Capítulo 9 — Onde Tudo Pode Acabar

659 Palavras
Você percebeu que tinha cometido um erro no instante em que o carro reduziu a velocidade. A rua estava vazia demais. Silenciosa demais. A luz do poste piscou uma vez antes de apagar por completo. Seu coração disparou. O celular vibrou na sua mão. Número desconhecido. Você realmente achou que sair da casa dele te deixaria segura? — L. Vitale O ar faltou. Você tentou ligar para alguém. Qualquer um. O sinal caiu. Então os faróis surgiram atrás de você. Rápidos. Próximos. — Não… — você sussurrou, acelerando. O impacto veio seco, lateral. O carro rodou e parou violentamente contra o meio-fio. O mundo ficou em silêncio por um segundo longo demais. Portas se abriram. Passos. Você tentou sair, mas a porta estava presa. — Tão longe da proteção dele… — uma voz disse do lado de fora. — Isso facilita tudo. Antes que pudesse reagir, outro som cortou o ar. Um disparo. Gritos. — Sai do carro! Agora! Aquela voz. Você reconheceria em qualquer lugar. — Dominic… — seu corpo tremeu ao ouvir o nome. A porta foi arrancada com força. Dominic apareceu na sua frente como um escudo vivo. O rosto tenso, os olhos queimando de fúria e medo ao mesmo tempo. — Você está ferida? — ele perguntou, segurando seu rosto com as mãos firmes, mas cuidadosas. — Eu… eu acho que não — você respondeu, a voz falhando. Ele te puxou para fora, te envolvendo com o próprio corpo enquanto homens gritavam ordens ao redor. Sirenes se aproximavam ao longe. — Eu disse pra você não sair sozinha — ele murmurou, a testa encostando na sua por um breve segundo. — Eu não queria que mais ninguém se machucasse — você respondeu, com lágrimas nos olhos. Dominic fechou os olhos com força. — E acabou colocando a si mesma no alvo direto dele. — Eu não posso viver presa ao seu mundo — você disse. — Mas também não posso negar que… Ele te interrompeu. — Olha pra mim. Você obedeceu. O caos parecia distante agora. O mundo tinha encolhido para aquele espaço entre vocês. — Lorenzo não quer só me destruir — Dominic disse, a voz baixa, urgente. — Ele quer provar que tudo o que eu toco vira ruína. — E eu sou a prova disso? — você perguntou, com dor. — Não — ele respondeu, firme. — Você é a exceção. Ele segurou seu rosto com as duas mãos, o polegar limpando uma lágrima que escapou. — Eu nunca deveria ter te envolvido — ele confessou. — Mas o pior erro da minha vida teria sido fingir que você não importa. Seu coração bateu forte. — Dominic… — Escuta — ele continuou, aproximando-se mais, como se cada segundo fosse roubado do tempo. — Se algo acontecer comigo hoje… você precisa saber. — Não fala isso. — Precisa — ele insistiu. — Porque eu passei a vida inteira acreditando que poder era tudo. Que sentimentos eram fraqueza. Ele respirou fundo. — Até você. O silêncio entre vocês era absoluto. — Eu não sei amar de forma segura — ele disse. — Só sei amar ficando. Protegendo. Enfrentando o inferno se for preciso. Ele encostou a testa na sua, as mãos ainda firmes no seu rosto. — E mesmo sabendo que te amar pode me destruir… eu não consigo parar. As palavras te atingiram como um golpe e um abrigo ao mesmo tempo. — Dominic… isso é um adeus? — você sussurrou. — Não — ele respondeu, com uma intensidade quase dolorosa. — É uma promessa. Ele te puxou para um abraço forte, desesperado, como se quisesse gravar sua existência na própria pele. Não havia pressa. Só necessidade. — Enquanto eu respirar — ele murmurou no seu ouvido — ninguém encosta em você. Ao longe, os homens de Lorenzo recuavam. A polícia se aproximava. A guerra tinha chegado ao auge. E você entendeu, naquele instante, que longe de Dominic… você nunca esteve tão vulnerável.
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