Pré-visualização gratuita 01 PANTERA
PANTERA NARRANDO
Tem mulher que entra em presídio por amor. Tem mulher que entra por obrigação. E tem mulher que entra porque não teve outra escolha.
Eu? Entro por trabalho. Ninguém sabe meu nome de verdade. Lá dentro eu sou só Pantera. Amanda ficou perdida em algum lugar do passado.
Seguro a sacola transparente exigida pela direção do presídio e caminho até a fila das visitantes.
Ao meu redor, dezenas de mulheres. Algumas carregam marmitas. Outras roupas limpas. Produtos de higiene. Cartas. Fotos dos filhos. Tem umas chorando. Outras sorrindo porque vão encontrar o homem que amam.
Cada uma carrega uma história. Eu carrego um serviço.
A agente penitenciária faz sinal.
XXX— Próxima. _ Entrego meus documentos. Ela olha para minha foto. Depois para mim.
Não demora nem cinco segundos para reconhecer meu rosto.
XXX— Pantera..._ Só balanço a cabeça. Ela devolve o documento.
XXX— Pode passar. _ Entro na sala da revista.
A rotina é sempre a mesma. Tiro o tênis. Abro os braços. Levanto o cabelo. Espero terminarem. Nunca reclamei.
Quem trabalha nesse meio aprende cedo que reclamar só dificulta a própria vida.
Quando a revista acaba, pego minha sacola novamente. Respiro fundo.
Mais um portão. Depois outro. Mais uma grade. O barulho do ferro batendo ecoa pelo corredor.
Toda vez que escuto aquele som lembro que ali dentro ninguém é realmente livre. Nem quem está preso. Nem quem entra por vontade própria.
Sigo caminhando junto das outras mulheres. O caminho até a galeria é longo.
Os presos começam a aparecer atrás das grades. Uns assobiam. Outros chamam pelas visitantes. Tem quem grite o nome da esposa. Tem quem só observe. Meu olhar continua reto.
Aprendi há muito tempo que, dentro de um presídio, olhar demais também é uma forma de dar confiança.
XXX— Olha a Pantera aí..._ escuto uma voz atrás das grades. Continuo andando.
XXX— Hoje ela veio fazer job pra quem? _ Outro preso pergunta.
XXX— Se ela entrou é porque alguém vai sair feliz. _ Alguns riem. Outros ficam em silêncio. Não respondo. Nunca respondo.
Quanto menos falam sobre mim... Melhor.
Paro somente quando chego à cela que procuro. Lá dentro, sentado na parte de baixo do beliche, está soberano.
Ele já me esperava. Assim que me vê, levanta. Os outros presos da cela entendem o recado sem que ninguém precise dizer nada.
Pegam algumas coisas e saem para outra cela. Ali dentro existe respeito. Quem fecha um job com a Pantera merece privacidade.
Não por mim. Pela informação. Mas pra muitos ali... eu vou me deitar na cama. E fazer um sexo que deixa qualquer homem satisfeito..., mas a alguns anos não é pra isso que entro em uma cela.
O último preso sai. A grade bate. Ficamos só nós dois.
Soberano cruza os braços. É alto. Tem o corpo coberto por tatuagens. O rosto marcado por uma cicatriz antiga.
Os olhos são daqueles que já mandaram matar muita gente.
Ele me observa de cima a baixo. Não com desejo. Com curiosidade.
SOBERANO— Então tu é a famosa Pantera. _ Encosto perto da parede.
PANTERA— Depende.
SOBERANO— Depende do quê?
PANTERA— De quem tá perguntando. _ Ele sorri de canto.
SOBERANO— Dizem que tu resolve problema.
PANTERA— Resolvo.
SOBERANO— Qualquer um?
PANTERA— Desde que paguem. _ Ele ri baixo.
SOBERANO— Gosto de gente direta.
PANTERA— Então fala logo o que tu quer. _ Soberano caminha devagar até ficar a poucos passos de mim.
Qualquer outra mulher talvez recuasse. Eu não. Se demonstrar medo, perde o respeito. Se perde o respeito... Perde a vida.
SOBERANO— Antes eu quero saber uma coisa.
PANTERA— Pergunta.
SOBERANO— Tu trabalha pra qual facção?
PANTERA— Pra nenhuma.
SOBERANO— Impossível.
PANTERA— Experimenta perguntar por aí. _ Ele continua me encarando.
SOBERANO— Então por que deixam tu entrar em qualquer cadeia? _ Dou de ombros.
PANTERA— Porque eu entrego resultado... Poque pra todos nesse momento já estou sentando pra tu. _ o silêncio vem.
Ele mede cada palavra. Cada expressão. Como se tentasse descobrir onde está a mentira. O problema é que não existe.
Nunca escolhi lado. Nunca vesti camisa de facção. Nunca carreguei rádio. Nunca subi morro armada. Meu trabalho sempre foi outro. Informação.
Enquanto muita gente acredita que poder estar na arma... Eu aprendi que o verdadeiro poder está em saber coisas que ninguém mais sabe.
SOBERANO— Falaram que tu descobriu quem desviou minha carga.
PANTERA— Descobri.
SOBERANO— Tem certeza?
PANTERA— Se eu não tivesse, não tinha aceitado teu serviço. _ Ele passa a mão na barba.
SOBERANO— Quanto? _ Falo o valor. Ele solta um assobio. — Tá achando que dinheiro nasce em árvore?
PANTERA— Não.
SOBERANO— Então abaixa isso.
PANTERA— Também não. _ Ele dá dois passos para perto.
Agora estamos perto o suficiente para qualquer movimento errado acabar muito m*l.
SOBERANO— Tu sabe que eu posso simplesmente pegar essa informação à força. _ Olho bem dentro dos olhos dele.
PANTERA— Pode tentar. _ Ele arqueia uma sobrancelha.
SOBERANO— Não tem medo? _ Respiro fundo. Essa pergunta sempre aparece. A resposta também.
PANTERA— não tenho medo. E mesmo que tenha... aprendi a não deixar ele mandar em mim. _ Soberano continua parado. Depois de alguns segundos, balança a cabeça devagar.
SOBERANO— Agora entendi por que ninguém mexe contigo.
PANTERA— Não.
SOBERANO— Não?
PANTERA— Ninguém mexe comigo porque sabe que, se eu cair... a informação morre comigo. _ Ele sorri. Um sorriso de respeito. Não de amizade. Respeito.
SOBERANO— Tu é mais inteligente do que falaram.
PANTERA— Ainda falaram pouco. _ Ele caminha até o colchão. Pega um pequeno caderno escondido entre as cobertas.
Arranca uma folha. Escreve um número. Entrega para mim.
SOBERANO— Amanhã esse dinheiro vai estar na conta. _ Guardo o papel sem conferir. Nunca conferi na frente de cliente. Confiança também faz parte do trabalho.
PANTERA— Quando confirmar o depósito... Tu recebe o nome. _ Ele estende a mão. Não para me cumprimentar. Para fechar negócio.
Olho para aquela mão durante alguns segundos. Depois aperto.
O acordo está feito. Viro de costas. Antes que eu alcance a grade, soberano fala.
SOBERÓN— Pantera..._ Paro. — Quem te ensinou a sobreviver desse jeito? _ Fecho os olhos por um segundo.
A pergunta atravessa qualquer armadura. Porque ninguém ensinou. Nem meu pai. Nem algum chefe. Nem o crime.
Quem me ensinou foi a fome. Foi o abandono. Foi a dor. E, principalmente... Foi o dia em que eu perdi a única pessoa que me amava.
Ainda consigo lembrar daquele quarto de hospital. Do cheiro forte de remédio. Da mão gelada da minha mãe apertando a minha.
Eu tinha apenas quatorze anos. E não fazia ideia de que, quando aquela porta se fechasse atrás de mim... Amanda morreria aos poucos.
E, anos depois... Nasceria a mulher que o crime inteiro aprenderia a chamar de Pantera.
AMORES AQUI INICIAMOS UMA HISTÓRIA QUE PROMETE MUITO PRA NÓS.
COMENTEM E VOTEM. ELA FICARA GRÁTIS POR TEMPO INDETERMINADO.
O LANÇAMENTO OFICIAL É DIA 01/09 DURANTE ESSES DIAS TEREMOS CAPÍTULOS ESPORADICAMENTE