Você percebeu que tinha cometido um erro no instante em que o carro reduziu a velocidade.
A rua estava vazia demais. Silenciosa demais. A luz do poste piscou uma vez antes de apagar por completo.
Seu coração disparou.
O celular vibrou na sua mão.
Número desconhecido.
Você realmente achou que sair da casa dele te deixaria segura?
— L. Vitale
O ar faltou.
Você tentou ligar para alguém. Qualquer um. O sinal caiu.
Então os faróis surgiram atrás de você.
Rápidos. Próximos.
— Não… — você sussurrou, acelerando.
O impacto veio seco, lateral. O carro rodou e parou violentamente contra o meio-fio. O mundo ficou em silêncio por um segundo longo demais.
Portas se abriram.
Passos.
Você tentou sair, mas a porta estava presa.
— Tão longe da proteção dele… — uma voz disse do lado de fora. — Isso facilita tudo.
Antes que pudesse reagir, outro som cortou o ar.
Um disparo.
Gritos.
— Sai do carro! Agora!
Aquela voz.
Você reconheceria em qualquer lugar.
— Dominic… — seu corpo tremeu ao ouvir o nome.
A porta foi arrancada com força. Dominic apareceu na sua frente como um escudo vivo. O rosto tenso, os olhos queimando de fúria e medo ao mesmo tempo.
— Você está ferida? — ele perguntou, segurando seu rosto com as mãos firmes, mas cuidadosas.
— Eu… eu acho que não — você respondeu, a voz falhando.
Ele te puxou para fora, te envolvendo com o próprio corpo enquanto homens gritavam ordens ao redor. Sirenes se aproximavam ao longe.
— Eu disse pra você não sair sozinha — ele murmurou, a testa encostando na sua por um breve segundo.
— Eu não queria que mais ninguém se machucasse — você respondeu, com lágrimas nos olhos.
Dominic fechou os olhos com força.
— E acabou colocando a si mesma no alvo direto dele.
— Eu não posso viver presa ao seu mundo — você disse. — Mas também não posso negar que…
Ele te interrompeu.
— Olha pra mim.
Você obedeceu.
O caos parecia distante agora. O mundo tinha encolhido para aquele espaço entre vocês.
— Lorenzo não quer só me destruir — Dominic disse, a voz baixa, urgente. — Ele quer provar que tudo o que eu toco vira ruína.
— E eu sou a prova disso? — você perguntou, com dor.
— Não — ele respondeu, firme. — Você é a exceção.
Ele segurou seu rosto com as duas mãos, o polegar limpando uma lágrima que escapou.
— Eu nunca deveria ter te envolvido — ele confessou. — Mas o pior erro da minha vida teria sido fingir que você não importa.
Seu coração bateu forte.
— Dominic…
— Escuta — ele continuou, aproximando-se mais, como se cada segundo fosse roubado do tempo. — Se algo acontecer comigo hoje… você precisa saber.
— Não fala isso.
— Precisa — ele insistiu. — Porque eu passei a vida inteira acreditando que poder era tudo. Que sentimentos eram fraqueza.
Ele respirou fundo.
— Até você.
O silêncio entre vocês era absoluto.
— Eu não sei amar de forma segura — ele disse. — Só sei amar ficando. Protegendo. Enfrentando o inferno se for preciso.
Ele encostou a testa na sua, as mãos ainda firmes no seu rosto.
— E mesmo sabendo que te amar pode me destruir… eu não consigo parar.
As palavras te atingiram como um golpe e um abrigo ao mesmo tempo.
— Dominic… isso é um adeus? — você sussurrou.
— Não — ele respondeu, com uma intensidade quase dolorosa. — É uma promessa.
Ele te puxou para um abraço forte, desesperado, como se quisesse gravar sua existência na própria pele. Não havia pressa. Só necessidade.
— Enquanto eu respirar — ele murmurou no seu ouvido — ninguém encosta em você.
Ao longe, os homens de Lorenzo recuavam. A polícia se aproximava.
A guerra tinha chegado ao auge.
E você entendeu, naquele instante, que longe de Dominic…
você nunca esteve tão vulnerável.