CAPÍTULO 7: O Brinde de Vidro e a Promessa de Aço

1216 Palavras
POV – AURORA DUARTE ROSSI O salão de mármore do Skyline Palace brilhava sob a luz de mil candelabros de cristal. Como sucessora da Duarte Festas, este era o meu palco. Eu não planejava apenas festas; eu criava experiências que cegavam nossos inimigos com luxo enquanto o Conselho operava nas sombras. — Tudo impecável, Aurora — Arthur murmurou ao meu lado, ajustando sua gravata borboleta enquanto conferia os últimos lances de um leilão de ações no celular. — Os investidores estão encantados. Eles não fazem ideia de que este evento é uma cortina de fumaça. — Essa é a ideia, maninho — sorri, acenando para um senador. — Enquanto eles bebem champanhe, Lucas e Isabella estão fechando o cerco jurídico e digital nos Vanchini no andar de cima. Olhei para o centro do salão. Os doze herdeiros estavam espalhados estrategicamente. Vitor e Helena conversavam com magnatas do agronegócio, enquanto Benjamin liderava a orquestra, criando uma trilha sonora de sofisticação que escondia a tensão que pairava no ar. POV – LORENZO ROSSI Eu observava Vittoria à distância. Ela usava um vestido de seda preta que parecia derreter sobre seu corpo, com uma f***a que revelava a coldre discreta presa à coxa. Ela era o equilíbrio perfeito entre a elegância de uma rainha e a letalidade de uma assassina. Aproximei-me dela em um canto isolado do terraço, longe dos olhos curiosos da elite de Chicago. O vento frio da noite soprava, mas o calor entre nós era sufocante. — Preciso te perguntar uma coisa, Vittoria — comecei, minha voz baixa, quase um rosnado. — Com o poder que a sua família tem, com a força da máfia Vitale e das sombras Ortega... por que o Conselho? Vocês poderiam ter esmagado qualquer um sozinho. Por que escolheram se aliar a nós? Vittoria virou-se lentamente, segurando uma taça de cristal. Seus olhos cinzas não tinham hesitação. — Você acha que eu vim por causa de contratos e terrenos, Lorenzo? — Ela deu um passo à frente, invadindo meu espaço. — Eu não vim pelo Conselho. Eu vim por você. O ar sumiu dos meus pulmões por um segundo. — No dia daquele esbarrão, há três meses, eu vi algo em você que ninguém mais tem — ela continuou, a voz firme e direta. — Uma ordem que precisava de um pouco de caos. Eu decidi que você seria meu. O Conselho agora faz parte da minha família porque você faz parte do meu destino. Eu sou direta, Arquiteto. Eu quero você. Eu endureci minha postura, recuperando o controle. — Isso é um erro de cálculo, Vittoria. Para mim, isso é uma aliança. Negócios, segurança e poder. Nada mais. Não confunda atração com destino. Eu mantenho as coisas em linhas retas. Vittoria riu, um som melódico e perigoso, e tocou meu rosto com as costas dos dedos. — Pois aprenda uma coisa sobre mim: eu nunca desisto do que quero. E eu quero comandar o mundo todo ao seu lado. Se você quer manter a pose de gelo, tudo bem. Eu adoro ver o gelo derreter. POV – VINÍCIUS ORTEGA VITALE Eu estava encostado em uma pilastra, observando a movimentação. Meus sentidos de combate estavam em alerta máximo. Maya aproximou-se, radiante em um vestido verde-água que destacava sua serenidade. — Você parece que vai atacar alguém a qualquer momento — ela disse, parando ao meu lado. — É porque eu vou, Doutora — sussurrei, meus olhos escaneando os garçons. — Tem algo errado. Dois daqueles caras não sabem carregar uma bandeja. O equilíbrio deles está no quadril, onde se guarda uma arma, não no ombro. No momento em que terminei de falar, um dos garçons sacou uma submetralhadora debaixo de uma mesa de buffet. — ABAIXEM-SE! — gritei, puxando Maya para trás de uma coluna de mármore enquanto o primeiro disparo quebrava o lustre central. POV – LORENZO ROSSI O caos explodiu. O som de vidros estraçalhados e gritos preencheu o salão. Mas o Conselho não entrou em pânico. Fomos treinados para isso. — Lucas, Davi, formação de defesa! — ordenei pelo ponto eletrônico. Vittoria já estava com a arma na mão antes mesmo de eu terminar a frase. Ela se moveu com uma fluidez assustadora, disparando com precisão enquanto se protegia atrás de uma mesa virada. — São os mercenários remanescentes dos Vanchini! — Lucas gritou pelo rádio, enquanto Davi coordenava a evacuação dos civis pelas rotas de fuga que ele mesmo projetou. — Isabella, proteja os servidores! Arthur, bloqueie as contas deles agora! — ordenei. Vi Vitor e Helena usarem sua força física para derrubar dois invasores que tentavam cercar Aurora. Benjamin, que parecia o mais frágil, sacou uma faca de combate de dentro do seu violino e imobilizou um atacante com uma rapidez que surpreendeu a todos. POV – MAYA DUARTE LOMBARD As balas ricocheteavam no mármore. Vinícius estava à minha frente, disparando com uma calma que me aterrorizava e me fascinava. Um dos atiradores mirou em mim, mas Vinícius se jogou na frente, sentindo o impacto de um tiro de raspão no ombro já ferido. — Vinícius! — gritei. — Fica embaixo, Maya! — ele rugiu, o rosto transfigurado pela fúria. Ele avançou contra o atirador como um animal selvagem, desarmando-o e finalizando-o em segundos. Eu via o sangue manchar a camisa dele, mas ele não parava. Ele era o meu escudo de carne e osso. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Lorenzo estava perto de mim, usando uma pistola curta com a precisão de quem pratica tiro ao alvo todos os dias. Ele era técnico, mas eu era letal. Juntos, limpamos o flanco esquerdo do salão. — Eles estão recuando! — anunciei, vendo os sobreviventes correrem para os elevadores. — Não vão longe — Lorenzo disse, ofegante. — Lucas já travou o prédio todo. Eles estão presos na nossa caixa de vidro. Quando o silêncio finalmente retornou ao salão, o cenário era de destruição luxuosa. O Conselho dos Herdeiros estava de pé. Todos os doze. Alguns com roupas rasgadas, Vinícius sangrando novamente, mas todos vivos. Lorenzo olhou para mim. A pose dele estava abalada. O cabelo estava bagunçado e os olhos brilhavam com a adrenalina. — Você salvou a Aurora — ele disse, olhando para onde minha irmã/amiga estava sendo amparada por Helena. — Eu protejo os meus, Lorenzo — respondi, guardando a arma e limpando uma mancha de sangue no rosto. — E eu disse que o Conselho agora faz parte da minha família. Lorenzo aproximou-se, sua respiração pesada. Ele olhou para cada um dos herdeiros — seus irmãos e primos — e depois para mim e Vinícius. A união que ele projetou agora tinha sido batizada no sangue. — A aliança... — ele começou, a voz falhando por um segundo antes de se recompor. — A aliança é mais forte do que eu imaginei. — É apenas o começo, Arquiteto — sorri, sentindo que a barreira dele estava rachando. — Eu vou comandar este mundo. E você vai estar sentado bem ao meu lado, querendo ou não. Lorenzo não respondeu, mas o modo como ele segurou meu braço para verificar se eu estava ferida disse mais do que qualquer contrato. Ele ainda mantinha a pose, mas no fundo daquela estrutura perfeita, o caos de Vittoria Vitale já tinha se tornado a sua fundação mais importante.
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