CAPÍTULO 15: O Retorno dos Gigantes

1509 Palavras
POV – LORENZO ROSSI O céu de Chicago nos recebeu com um cinza metálico e gélido, combinando perfeitamente com o estado de espírito do grupo que desembarcava do jato executivo. Não éramos as mesmas dez pessoas que haviam partido para Curitiba dias atrás. Éramos doze peças de uma engrenagem letal, e a confiança que emanava de cada um de nós era quase palpável, como uma redoma de poder que afastava qualquer um que cruzasse nosso caminho no hangar privado. Vittoria caminhava ao meu lado. Ela não precisava de palavras para demonstrar sua soberania. O modo como seus saltos batiam contra o asfalto, o queixo erguido e o olhar fixo no horizonte da cidade que pretendíamos dominar, dizia tudo. Atrás de nós, o restante do Conselho se movia em uma formação tática natural, sem esforço, uma unidade perfeita. — A cidade parece diferente quando você sabe que tem o exército certo ao seu lado — Vittoria comentou, sua voz baixa e carregada de uma satisfação sombria. — A cidade é a mesma, Vittoria — respondi, sem diminuir o passo em direção à frota de SUVs pretos que nos aguardava. — Nós é que paramos de fingir que somos apenas inquilinos dela. Agora, somos os donos. Subimos no carro principal. O silêncio dentro do veículo era preenchido apenas pelo som suave dos tablets de Lucas e Arthur sendo ligados. A "máquina" já estava operando antes mesmo de chegarmos à base. — Relatório — ordenei, assim que as portas se fecharam. — Os Vanchini acham que estamos em luto ou em choque — Arthur disse, um sorriso frio surgindo em seu rosto enquanto analisava os mercados. — Eles tentaram liquidar alguns ativos nossos enquanto estávamos fora, mas o que eles não sabem é que a Isabella já havia deixado armadilhas legais em cada contrato. Eles acabaram de comprar dívidas que pertencem a empresas de fachada da Máfia Vitale. — Eles estão cavando a própria cova financeira — Isabella completou, fechando seu notebook com um estalo seco. — E eu vou garantir que a lápide seja bem cara. POV – VINÍCIUS ORTEGA VITALE Eu observava Maya pelo retrovisor do SUV. Ela estava quieta, mas seus olhos não tinham mais aquela hesitação que eu via antes do beijo em Curitiba ou do confronto na mansão. Ela estava limpando um kit de sutura com uma calma que me dava calafrios de admiração. Ela tinha visto o que meu pai era capaz de fazer, tinha visto o sangue de perto, e não tinha quebrado. — No que está pensando, Doutora? — perguntei, mantendo minha voz num tom que só ela pudesse ouvir. — Em como a anatomia humana é frágil, Vinícius — ela respondeu, finalmente encontrando meu olhar. — E em como eu vou precisar de um estoque maior de morfina. Se o Lorenzo e a Vittoria continuarem com esse plano, Chicago vai precisar de muitos médicos. Mas eu só vou salvar os nossos. Os outros... bem, os outros são apenas estatística. Eu sorri. A doçura de Maya ainda estava lá, mas agora havia um gume de aço em volta dela. A união das famílias em Curitiba tinha dado a ela a autorização que faltava para abraçar o lado sombrio do Conselho. — Eu vou garantir que você só precise usar esse kit em arranhões leves — prometi. — O resto do trabalho sujo fica comigo. POV – LORENZO ROSSI (Sede do Conselho - Chicago) Ao entrarmos na nova base, a sensação de invencibilidade era absoluta. Os painéis de vidro fumê refletiam os doze herdeiros, e pela primeira vez, vi a imagem completa. Vitor e Helena dirigiram-se imediatamente para o setor de monitoramento de rotas. Eles estavam mais rápidos, mais precisos. O treinamento com Sebastián e Enzo tinha afinado seus instintos de caça. Aurora já estava ao telefone, sua voz suave escondendo a ameaça enquanto coordenava o cancelamento de todos os eventos sociais da família Vanchini em Chicago. — "Sinto muito, mas o prestígio de vocês expirou", ouvi ela dizer antes de entrar em seu escritório. Benjamin sentou-se em um canto, mas em vez do violino, ele estava montando um novo conjunto de dispositivos de escuta ultrassônicos. Ele era o nosso fantasma, e agora, ele tinha a bênção dos Vitale para ser tão letal quanto quisesse. Lucas e Davi estavam no arsenal. O som das travas das armas sendo testadas era o hino do nosso retorno. Eles não estavam apenas preparando defesa; estavam preparando uma varredura. Vittoria parou no centro da sala circular, olhando para o mapa digital de Chicago projetado na mesa central. — Os Vanchini têm três pontos de distribuição principais — ela apontou, as unhas bem feitas traçando o território inimigo. — Se atacarmos o financeiro, o legal e o físico ao mesmo tempo, eles não terão para onde correr. — Queremos a rendição ou a aniquilação? — Davi perguntou, cruzando os braços. Olhei para Vittoria. O olhar dela encontrou o meu, e vi o fogo que tínhamos compartilhado na dança em Curitiba. Mas agora, o fogo era de guerra. — O Conselho não aceita rendição de quem tenta tocar em sua família — declarei, minha voz ecoando com uma autoridade que fez todos pararem o que estavam fazendo. — Nós voltamos para Chicago para mostrar que a ordem e o caos, quando unidos, são imparáveis. — Então é aniquilação — Vittoria sorriu, e foi o sorriso mais bonito e aterrorizante que já vi. Aproximei-me dela, ignorando a presença dos outros dez por um momento. A confiança dela me alimentava, e minha necessidade de controle encontrava nela o desafio perfeito. — Você está pronta para ver como um Arquiteto destrói uma fundação, Vittoria? — Eu nasci pronta, Lorenzo. Só espero que você consiga acompanhar o ritmo da Máfia quando o primeiro tiro for disparado. — Eu não acompanho ritmos, Vittoria. Eu os crio. POV – AURORA DUARTE ROSSI Enquanto os líderes planejavam a guerra, eu cuidava da asfixia social. O poder do Conselho não vinha apenas das armas do Vinícius ou da inteligência do Lucas. Vinha do fato de que nós controlávamos quem era aceito e quem era excluído em Chicago. — Arthur, como estão as ações da construtora principal deles? — perguntei, entrando na sala de finanças. — Despencando — Arthur respondeu, sem tirar os olhos das telas. — Espalhei o rumor de que a auditoria da Isabella encontrou irregularidades fiscais ligadas a lavagem de dinheiro internacional. Os investidores estão fugindo como ratos de um navio em chamas. — Perfeito. Isabella, e a parte jurídica? — O juiz que eles tinham no bolso acaba de receber um dossiê anônimo contendo todas as suas transações ilícitas nos últimos cinco anos — Isabella sorriu malignamente. — Ele tem duas opções: assinar os mandados de busca contra os Vanchini hoje, ou ir para a cela ao lado da deles amanhã. — É assim que o Conselho trabalha — comentei, sentindo um orgulho imenso de cada um ali. — Nós somos uma máquina de 12 cabeças. Se uma morde, as outras onze engolem. POV – LORENZO ROSSI A noite caiu sobre Chicago, e a base pulsava com uma energia azulada e fria. Eu estava no terraço, observando as luzes da cidade, quando senti a presença de Vittoria. Ela não fazia barulho, mas seu campo de energia era impossível de ignorar. — Você ainda está tentando manter a pose, Lorenzo? — ela perguntou, parando ao meu lado. — Mesmo depois de tudo o que aconteceu em Curitiba? — Não é pose, Vittoria. É foco — respondi, sem olhar para ela. — Amanhã, a vida de muitas pessoas vai mudar. Eu preciso garantir que o Conselho saia ileso. — Nós vamos sair ilesos porque somos mais fortes. Mas você... — ela tocou meu ombro, virando-me para ela — ...você precisa parar de lutar contra o que sente. Você me marcou na boate. Você me segurou na luta. Você sabe que a nossa união não é apenas por causa dos nossos pais ou dos negócios. — Eu sei que você é um perigo para a minha lógica — confessei, minha voz saindo mais baixa do que eu pretendia. — A lógica é chata, Lorenzo. O poder real é visceral — ela se aproximou, seus lábios a milímetros dos meus. — Chicago é nossa. E eu sou sua, assim como você é meu. Admita. — No devido tempo, Vittoria — recuei um centímetro, mantendo a última linha de defesa da minha resistência. — Primeiro, limpamos a cidade. Depois, decidimos quem manda em quem. — Você é impossível — ela riu, mas havia um brilho de admiração em seus olhos. — Mas eu adoro um desafio estrutural. Voltamos para dentro. Os 12 herdeiros estavam reunidos em volta da mesa. O plano estava traçado. A confiança era nossa arma principal, e a linhagem que carregávamos era o nosso escudo. Os Vanchini achavam que tinham visto o pior em Curitiba. Eles não faziam ideia de que o Conselho dos Herdeiros estava apenas começando a mostrar o que acontece quando a elite de Chicago decide parar de seguir as regras e começa a criá-las.
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