Talita
Depois de toda essa situação caótica, chegamos em casa. O Juliano não para um minuto. Faz várias ligações e contrata seguranças para o nosso dia a dia. Antigamente, eu diria que isso era exagero, mas depois da situação que eu vi, depois de sentir que ia perder meus filhos, eu compreendo e me sinto mais segura com tudo isso.
Eu penso por um momento em ir embora para a Itália, pelo menos por um tempo. Meus pais se adaptaram muito bem lá, mas o Juliano não poderia ir por causa do escritório. Isso seria o fim do nosso casamento, então afasto essa possibilidade.
- Amor, você conseguiu descobrir mais alguma coisa? – Pergunto enquanto termino de fazer o jantar. Dispensamos a babá e demos folga de uma semana, por conta dos seus ferimentos e pelo seu psicológico também. A outra babá só virá amanhã para nos ajudar na rotina.
- Ainda não, Tali. Mas, não se preocupe. Logo iremos descobrir tudo. Isso não vai ficar assim... – Ele m*l termina de falar e vemos que tem alguém tocando a campainha.
Ele vai até a porta e eu ouço uma pequena discussão, corro para ver o que está acontecendo e vejo Juliano discutindo calorosamente com ninguém menos que o Sávio.
- Como você tem coragem de aparecer aqui? Você acha que me engana? Tenho certeza de que está envolvido em todos os últimos acontecimentos. – Juliano diz aos berros e eu mantenho no outro cômodo, só ouvindo a conversa.
- Cara, eu fiquei sabendo o que acontece. A notícias correm no judiciário e, isso apareceu até na televisão. – Sávio diz e eu fico chocada que a mídia conseguiu acesso às informações e estamos mais expostos do que nunca.
- Me fala, Sávio. Foi você que planejou tudo isso? Me fala a verdade uma vez na sua vida. Seja homem. – Juliano diz encarando-o de frente.
- Não fui eu. Eu te juro. Eu não viria aqui se fosse. Eu mudei, cara. Eu mudei de verdade. Não quero o ma1 da sua família, nem mesmo quero o seu ma1. Eu posso te ajudar a pegar quem fez isso. Tenho certeza de que foi o Treva. Ele me procurou na semana passada, eu não o deixei nem entrar na minha sala. Você sabe que eu tenho contato com os dois lados da moeda. Ele está envolvido em muita coisa, ele está crescendo no crime. Não estou envolvido com ele, eu te garanto. Tenho um contato que também é envolvido. Você sabe como é, né... Já fiz muita coisa errada. Mantenho os contatos. Ele participa do esquema de tráf1co de órgãos, ele pode ajudar a descobrir se foi o Treva que mandou e pode dar um fim no Treva... – Ouço abismada aquelas informações.
- Por que eu confiaria em você? Depois de tudo o que você fez? – Juliano o confronta.
- Porque eu sou a sua chance de descobrir tudo. Pensa comigo, cara... Para que eu me arriscaria de abrir tudo de errado que eu já fiz, de te colocar em contato com um dos cabeças e me colocar em risco? EU QUERO TE PROVAR QUE EU MUDEI. – Sávio diz como quem implora por um voto de confiança.
- Então você vai precisar me provar. Marca um encontro amanhã com esse cara e eu quero todas as informações sobre o Treva. NÃO IMPORTA QUANTO ISSO CUSTE.
- Eu vou fazer isso. Cadê a Talita? Ela está bem? Se machucou? Eu posso vê-la? – Quando o Sávio pergunta isso eu sinto um frio na minha espinha, porque sei que a reação do Juliano vai ser extrema.
- Você só pode estar de brincadeira com a minha cara. Minha mulher não é sua conta, o assunto é somente entre nós. Não fala mais o nome da minha mulher. Agora pode ir embora e eu vou te ligar amanhã cedo para nos encontrarmos com o seu contato, eu realmente espero que você não esteja me fazendo perder tempo. – Juliano fala alterando seu tom de voz.
Vejo que ele fecha a porta e respira fundo. O encontro na sala, ainda assustada.
- Meu Deus. O que foi isso? – Pergunto e ele se senta no sofá, me puxando para sentar-se no seu colo.
- Eu também não estou entendendo aonde esse cara quer chegar. Mas, eu vou descobrir. Eu te prometo que vou te proteger e proteger a nossa família, acima de tudo. – Ele fala e apoia seu rosto no meu pescoço.
- Eu estou com medo, amor. Essas pessoas são perigosas. E se for uma armadilha do Sávio? Você precisa se resguardar. Ele pode estar tentando te prejudicar. – Falo com em um apelo.
- Sim, eu pensei nisso. Vou me resguardar, meu amor. Fica tranquila, tenho tudo sob controle. Eu vou te manter informada sobre o que for acontecendo, mas uma coisa eu te garanto. O Treva não sairá impune disso tudo. Se foi ele mesmo que armou tudo isso, ele vai pagar. – Ele fala com convicção e eu prefiro não pensar sobre o que ele vai fazer com esse homem.
- Eu confio em você. Vem, a comida está pronta e os dois estão muito quietinhos. Devem estar aprontando. – Digo e ele me segue até a cozinha.
Dito e feito, quando chegamos na cozinha, vemos os nossos anjinhos brincando com um saco de farinha de trigo. Não consigo segurar a risada. A Catarina está com o rosto cheio de farinha e o Bruno com os cabelos brancos...
Quando eles nos olham arregalam os olhinhos e o Juliano também segura a risada.
- O que aconteceu aqui? – Pergunto tentando manter o mínimo de autoridade que ainda me resta, porque tenho vontade de rir daquela cena.
- Mamãe... Caiu. – Bruno fala e eu resolvo dar um banho nos dois antes do jantar. Juliano me ajuda, ele dá banho no Bruno enquanto eu dou banho na Catarina.
Depois de limpar toda aquela bagunça, sentamos para comer e acaba sendo um jantar muito agradável. Fiz panquecas com molho ao sugo e também com molho branco. Estava delicioso.
Colocamos nossos pequenos na cama e resolvemos dormir também. Juliano me abraça tão forte que eu chego a ter dificuldade para respirar, esse homem não tem noção do seu tamanho e da sua força.