O galpão do porto cheirava a metal, água salgada e ódio antigo.
Você sentia o frio do concreto atravessar o solado dos sapatos enquanto Dominic caminhava à sua frente, cada passo calculado. Não havia mais fuga. Não havia mais silêncio.
Lorenzo Vitale tinha escolhido o palco final.
— Fique atrás de mim — Dominic disse, sem olhar para você.
— Não — você respondeu. — Se isso acabar hoje, acaba com a verdade entre nós.
Ele virou-se, o olhar intenso.
— Se algo acontecer—
— Não vai — você interrompeu. — Não depois de tudo.
Antes que ele respondesse, palmas ecoaram no galpão.
— Sempre tão dramático, Domenico.
Lorenzo surgiu das sombras. O sorriso era calmo demais. c***l demais.
— Você perdeu — Lorenzo continuou. — Não o poder. Isso é fácil de recuperar. Você perdeu o que mais teme.
Ele olhou para você.
— Humanidade.
Dominic não se moveu.
— Isso acaba hoje — disse. — Você não vai mais usar pessoas inocentes para me atingir.
Lorenzo riu.
— Inocentes? — Ele inclinou a cabeça. — Como meu irmão?
O silêncio pesou.
— Eu carreguei essa culpa todos os dias — Dominic respondeu. — Mas não vou deixar você continuar.
O primeiro disparo ecoou.
O caos explodiu.
Homens correram. Gritos. Ordens. Você se abaixou instintivamente, o coração disparado. Dominic se moveu como um escudo vivo, sempre voltando para você, sempre se certificando de que estava ali.
Em meio à confusão, Lorenzo tentou fugir.
Dominic o alcançou perto do cais.
— Acabou — Dominic disse, apontando a arma.
Lorenzo ergueu as mãos lentamente.
— Vai mesmo fazer isso? — provocou. — Ou vai provar que ainda é o mesmo homem que destruiu minha família?
Dominic hesitou.
E naquele segundo, você falou.
— Não faça isso por ódio — sua voz ecoou. — Faça por escolha.
Dominic fechou os olhos.
Quando abriu, abaixou a arma.
— Você não vale mais o sangue de ninguém — disse.
Sirenas se aproximavam. Homens de Lorenzo recuaram. Ele foi levado algemado, gritando promessas vazias de vingança.
A guerra terminou ali.
Não com morte.
Mas com fim.
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Meses depois…
A casa já não parecia uma fortaleza.
As armas desapareceram dos corredores. O silêncio pesado deu lugar a algo novo. Paz — imperfeita, mas real.
Dominic estava na varanda quando você se aproximou.
— Eles fecharam os últimos negócios ilegais — ele disse. — Estou fora.
Você o encarou.
— Fora… como?
— Fora desse mundo — respondeu. — Eu não posso apagar o passado. Mas posso escolher o que faço com o que resta.
Você se aproximou devagar.
— E eu? — perguntou.
Dominic virou-se para você, sem armaduras, sem títulos.
— Você é o motivo.
Ele segurou suas mãos.
— Eu não prometo um amor simples — disse. — Mas prometo presença. Escolha. Verdade.
Seus olhos se encheram de lágrimas.
— Eu escolho você — você respondeu.
Dominic te puxou para um abraço forte, real, sem medo.
— Então fica — ele murmurou. — Não por proteção. Por vontade.
Você sorriu contra o peito dele.
E ali, longe das sombras, Dominic Moretti deixou de ser apenas um chefe temido.
Ele se tornou um homem que sobreviveu à própria escuridão…
…porque escolheu amar.
✨ Fim ✨