CAPÍTULO 13: O Eixo do Poder e a Máscara de Vidro

1375 Palavras
POV – LORENZO ROSSI O escritório da filial do Rio de Janeiro tinha uma vista privilegiada para o Pão de Açúcar, mas eu m*l conseguia focar na paisagem ou nos contratos de infraestrutura espalhados pela minha mesa de jacarandá. O motivo do meu distúrbio tinha nome, sobrenome e um perfume de sândalo que parecia impregnar o ar condicionado da sala. Vittoria Ortega Vitale. Ela estava sentada no sofá de couro à minha frente, pernas cruzadas com uma elegância que distrairia um santo, fingindo ler um relatório financeiro enquanto, na verdade, me observava com aquele olhar de predadora. Eu tentei negar. Tentei dizer que essa viagem de negócios entre Curitiba e Rio de Janeiro era técnica demais para ela. Mas como dizer "não" quando Tio Sebastián e Olívia estão de um lado, e Enzo e Valentina do outro, todos concordando que "uma parceria estratégica exige presença constante"? Fui encurralado pela velha guarda. — Lorenzo, o diretor de operações está esperando lá fora — minha secretária anunciou, mas seus olhos, assim como os de todos os homens naquele prédio, desviaram para Vittoria. — Mande-o entrar — ordenei, sentindo uma pontada de irritação que eu me recusava a chamar de ciúme. O diretor entrou, mas em vez de falar sobre a licitação do porto, ele gaguejou ao cumprimentar Vittoria. Eu vi o modo como ele olhou para o decote discreto, mas perigoso, do vestido dela. Minha mão se fechou em volta da caneta Montblanc com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos. — O relatório, diretor. Agora — disparei, a voz saindo como uma lâmina de gelo. Vittoria soltou uma risadinha baixa, fechando a pasta de arquivos. — Relaxa, Arquiteto. O rapaz só está sendo... apreciativo. Diferente de você, que parece que vai morder a própria língua de tanto esconder o que sente. — Eu não estou escondendo nada, Vittoria — menti, sem tirar os olhos do diretor, que saiu da sala quase tropeçando nos próprios pés após o meu olhar fulminante. — Eu prezo pelo profissionalismo neste ambiente. Coisa que você parece desconhecer. — Profissionalismo ou posse? — ela levantou-se e caminhou até a minha mesa, inclinando-se sobre ela. — Você se morde por dentro cada vez que um desses executivos me olha. Por que é tão difícil admitir que você me quer tanto quanto eu quero você? — Porque eu sou o líder deste Conselho — levantei-me, ficando a centímetros dela. — E eu não permito que distrações românticas comprometam a estrutura do que eu construí. — Você é um mentiroso adorável, Lorenzo — ela sussurrou. — Mas a sua máscara de vidro está cheia de rachaduras. POV – MAYA DUARTE LOMBARD Enquanto Lorenzo sofria no Rio, eu estava em uma excursão médica em uma área remota, focada em medicina de emergência e novas tecnologias de trauma. Mas eu não estava sozinha. Vinícius se recusou a me deixar ir apenas com a equipe médica. — É uma zona de risco, Doutora — ele argumentou, enquanto caminhávamos por uma trilha sob o sol forte. — Meus pais e os seus concordaram que eu sou a sua sombra oficial. Eu olhava para ele, de jaqueta de couro mesmo no calor, sempre com a mão perto da arma escondida. O beijo na boate em Curitiba ainda queimava na minha memória. Toda vez que nossos olhares se cruzavam, eu sentia o rosto arder e desviava o foco para os meus equipamentos. — Eu sei me cuidar, Vinícius — disse, tentando manter a voz profissional. — Já estive em situações muito piores. — Eu sei que sabe. Mas eu gosto do trabalho de guarda-costas — ele deu um passo à frente, parando no meu caminho. — Especialmente quando o "ativo" que eu protejo tem o hábito de ficar com vergonha depois de um beijo que claramente gostou. — Vinícius! — reprimi, olhando ao redor para ver se os outros médicos tinham ouvido. — Aquilo foi... uma necessidade estratégica para afastar aqueles rapazes. — Estratégica? — ele riu, uma risada rouca e atraente. — Você é tão teimosa quanto o Lorenzo. Admita, Maya. Você se sente segura comigo não porque eu sei atirar, mas porque você sabe que eu sou o único que realmente te vê por trás do jaleco. Eu não respondi. Não podia. A atração era uma força gravitacional que eu ainda não sabia como medicar. POV – O CONSELHO EM APERFEIÇOAMENTO Enquanto os líderes lidavam com seus sentimentos, o restante do Conselho não perdia tempo. Estávamos em um estado de "evolução forçada". Em Curitiba, na sede das empresas Duarte, Isabella trabalhava em uma sala cheia de plantas arquitetônicas e contratos de concessão. Ela não era apenas uma advogada; ela era a arquiteta legal que blindava cada tijolo das nossas novas obras contra qualquer investigação. Seus pais, Gabriel e Sofia, observavam de longe, orgulhosos da "máquina" jurídica que a filha se tornara. Aurora cruzava o país em seu jato particular. Ela estava visitando cada filial das casas de festas, mas não para checar a decoração. Ela estava instalando sistemas de escuta e reconhecimento facial em cada salão de elite. Onde houvesse uma festa da Aurora, o Conselho teria olhos e ouvidos. Benjamin estava em um teatro municipal para um concerto de gala. Mas, por trás da melodia sublime do seu violino, ele estava mapeando a acústica do local para um futuro encontro diplomático. Seus dedos, ágeis nas cordas, eram os mesmos que podiam usar aquelas mesmas cordas para silenciar um inimigo sem fazer barulho. No centro de treinamento tático, Lucas e Davi estavam suados, liderando grupos de combate. Eles não estavam apenas praticando tiro; estavam desenvolvendo novas táticas de extração e defesa urbana. — O Lorenzo quer perfeição — Lucas disse, ajustando a mira do seu rifle. — E nós vamos entregar invencibilidade. Nas fazendas da família Rossi D’Ávila, Vitor e Helena praticavam sua mira a longa distância. Entre um tiro e outro, eles revisavam os planos de expansão agroindustrial que serviriam de base para os novos refúgios do Conselho. Eles eram a força da terra, a garantia de que, se Chicago caísse, teríamos um império para onde voltar. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE (Noite no Rio) O jantar no restaurante Fasano estava impecável, mas o clima na mesa era gélido. Lorenzo insistia em falar sobre as metas do próximo trimestre, enquanto eu o ignorava e flertava descaradamente com o sommelier apenas para ver a veia no pescoço dele saltar. — O vinho está excelente, não acha, Lorenzo? — perguntei, girando a taça. — É um Brunello de Montalcino, Vittoria. É óbvio que está excelente — ele respondeu, sem tirar os olhos do tablet. — Sabe o que eu acho? — inclinei-me, sussurrando. — Acho que você está com medo de me olhar nos olhos porque sabe que, se olhar por mais de cinco segundos, vai esquecer todas essas metas e me levar daqui agora mesmo. Lorenzo finalmente largou o tablet. Seus olhos azuis, geralmente tão frios e calculistas, estavam escuros de desejo e uma fúria contida que me fez vibrar. — Você se acha muito poderosa, não é? — ele disse, a voz num tom perigosamente baixo. — Acha que porque é uma Vitale e porque tem o apoio da minha família, pode brincar com o líder do Conselho. — Eu não estou brincando, Lorenzo. Eu estou te desafiando a ser homem antes de ser CEO. Ele se inclinou, o rosto a milímetros do meu. — Cuidado com o que você deseja, Vittoria. Eu construí impérios. Imagine o que eu posso fazer com alguém que tenta me desestabilizar. — Eu não quero que você construa nada comigo, Arquiteto — respondi, tocando o lábio inferior dele com o polegar. — Eu quero que você destrua as paredes que colocou entre nós. A tensão era tamanha que o ar parecia vibrar. Estávamos cercados pela elite do Rio de Janeiro, em um dos lugares mais caros do país, mas para nós, o mundo se resumia àquela mesa. Lorenzo segurou meu pulso, uma pegada firme, possessiva. — Vamos embora — ele ordenou. — Agora. Eu sorri, vitoriosa. A máquina estava começando a falhar. E eu estava pronta para ver o que aconteceria quando as engrenagens de Lorenzo Rossi finalmente parassem de obedecer à lógica e começassem a obedecer a mim.
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