou na última palavra, mas eu mantive o olhar. — E você? Sebastian me encarou por longos segundos, e aquilo foi mais c***l que qualquer silêncio. Senti minhas pernas fraquejarem, o coração martelar no peito como se fosse explodir. Então ele caminhou até mim, com aqueles passos lentos, pesados, cheios de autoridade. Me pegou pela cintura e me encostou contra a parede com firmeza. Seu rosto tão próximo do meu, que eu podia sentir seu hálito fresco, mentolado. — Você tem noção do que está fazendo? — perguntou. — Você tem noção do que já me fez sentir? — retruquei. Não houve mais palavras. Ele me beijou. Mas não foi um beijo doce. Foi um beijo urgente, bruto, faminto. Nossos corpos colidiram como ondas violentas. Suas mãos deslizaram pela minha cintura, pelas minhas costas, apertando com força, marcando. Eu me rendi, me entreguei, me esqueci. Não era mais uma menina. Era uma mulher. E naquele momento, era a mulher de Sebastian. [...] A forma como ele me tocava era diferente de qualquer um. Não havia insegurança. Não havia dúvidas. Era domínio. Ele sabia o que fazer, como fazer. Me despiu devagar, como se cada botão que soltasse da minha blusa fosse um pecado a mais que cometíamos juntos. Quando minha pele encontrou a dele, o mundo pareceu desmoronar. Seu toque era fogo. Seu beijo era veneno. Fizemos amor ali mesmo, naquela sala proibida. Não houve delicadeza. Houve intensidade. Cada gemido meu era abafado pelo seu beijo. Cada investida sua arrancava de mim um pedaço de sanidade. E quando tudo terminou, quando estávamos ofegantes, colados, nus, em silêncio... a culpa bateu como uma marreta. Eu levantei devagar, peguei minhas roupas do chão e comecei a me vestir, evitando olhar para ele. — Isso foi um erro... — sussurrei. — Não. — ele disse firme. — Foi inevitável. Nos encaramos. Havia tanta coisa entre nós naquele olhar. Desejo. Medo. Raiva. Dor. — Eles vão nos m***r, Sebastian. Se descobrirem... — Vão ter que me m***r primeiro. — ele respondeu, e seus olhos queimavam. Quis acreditar nisso. Mas a verdade é que estávamos enredados numa teia impossível de desfazer. Eu estava noiva de outro. E ele... ele era meu tio. Mesmo que não de sangue, era o irmão do meu pai. O braço direito do Capo. O homem mais respeitado depois de Wallace. O único que ousava encarar meu pai de frente. — Você é louco. — falei. — Louco por você. — ele respondeu. E eu saí dali. Sem olhar pra trás. Com o corpo vibrando. E a alma em pedaços. [...] Voltei pro meu quarto como um furacão tentando se conter. Troquei de roupa, joguei água no rosto, me encarei no espelho. — O que você fez, Isis? — perguntei ao reflexo. Minha pele ainda ardia onde ele havia me tocado. Meus lábios estavam inchados dos beijos. Minhas pernas tremiam. Eu me sentia viva, inteira, desejada. Mas, ao mesmo tempo, me sentia suja. Culpada. Perdida. Quando deitei na cama, não dormi. Apenas chorei em silêncio. Mas não era tristeza. Era desespero. Um tipo de dor que só quem ama o impossível consegue entender. [...] No dia seguinte, tudo estava como sempre. Exceto eu. Desci para o café da manhã e todos estavam à mesa. Íris foi a primeira a perceber. Ela me olhou de canto, com aquele ar de deboche que só ela sabia fazer. — Dormiu bem? — perguntou. — O suficiente. — respondi, mantendo a compostura. Sebastian estava do outro lado da mesa, como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse me devorado com os olhos, com as mãos, com o corpo. Como se não tivesse me tirado o fôlego, a razão, e me dado a primeira vez de muito prazer. Ele mastigava lentamente, calmo. Mas eu sabia. Sabia que ele estava tão em guerra por dentro quanto eu. Meu pai pigarreou e limpou a garganta. — Hoje à noite iremos jantar na Mansão Mancine. Será oficializado o noivado. Isis, vista algo à altura. Não tolerarei mais resistência. Engoli seco. O mundo caiu mais uma vez. — E se eu não quiser? — perguntei, firme. Wallace me olhou como se eu fosse uma criança insolente. — Não é uma escolha. É um dever. Você representa a família Donatello. Sua vontade não pesa mais que a honra dessa casa. Sebastian não disse uma palavra. Mas sua mandíbula travou. Eu me levantei da mesa. Sem dizer mais nada. Apenas saí, de cabeça erguida. Mas por dentro, eu estava desabando.
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