Juliano
Acordo mais cedo que o habitual e deixo a Talita dormindo. Ela deve estar esgotada mentalmente depois de todos os acontecimentos recentes. Fico alguns segundos a olhando e ela parece uma escultura.
Tomo um banho e vou para o escritório, assim que chego ligo para o Sávio. Ainda são 7 da manhã, mas não posso esperar mais para resolver as minhas pendências.
- Alô? – Ele atende meio desorientado.
- Sávio, estou pronto para encontrar com o seu “contato”. – Digo direto ao ponto.
- Juliano? Cara, são 7 horas da manhã. Nem a Ana Maria Braga acordou ainda. – Ele fala sonolento.
- Tenho pressa em resolver isso. Aguardo vocês aqui no meu escritório o quanto antes. – Digo e desligo.
Enquanto eles não chegam, fico resolvendo algumas demandas de trabalho no notebook. Até que as 11h, sou interfonado e avisado que eles me aguardam na recepção.
Vejo que ele está acompanhado de um homem e quando chego mais perto, fico perplexo com a coincidência. Trata-se daquele rapaz que nos chamou para o churrasco e tinha um relacionamento aberto com uma mulher. Inclusive, me recordo de que a mulher procurou a Talita recentemente para ser sua advogada.
- Bom dia, Juliano. – Sávio diz estendendo a mão e eu retribuo.
- Bom dia, que coincidência. Nós já nos conhecemos, Sávio. Lembra de mim? Sou o Natan, estava hospedado naquele chalé com a minha ex-namorada e você estava com a sua esposa. – Ele diz.
- Bom dia, Natan. Me recordo perfeitamente. Apesar de você não ter dito que era sua namorada, disse que era sua amiga. – Falo e ele se espanta com o meu questionamento.
- É, pois é. Estávamos passando por uma fase turbulenta.
- Vamos para a salas de reuniões, teremos mais privacidade. – Digo os guiando para a sala.
- Bom, como o Sávio já deve ter atualizado, estou com problemas referentes a minha segurança e a segurança da minha família. O causador desses problemas, provavelmente é o genitor do meu filho adotivo. Ele sempre foi envolvido com o cr1me, mas eu não imaginava que estava em um esquema tão grande quanto o atual. Todos nessa sala sabemos que eu nunca me envolvi em nenhum esquema e nem irei, mas eu sei que vocês dois participam e, o Sávio mesmo me ofereceu ajuda para cessar as tramóias desse homem. Gostaria de saber como isso será feito e quanto vocês irão me cobrar. – Vou direto ao ponto.
- Olha, Juliano... As informações que temos até o momento, não comprovam o envolvimento do Tr3va com a tentativa de sequestro dos seus filhos. Mas, o que eu posso te oferecer nesse momento, é proteção. Claro, isso terá um preço. Se for comprovado que o Treva está por trás de todos os acontecimentos, ele será julgado no tr1bunal do crime, pois nada pode ser feito sem a autorização do chefe. A proteção que eu posso te oferecer é avisar todos os meus “funcionários” para não o ajudarem se alguma ordem for dada e me comunicarem imediatamente. Não sou o cabeça do esquema, mas tenho muita influência com os envolvidos. Você pode ter certeza de que eles não iam aprovar isso que o Treva, supostamente, está fazendo. Não pelo seu bem-estar ou da sua família, mas por expor todo o esquema milionário que é feito faz tanto tempo e com tanto cuidado. Temos regras a serem seguidas e a única forma que eu posso te ajudar, é dando ordens para me comunicar. Não posso puni-lo sem provas, pois não sabemos se é ele mesmo o mandante. – Ele explica.
- Certo. Mas, os dois homens que abordaram a minha família no barco, eram envolvidos no seu esquema? – Pergunto.
- Sim, isso foi comprovado. Mas, eles também faziam “outros” trabalhos, apesar de isso não ser aceito pelos chefes. Somente poderiam ser feitos trabalhos que não exponham a nossa “operação ilegal”. – Ele fala e eu sinto nojo da naturalidade dele em falar sobre cr1mes terríveis de tr4fico de órgãos e humanos. Mas, primeiro preciso proteger a minha família e depois tomar alguma atitude quanto a isso.
- Bom, não deixam de ser evidências que corroboram para a participação do Treva. Mas, eu aceito os seus termos. Eu quero ser informado caso haja alguma ordem vinda do Treva, mas também que alguém o observe, pois ele pode tentar fazer algo com as próprias mãos. Você sabe mais do que ninguém que não se mexe com a família de um homem. Isso acarreta consequências e eu só não fiz nada com ele ainda, porque infelizmente, ele é o pai biológico do meu filho e eu queria poupar o sofrimento dele. – Explico e ele faz uma cara de compreensão.
- Eu entendo e estou aqui para ajudar. Porém, o custo disso não será barato. Vou designar homens para investigar e comunicar qualquer atitude suspeita e isso custará dinheiro. Preciso de 200 mil reais, sem esse valor, não poderei ajudá-lo. – Como eu imaginava é um mercenário.
- Ótimo. – Falo e peço licença.
Vou até minha sala e abro o cofre onde guardo valores em dinheiro. O escritório é o lugar mais seguro para isso por conta da segurança do prédio. Recebo muitos pagamentos de clientes em dinheiro vivo.
Pego a quantia e distribuo em quatro envelopes com 50 mil reais cada um.
- Eu aceito os seus termos. Aqui está o valor total. Podem conferir. – Entrego os envelopes e eles conferem. Tenho certeza que o Sávio irá tirar uma beirinha dessa grana, conheço a ganância dele.
Dou outro papel com meus telefones pessoais e terminamos de conversar.
Alguns minutos depois a Talita me liga.
- Oi meu amor. – Atendo.
- Oi, amor. Você está no escritório? Estou preocupada, mas não queria te ligar antes para não te atrapalhar.
- Você sabe que nunca me atrapalha. Eu estava em uma reunião com o Sávio e o seu contato. Adivinha quem é o contato? O Natan. Aquele namorado, amigo, ex-namorado da moça que te procurou querendo que fosse advogada dela.
- Meu Deus. Será que isso é coincidência? Muito estranho. – Ela fala e eu concordo.
- Não sei. Mas, no momento, precisamos dele. Quando chegar em casa te conto com detalhes, não devemos ficar falando desses assuntos importantes pelo celular.
- Ok, conversamos quando você chegar então. – Ela fala e nos despedimos.
- Te amo, amor.
- Eu também, beijos... – Ela responde e desliga