CAPÍTULO 8: O Arquiteto da Destruição

1066 Palavras
POV – LORENZO ROSSI O cheiro de pólvora ainda impregnava as cortinas de seda do Skyline Palace, mas para o mundo exterior, o evento havia acabado devido a um "problema técnico no sistema elétrico". A Duarte Festas, sob o comando de Aurora, já estava emitindo notas oficiais enquanto limpava os rastros de sangue. Eu estava parado no centro do salão destruído, observando o buraco de bala no mármore italiano. Meus dedos traçavam a linha da rachadura. As pessoas me viam como o Arquiteto, o CEO, o homem que planejava cidades. Eles não sabiam que eu também projetava a queda de impérios. — Lorenzo. — A voz de Lucas Duarte ecoou no salão vazio. Ele carregava seu case de precisão. Poucos sabiam que o responsável pela inteligência do grupo era também o atirador de elite que nunca errava um alvo a dois quilômetros de distância. — O perímetro está limpo. Os Vanchini que sobraram estão sendo monitorados. Eles cometeram o erro de achar que somos apenas homens de negócios. — Eles atacaram minha família, Lucas — eu disse, minha voz saindo tão fria que o ar ao meu redor pareceu congelar. — No meu mundo, quando uma estrutura está condenada, nós não a reformamos. Nós a implodimos. Olhei para o resto do Conselho que se aproximava. Davi já tinha interceptado as rotas de fuga. Isabella já estava confiscando propriedades dos Vanchini legalmente através de brechas que só uma mente brilhante e c***l como a dela encontraria. Estávamos em modo de combate. Éramos máquinas. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Eu observava Lorenzo das sombras. Pela primeira vez, vi o que estava por trás da fachada de "bom moço da elite". O modo como ele dava ordens, a frieza nos seus olhos azuis... ele era um predador. E isso me excitava mais do que eu estava pronta para admitir. Caminhei até ele, o salto dos meus sapatos ecoando como batidas de um coração pesado no mármore. — Você está em choque, Lorenzo? — perguntei, parando ao seu lado. — Ou está finalmente percebendo que o seu império é tão sujo quanto o meu? Ele se virou para mim. A pose estava lá, mas havia uma f***a na armadura. — O Conselho não é simples, Vittoria. Nós não somos apenas herdeiros de fortunas. Cada um de nós foi forjado para ser o melhor em sua área, custe o que custar. Se a Maya é uma médica de batalhas que pode costurar uma artéria sob fogo cruzado, é porque eu projetei que fosse assim. — Então por que a surpresa com a minha família? — provoquei, chegando mais perto. — Você perguntou por que eu escolhi o Conselho. Eu já disse. Eu vi em você o reflexo do meu pai, Enzo Vitale. Um homem que move o mundo com um olhar. — Eu não sou seu pai, Vittoria — ele rosnou, segurando meu braço com uma força que me fez sorrir. — Não, você não é. Ele é o passado. Você é o futuro — coloquei minha mão sobre a gravata dele, puxando-o para mais perto. — Você diz que isso é apenas uma aliança. Mas olhe para os seus homens. Olhe para o Vinícius e a Maya na enfermaria. Olhe para nós dois. Você está morrendo de vontade de soltar essa pose e me mostrar o monstro que você esconde sob esse terno de três mil dólares. POV – VINÍCIUS ORTEGA VITALE Na ala médica privativa da mansão, o silêncio era quebrado apenas pelo som dos monitores. Maya trabalhava com uma precisão assustadora. Ela não tremia. O vestido verde-água estava manchado de sangue, mas ela agia como se estivesse em um centro cirúrgico de última geração. — Você é boa nisso, Doutora — murmurei, enquanto ela suturava meu ombro pela segunda vez. — Parece que já viu muito sangue para alguém da alta sociedade. — Você acha que o Lorenzo me deixaria ser apenas uma médica de consultório, Vinícius? — Ela me olhou nos olhos, e pela primeira vez, vi a lâmina de aço sob a doçura. — Eu fui enviada para zonas de guerra por dois anos para aprender a salvar os meus irmãos em qualquer condição. No Conselho, ninguém é indefeso. Nem mesmo o Benjamin com seu violino. — O garoto do violino? — ri, sentindo a ardência do álcool. — As cordas do violino dele são feitas de Kevlar e podem degolar um homem em segundos — ela disse, voltando ao trabalho. — Nós somos o que Chicago mais teme: a união entre a inteligência suprema e a falta de escrúpulos para proteger o que é nosso. Senti um arrepio que não tinha nada a ver com o ferimento. Eu estava começando a gostar daquela família. Eles eram tão loucos quanto os Vitale, só tinham melhores relações públicas. POV – LORENZO ROSSI Afastei Vittoria, tentando recuperar meu oxigênio. A presença dela era uma distração letal. — O conselho está reunido — anunciei, ignorando a provocação dela. — Arthur, quero o relatório de danos financeiros dos Vanchini. Isabella, como está o processo de extradição dos mercenários que capturamos? — Eles não vão ser extraditados, Lorenzo — Isabella disse, ajustando os óculos. — Eles vão "desaparecer" no sistema prisional que o papai do Davi controla. Legalmente, eles nunca existiram em Chicago. — Ótimo — olhei para os doze. — O primeiro passo da nossa retaliação não será físico. Será total. Quero que a família Vanchini acorde amanhã sem um centavo, sem uma casa e sem um aliado. E quando eles estiverem nas ruas, Vittoria... — olhei para ela — ...você e o Vinícius podem cuidar da parte que envolve o aço. Vittoria sorriu. — Agora você está falando a minha língua, Arquiteto. — Mas não se engane — cheguei perto dela, sussurrando para que apenas ela ouvisse. — Eu ainda mando nesta base. E eu ainda não decidi o que fazer com você. — Você sabe exatamente o que quer fazer comigo, Lorenzo — ela piscou, saindo em direção à mesa de comando. — Você só está com medo de que, depois que fizer, não consiga mais voltar a ser o CEO certinho. Observei cada um dos membros do meu Conselho. O prodígio financeiro, a estrategista agro, o músico letal, a advogada implacável... eles eram máquinas. E agora, com a Máfia ao nosso lado, éramos uma engrenagem de destruição perfeita. A pose poderia até cair, mas o império jamais.
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