como uma Donatello

1048 Palavras
Isis narrando Subi as escadas da mansão como se cada degrau pesasse toneladas. As palavras do meu pai ainda martelavam na minha mente: “Você representa a família Donatello.” Representa. Carrega. Sacrifica. Mas ninguém pergunta se a Donatello aqui sente. Entrei no meu quarto e me joguei na cama sem me importar com a maquiagem que borraria ou o vestido que amassaria. Eu queria gritar. Mas gritar não traria paz. Nem me libertaria. Meu corpo ainda carregava os vestígios de Sebastian. O gosto dele, o cheiro dele, as marcas invisíveis que ninguém mais via, mas que estavam tatuadas na minha pele. E agora eu seria oficialmente a noiva de outro. Senti as lágrimas queimarem os olhos, mas respirei fundo. Chorar não mudaria nada. Naquele mundo, quem abaixa a cabeça é engolido. Então me levantei. Me olhei no espelho. E decidi o que fazer. Seria como eles querem que eu seja. Mas do meu jeito! Se querem uma Donatello, então terão uma mulher forte, fria e estrategista. Se vou ao noivado, irei como quem vai para o campo de guerra. E, por dentro, armada com o que eles jamais poderão controlar: minha vontade. [...] Já é outro dia... Íris entrou no meu quarto sem bater. Claro. — Já sei o que você vai vestir — ela disse, se jogando na minha poltrona como se fosse dona do lugar. — O vestido vermelho. Aquele que te faz parecer uma deusa que voltou dos mortos. — Por quê esse? — Porque é o tipo de vestido que faz todo mundo na festa esquecer de respirar. Incluindo o Rodrigo... e o tio Sebastian. Olhei pra ela e sorri. Íris era louca, atrevida e cheia de coragem. E, naquele momento, ela era meu ponto de equilíbrio. — Você acha que ele vai estar lá? — O Rodrigo? Óbvio. — ela riu — Mas sei que não é dele que você está falando. Revirei os olhos. — Você fala demais, sabia? — E você sente demais — ela rebateu. [...] Coloquei o vestido vermelho. Ele abraçava meu corpo como se tivesse sido feito para ele. Justo na cintura, com uma f***a lateral generosa e um decote que desafiava qualquer moral. Passei um batom vinho, deixei o cabelo solto, ondulado, e calcei um salto preto que fazia barulho quando eu caminhava, como se cada passo dissesse: “Cuidado. Perigo.” Quando desci as escadas, todos estavam me esperando na sala. Minha mãe me olhou com aprovação silenciosa. Meu pai apenas assentiu, como quem diz: “Você entendeu o recado.” E Sebastian... Sebastian me olhou como se quisesse rasgar o vestido ali mesmo. Como se me odiasse por estar tão linda a caminho do noivado com outro. Como se quisesse me trancar em um quarto e me fazer dele de novo, e de novo, até que o mundo deixasse de existir. — Você está... pronta? — ele perguntou, com a voz grave. — Estou. Como uma Donatello deveria estar. — respondi, erguendo o queixo. [...] A Mansão Mancine era uma fortaleza dourada. Um lugar onde o luxo gritava mais que qualquer valor humano. Onde os cristais cintilavam mais que os olhos das mulheres. Onde sorrisos falsos eram mais bem recebidos que verdades dolorosas. Rodrigo me esperava à porta, vestido num terno preto impecável, com uma rosa vermelha na lapela. Ele me deu a mão e beijou meu rosto. — Você está maravilhosa. — Eu sei. — respondi, seca. Ele pareceu engolir em seco. Durante o jantar, os Mancine brindavam como se estivéssemos em um casamento real. Tios, primos, aliados... todos brindando à aliança que nos salvaria da guerra. Mas tudo o que eu conseguia pensar era em como Sebastian me olhava do outro lado da mesa. Em como suas mãos haviam estado entre minhas pernas. Em como ele dizia meu nome quando o prazer explodia. — Isis? — Rodrigo me chamou, tirando-me dos meus devaneios. — O quê? — Eles estão esperando você dizer algumas palavras... Olhei em volta. Todos me encaravam. Wallace. Melissa. Marco Mancine. Marcela. Renata. Raul. Íris. E Sebastian. Sobretudo Sebastian. Levantei a taça. — Que essa união traga paz. E que a paz não custe a nossa alma. — falei, olhando diretamente para o meu pai. Ele franziu a testa. E Sebastian sorriu, quase imperceptivelmente. Depois do brinde, dancei com Rodrigo. Era parte do teatro. Ele era gentil. Tentava me conduzir. Mas eu estava rígida, fria. Fingindo. Até o momento em que Sebastian se aproximou e pediu para dançar comigo. Rodrigo hesitou. — Posso? — Sebastian perguntou, formal, olhando para ele. Rodrigo assentiu. Inocente. E então, por breves minutos, dancei nos braços do homem que era meu pecado. — Você vai mesmo seguir com isso? — ele sussurrou no meu ouvido. — Se eu não seguir, eles matam você. Ou me matam. Ou os dois. — respondi. — Deixe que matem. Mas você... você é minha. — ele sussurrou, roçando os lábios em minha orelha, de forma imperceptível. Meu corpo inteiro estremeceu. A música acabou. Nos afastamos. Mas o fogo entre nós não cessou. Nem cessará. [...] Naquela noite, deitada na cama após o jantar, ouvi uma batida na janela do meu quarto. Sebastian. Ele havia escalado a lateral da mansão. Como um ladrão. — Você é louco. — sussurrei, enquanto ele entrava no quarto escuro. — Louco por você. — ele repetiu. E me beijou. Com a mesma fome. Com o mesmo pecado. Ele passou a mão delicadamente pelo meu corpo, apertou com desejo e passou todo o seu lábios sobre mim, me beijou incontrolavelmente e me desceu até minha v****a. Sebastian me abocanhou com tanto desejo que nada mais fez sentido, seus lábios me sugam com prazer, sua língua me estremece e eu g**o em sua boca, ele sobre novamente... me beija com intensidade em empurra seu m****o grande e grosso em mim, ele empurra enquanto eu reviro os olhos de prazer, empurra cada vez mais fora enquanto o espelho da minha cama bate na parede e não nos importamos com o barulho que isso pode fazer... E pela segunda vez, me fez dele. Na minha cama. Na casa do meu pai. Na mesma noite em que anunciei meu noivado com outro. Eu não sou mais uma prisioneira. Eu sou uma criminosa. E o pior? Eu estou gostando.
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