CAPÍTULO 2: Fundações e Punhos de Ferro

1105 Palavras
POV – LORENZO ROSSI O sol m*l havia nascido sobre o horizonte de Chicago e o terreno da antiga fundição já não parecia o mesmo lugar do leilão. O Conselho não perdia tempo. Para nós, cada segundo de atraso era um ângulo fora do lugar. Eu estava no centro do terreno, com um tablet holográfico projetando a estrutura completa da nossa nova base. Ao meu redor, o clã Rossi-Duarte-Lombard operava como um organismo vivo. — Lorenzo, as licenças de construção e as cláusulas de confidencialidade de nível governamental estão assinadas — Isabella aproximou-se, fechando sua pasta de couro. A futura advogada do grupo não tinha um fio de cabelo fora do lugar, mesmo naquele canteiro de obras. — Se qualquer fiscal tentar entrar aqui sem autorização, eu os enterro em processos antes que toquem no portão. — Ótimo, Isabella. Davi, como está o fluxo? — A logística de transporte de material pesado está blindada — Davi respondeu pelo rádio, coordenando a chegada de comboios de aço reforçado. — Ninguém rastreia esses caminhões. Estão entrando como "suprimentos médicos" para a conta da Maya. — Perfeito. Arthur, as planilhas de custo? — O orçamento de 800 milhões foi apenas o começo, mas já recuperei 15% através de isenções fiscais que a Isabella descolou — Arthur comentou, sem tirar os olhos dos números. No centro do terreno, Maya já supervisionava a fundação do que seria o hospital de fachada, enquanto Aurora já planejava o evento de inauguração, escolhendo tecidos e iluminação que camuflariam os sensores de segurança. Era uma sinfonia de competência técnica. Mas, por trás da minha liderança, minha mente ainda voltava para o cheiro de sândalo e para os olhos cinzas de Vittoria. — Lorenzo! — Vitor e Helena chamaram, chegando com os relatórios de solo. — A parte agroindustrial está integrada. Vamos criar um cinturão verde de proteção ao redor da base. Plantas que funcionam como barreiras naturais e sensores biológicos. — O Conselho está pronto — murmurei, olhando para meus primos e irmãos. — Essa base será o nosso altar. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Enquanto os Rossi construíam com concreto e vidro, eu e Vinícius construíamos com suor e sangue. Estávamos no centro de treinamento da Academia de Guarda-Costas fundada por minha mãe. O lugar cheirava a borracha, suor e pólvora. À nossa frente, Tio Gustavo — que os recrutas chamavam de "O Carrasco das Sombras" — circulava ao nosso redor com a mesma agilidade de vinte anos atrás. Sofia, sua esposa, observava da galeria superior, seus olhos atentos a cada falha de postura. — De novo! — Gustavo rugiu. — Lorenzo Rossi não vai te enfrentar com um terno, Vittoria. O mundo dele é protegido por mentes, mas o seu é protegido por punhos. Se você quer entrar no Conselho, precisa ser mais rápida do que o cálculo dele! Eu avancei contra Vinícius. Nossos movimentos eram uma dança letal de artes marciais mistas. Vinícius tentou um golpe baixo, mas eu rolei e o prendi em uma chave de braço. — Nada m*l, Vi — Vinícius resmungou, tentando se soltar. — Mas você está distraída. O Arquiteto está mexendo com a sua cabeça? Eu apertei o braço dele um pouco mais forte antes de soltá-lo. — Ele não está mexendo com a minha cabeça. Ele é o objetivo. O Conselho é forte, Vinícius, mas eles são técnicos demais. Eles não veem o que vem de baixo. — Sofia está certa — Gustavo disse, aproximando-se e entregando-nos toalhas. — O Conselho dos Herdeiros é uma fortaleza. Mas toda fortaleza tem um ponto cego. Vittoria, você será esse ponto cego. Vinícius, você será o suporte que eles não sabem que precisam. — Eles estão construindo algo grande na zona sul — Vinícius comentou, limpando o rosto. — Passei por lá hoje. A segurança é pesada, mas para quem foi treinado pelos Ortega, é um castelo de cartas. — Deixem que eles construam — eu sorri, sentindo a adrenalina baixar. — Lorenzo Rossi gosta de fundações sólidas. m*l sabe ele que eu pretendo me infiltrar na própria estrutura do seu coração. POV – LORENZO ROSSI A noite caiu e eu ainda estava no terreno. Todos já haviam partido, exceto pela equipe de segurança noturna de Lucas. Sentei-me em uma viga de aço, observando o esqueleto da base subir. Minha mão tocou o bolso do paletó, onde eu guardava o cartão de visitas que Vittoria deixou cair — ou deixou para eu encontrar. Tinha apenas o nome dela e um símbolo: uma adaga entrelaçada com uma rosa. — Quem é você, Vittoria? — perguntei ao vento. Eu sabia que, como arquiteto, eu deveria odiar o caos que ela representava. Mas, pela primeira vez na vida, a ordem parecia... tediosa. Eu queria o perigo. Eu queria entender como uma mulher de 20 anos podia ter o olhar de alguém que já viu o fim do mundo. O Conselho estava unido, o império estava crescendo, mas eu sentia que a verdadeira obra ainda nem havia começado. E essa obra envolveria sangue e aço. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Tomei um banho demorado após o treino. No meu quarto, abri meu notebook e acessei os servidores que as Sombras mantinham ativos. Eu tinha acesso a quase tudo, mas o sistema dos Rossi era diferente. Era criptografado por ângulos. Uma genialidade que eu respeitava. — Ele é bom, Vinícius — eu disse quando meu irmão entrou no quarto. — Quem? O Lorenzo? — Vinícius sentou-se na ponta da cama. Aos 19 anos, ele já tinha a envergadura do nosso pai, Enzo. Ele era a força bruta que o Conselho ainda não sabia que precisava. — Ele é um engravatado, Vi. Se eu apertar o pescoço dele... — Não, Vinícius. Ele é um líder. E ele protege os dele. Viu como ele olhou para a médica, a Maya, no leilão? — Senti uma pontada de algo que eu me recusava a chamar de ciúme. — Ele daria a vida por aquele clã. É isso que eu quero para nós. É essa lealdade que o papai sempre pregou. — Amanhã vou dar uma volta perto do terreno de novo — Vinícius disse, com um brilho no olhar. — Quero ver se a segurança do tal Lucas Duarte é tão boa quanto dizem. — Vá. Mas não se deixe ver. Ainda não é hora de sermos convidados para o jantar. Primeiro, eles precisam descobrir que não podem sobreviver sem nós. Olhei para a foto do Lorenzo no jornal econômico sobre minha mesa. 22 anos e o mundo nas mãos. m*l sabia ele que o mundo estava prestes a colidir com a Máfia de Chicago.
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