CAPÍTULO 14: O Pacto de Sangue em Solo Sagrado

1541 Palavras
POV – LORENZO ROSSI O voo do Rio de Janeiro para Curitiba foi um exercício de autocontrole. Vittoria estava sentada ao meu lado, fingindo estar concentrada em seu tablet, mas eu sentia a provocação em cada movimento dela. No entanto, assim que as rodas do jato tocaram a pista do Aeroporto Afonso Pena, o clima mudou. Meus sentidos, treinados para detectar anomalias em grandes estruturas, vibraram. — Algo está errado — murmurei, ajustando o ponto eletrônico que me conectava ao restante do Conselho. — Eu também senti — Vittoria respondeu, a voz perdendo o tom de brincadeira e assumindo a frieza de uma comandante. — O ar está pesado demais para uma recepção de boas-vindas. Quando chegamos à Mansão Duarte Rossi para o último dia de festa, o jardim estava impecável, as luzes de LED decoravam as árvores centenárias e os garçons circulavam com bandejas de prata. Mas, ao fundo, perto do pavilhão de caça, vi meu Tio Sebastián trocando um olhar rápido com Enzo Vitale. Um olhar que eu conhecia: o olhar de quem está prestes a entrar em guerra. — Lorenzo — Sebastián chamou, aproximando-se com uma calma que só os homens que já mataram e morreram pela família possuem. — Que bom que voltaram. Temos convidados indesejados cercando a propriedade. Mercenários de cartel, ligados aos remanescentes dos Vanchini. Eles acham que, por estarmos todos reunidos, somos alvos fáceis. — Eles acham que somos apenas uma família celebrando — Enzo Vitale completou, aparecendo nas sombras com uma pistola 9mm já em mãos. — Eles esqueceram quem fundou este solo. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Minha mãe, Valentina Ortega, a Rainha das Sombras, aproximou-se de mim e de Vinícius, que acabara de chegar da excursão com Maya. Ela nos entregou dois estojos de couro. — Vitória, Vinícius. A segurança eletrônica foi sabotada há dez minutos. Eles estão vindo pelo bosque sul — Valentina disse, seus olhos brilhando com uma intensidade letal. — Mostrem a eles por que os Vitale e os Ortega nunca devem ser subestimados. Olhei para Lorenzo. Pela primeira vez, não havia desafio entre nós, apenas uma sincronia perfeita. O Conselho de 12 se posicionou em círculo, mas o que aconteceu a seguir foi o que definiu nossa linhagem: nossos pais não recuaram. Eles se integraram à nossa formação. — Maya, prepare a ala médica no porão com sua mãe e a tia Sofia — ordenei. — De jeito nenhum — Maya rebateu, sacando um kit de primeiros socorros tático e uma pequena pistola de defesa. — Eu sou médica de batalha. Eu fico onde o sangue cair. Beatriz, minha mãe, já está com o kit de trauma pronto lá dentro. Eu fico aqui com o Vinícius. POV – LORENZO ROSSI O primeiro disparo veio do bosque, quebrando uma das taças de cristal sobre a mesa de bufê. Foi o sinal. — POSIÇÕES! — gritei. O que se seguiu foi uma demonstração de poder que Curitiba jamais esqueceria. O Conselho de 12 agiu como uma máquina de guerra, mas a Velha Guarda foi o combustível. Lucas e Davi assumiram o telhado da mansão. Lucas com seu rifle de precisão e Davi coordenando os drones de vigilância que ele mesmo hackeou para voltarem a funcionar. Do lado deles, Fabrício Lombard, o pai, dava cobertura com um fuzil automático, mostrando que a mira dos filhos era genética. No jardim, Vitor e Helena formavam uma barreira humana imbatível. Eles usavam o conhecimento do terreno para flanquear os invasores. Bianca, minha mãe, e Sebastián agiam em dupla. Era fascinante e assustador ver minha mãe, a mulher que sempre me deu beijos na testa, disparando com uma precisão cirúrgica contra os mercenários que tentavam pular o muro. — Nada toca no meu filho! — Bianca gritou, derrubando um invasor. POV – VINÍCIUS ORTEGA VITALE Eu estava no corpo a corpo. Três homens avançaram contra o flanco onde eu e Maya estávamos. Eu desarmei o primeiro com um chute na traqueia e usei o corpo dele como escudo humano contra os disparos do segundo. Maya não ficou parada. Quando o terceiro mercenário tentou me esfaquear pelas costas, ela disparou contra o ombro dele, neutralizando a ameaça antes que ele pudesse me tocar. — Boa mira, Doutora! — exclamei, finalizando o oponente. — Eu disse que sabia me cuidar, Vinícius! — ela respondeu, a adrenalina deixando seus olhos ainda mais brilhantes. Ao nosso lado, meu pai, Enzo, operava como uma força da natureza. Ele não apenas disparava; ele comandava o campo. Ele e Sebastián Rossi moviam-se como se estivessem em uma dança de morte que praticavam há décadas. A união entre a Máfia e o Conselho de Chicago não era um experimento; era a conclusão de um pacto de sangue que nossos pais já haviam selado silenciosamente anos atrás. POV – VITTORIA ORTEGA VITALE Eu e Lorenzo estávamos no epicentro. O líder dos mercenários, um homem enorme com cicatrizes de guerra, conseguiu penetrar a linha de defesa e avançou em direção ao pavilhão onde as tias estavam. — Ele é meu! — Lorenzo e eu dissemos em uníssono. Avançamos juntos. Lorenzo usou sua técnica de combate militar para desequilibrar o homem, enquanto eu usei minha agilidade para atingir os pontos vitais com minha adaga. O homem era forte, mas ele estava enfrentando o Arquiteto e a Rainha. Em um movimento coordenado, Lorenzo segurou o braço armado do homem, dando-me a a******a necessária para desferir um golpe nocauteador. Quando o gigante caiu, Lorenzo olhou para mim. Estávamos suados, manchados de poeira e com a respiração ofegante, mas havia um respeito novo ali. Ao nosso redor, o restante do Conselho brilhava. Arthur usava um tablet para desativar os veículos de fuga dos mercenários à distância; Isabella coordenava a limpeza legal pelo telefone, já garantindo que nenhuma sirene de polícia chegasse antes da hora; Aurora protegia os fundos, usando sua percepção de ambiente para detectar armadilhas; e Benjamin, com uma faca tática, movia-se silenciosamente pelas sombras como um espectro. POV – LORENZO ROSSI Vinte minutos. Foi o tempo necessário para limparmos a propriedade. Trinta mercenários neutralizados. Zero baixas na nossa família. A poeira baixou e o silêncio retornou à Mansão Duarte Rossi. Meus pais, tios e os Vitale começaram a guardar as armas, limpando o sangue das mãos como se estivessem apenas terminando uma partida de tênis. — Nada m*l, crianças — Sebastián disse, guardando sua pistola no coldre sob o terno impecável. — Chicago está fazendo bem a vocês. Estão mais rápidos. — Mas ainda têm muito o que aprender sobre limpeza de perímetro — Olívia Duarte comentou, caminhando até nós com uma calma imperial. — Amanhã, teremos um café da manhã para discutir como vamos apagar esse incidente dos registros oficiais. Isabella, querida, já cuidou disso? — Já está feito, tia Olívia — Isabella respondeu, ajustando os óculos. — Os Vanchini serão processados por crimes que eles nem sabem que cometeram antes do amanhecer. Olhei para Vittoria. Ela estava ao lado de sua mãe, Valentina. As duas mulheres mais perigosas que eu já conheci, lado a lado. Vittoria olhou para mim e deu um sorriso de lado, limpando uma mancha de sangue na bochecha. — Satisfeito, Arquiteto? — ela perguntou. — Viu o que acontece quando a "máquina" trabalha unida com o "sangue"? — Eu vi — respondi, aproximando-me dela. Na frente de todos os pais, não houve recuo. Coloquei minha mão no ombro dela, um gesto de reconhecimento e algo mais. — Eu vi que não somos apenas doze. Somos uma dinastia. E quem nos atacar, não está atacando apenas o Conselho. Está desafiando três famílias que não conhecem o significado da palavra derrota. POV – ENZO VITALE Observei meu filho Vinícius e a filha da Beatriz, Maya, conversando perto da fonte. Observei Lorenzo e Vittoria. Sebastián Rossi aproximou-se de mim e ofereceu um charuto. — Eles são melhores do que nós fomos, Enzo — Sebastián murmurou. — Eles são mais perigosos — respondi, acendendo o charuto. — Porque eles têm a nossa força, mas possuem uma inteligência que nós só fomos adquirir com a idade. O Conselho de 12 é o maior trunfo que já criamos. — E as mulheres... — Sebastián riu baixo. — Vittoria vai dominar o Lorenzo em menos de um ano. — Ela já o domina, Sebastián. Ele só é teimoso demais para admitir — dei uma baforada, olhando para o horizonte de Curitiba. — Mas é essa teimosia que vai mantê-los vivos em Chicago. POV – LORENZO ROSSI A noite terminou com um brinde. Não um brinde de festa, mas um brinde de guerra. Estávamos todos no grande salão — os doze herdeiros e a velha guarda. O pacto estava selado. O segredo da Máfia agora não era apenas um segredo, era a base da nossa existência. — Amanhã voltamos para Chicago — anunciei, levantando minha taça. — Os Vanchini acharam que poderiam nos ferir em casa. Eles acabaram de assinar a própria sentença de morte. — E nós vamos executá-la — Vittoria completou, seus olhos fixos nos meus. A união era absoluta. Éramos máquinas, éramos soldados, éramos herdeiros. Mas, acima de tudo, éramos uma família. E em Chicago, o mundo estava prestes a descobrir que, quando os Rossi, os Duarte e os Vitale caminham juntos, a terra treme.
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